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Início Notícias

Filho passa a receber em conta pessoal R$ 7.500 mensais de imóveis do pai falecido, sem prestar contas, e irmãos pedem restituição na Justiça

Por Daniely Cardoso
02/09/2026
Em Notícias
O controle judicial impede que a confiança familiar seja usada para lesar o direito sucessório dos demais participantes.

O controle judicial impede que a confiança familiar seja usada para lesar o direito sucessório dos demais participantes.

Para centralizar a renda familiar, Marcos reteve o aluguel de imóvel de herança que somava R$ 7.500 mensais durante 18 meses. Ele recusou repassar as cotas aos irmãos após a morte do pai. A Justiça determinou a restituição integral das quantias e bloqueou as matrículas. A história é fictícia, mas retrata uma armadilha recorrente na sucessão.

Na prática
Situação O que muda
Herdeiro administra imóveis da família e retém os aluguéis em conta particular A legislação obriga a trazer ao acervo todos os frutos percebidos, impondo o dever de restituir integralmente as quantias com correção.
Gestão de receitas e despesas do patrimônio herdado durante o inventário A regra estabelece a indivisibilidade da herança e exige a prestação de contas periódica, com direcionamento dos valores para conta do espólio.
Recusa do administrador em repassar as cotas financeiras aos demais coerdeiros Os herdeiros prejudicados podem recorrer ao Judiciário para exigir a exibição de extratos, relatórios formais e a divisão proporcional dos rendimentos.
Risco de desvios patrimoniais ou transferências indevidas durante o inventário O entendimento judicial admite medidas de proteção patrimonial, como a determinação de bloqueio cautelar nas matrículas dos imóveis.
Base Legal: Arts. 1.791 e 2.020 do Código Civil (Lei 10.406/2002) e jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A aplicação da legislação pode variar conforme os fatos específicos e provas de cada caso concreto.

Como começou a gestão das locações deixadas pelo pai?

Após a perda do patriarca, a família precisou organizar a administração de três casas alugadas que geravam renda constante. Marcos assumiu voluntariamente o contato com os inquilinos e orientou os pagamentos para sua conta bancária pessoal no processo de inventário.

A intenção inicial parecia apenas facilitar a rotina dos parentes durante o luto. No entanto, o tempo passou e a quantia de R$ 7.500 mensais continuou sendo retida sem que nenhum relatório financeiro fosse apresentado aos outros dois irmãos.

No entanto, o tempo passou e a quantia de R$ 7.500 mensais continuou sendo retida sem que nenhum relatório financeiro fosse apresentado aos outros dois irmãos.

Leia também: Família herda fazenda de 400 hectares avaliada em R$ 8 milhões, mas descobre que parte da propriedade está comprometida por dívidas deixadas pelo antigo dono e enfrenta risco de venda judicial

O que aconteceu quando os outros herdeiros cobraram os repasses?

Ao completarem 18 meses do falecimento, os irmãos solicitaram a divisão proporcional dos valores acumulados no período. Marcos recusou o diálogo, alegando que o trabalho de cobrança justificava a retenção exclusiva do montante total.

Diante do impasse financeiro, os prejudicados recorreram ao Poder Judiciário com uma ação de exigir contas combinada com petição de herança. O objetivo era forçar o depósito em juízo e garantir a proteção patrimonial dos bens deixados.

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O que o Código Civil estabelece sobre a indivisibilidade da herança?

A legislação nacional determina que o acervo hereditário forma uma massa única até a partilha definitiva entre os sucessores. O artigo 1.791 do Código Civil estabelece o princípio da indivisibilidade, regulando os direitos dos coerdeiros pelas normas do condomínio tradicional.

Nenhum herdeiro pode dispor dos frutos dos bens como se fosse proprietário exclusivo antes da partilha formal. Os rendimentos pertencem ao conjunto familiar e devem ser depositados na conta do espólio para cobrir despesas ou compor o saldo comum.

A legislação nacional determina que o acervo hereditário forma uma massa única até a partilha definitiva entre os sucessores.

Por que as normas exigem a prestação de contas dos bens herdados?

O ordenamento jurídico existe para proteger a igualdade entre os herdeiros e evitar que um familiar enriqueça às custas dos outros. As regras sucessórias foram desenhadas porque a gestão informal frequentemente resulta em desvios patrimoniais e litígios prolongados.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça confirma que a apropriação exclusiva de rendimentos viola a boa-fé objetiva entre os coproprietários. O controle judicial impede que a confiança familiar seja usada para lesar o direito sucessório dos demais participantes.

Quais são as regras para a restituição dos frutos no inventário?

A retenção indevida de aluguéis gera a obrigação legal de ressarcir todos os valores recebidos desde a abertura da sucessão. O artigo 2.020 do Código Civil obriga os herdeiros que administram bens a trazer ao acervo os frutos percebidos durante a gestão.

Para manter o equilíbrio financeiro e a transparência entre os familiares, a lei impõe requisitos claros:

01
Depósito em conta judicial: os valores dos aluguéis devem ser direcionados para uma conta vinculada ao espólio.
02
Prestação de contas periódica: o administrador precisa apresentar comprovantes de todas as receitas e despesas.
03
Restituição integral: as quantias retidas sem autorização devem ser devolvidas com correção monetária.
04
Bloqueio cautelar: as matrículas dos imóveis podem ser travadas para evitar transferências irregulares.

O que muda quando comparamos a atitude de Marcos com o caminho legal?

A diferença entre a conduta de Marcos e uma administração regularizada não está na cobrança dos inquilinos, mas no processo. Cuidar dos imóveis da família é válido, desde que haja prestação de contas e divisão transparente entre os irmãos.

A comparação entre o caminho que Marcos seguiu e o que a lei pede fica clara na tabela:

EtapaO que Marcos fezO que a lei exige
Recebimento Cobrança dos aluguéisRecebeu em conta bancária particularDetermina depósito em conta do espólio
Transparência Prestação de contasOmitiu extratos e comprovantes financeirosObriga apresentação formal de relatórios
Divisão Repasse dos frutosReteve os rendimentos por 18 mesesExige partilha proporcional dos lucros
Gestão Administração do acervoAtuou sem autorização dos outros herdeirosRequer nomeação formal de inventariante

O que se aprende com a história de Marcos?

A história de Marcos é fictícia, mas retrata um conflito financeiro recorrente em inventários por todo o país. O trabalho dele em gerenciar os imóveis não era o problema. O erro foi reter os aluguéis em benefício próprio e desrespeitar o direito de propriedade dos irmãos.

Quem realmente quer regularizar a administração de bens herdados precisa seguir esse roteiro: abrir o inventário judicial ou extrajudicial, solicitar a abertura de uma conta bancária vinculada ao espólio e prestar contas documentadas de todas as entradas e saídas. É mais burocrático do que centralizar os valores na conta pessoal, mas separa a segurança jurídica de uma condenação por retenção indevida.

Tags: Aluguelherançainventáriopartilha
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