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Anfíbio de 237 milhões de anos pode ter sido o primeiro de seu grupo a viver exclusivamente no mar

Por Maria Beatriz Silva
04/11/2026
Em Curiosidades
Anfíbio de 237 milhões de anos pode ter sido o primeiro de seu grupo a viver exclusivamente no mar

Anfíbio de 237 milhões de anos pode ter sido o primeiro de seu grupo a viver exclusivamente no mar

Um animal com aparência semelhante à de uma salamandra gigante pode mudar o que a ciência conhece sobre a evolução dos anfíbios. Fósseis de aproximadamente 237 milhões de anos encontrados na China revelaram uma espécie com adaptações incomuns para a vida marinha. A descoberta sugere que esse grupo de vertebrados conseguiu ocupar um ambiente considerado extremamente difícil para seus representantes.

O que os fósseis revelaram sobre o anfíbio que viveu há 237 milhões de anos?

A espécie recebeu o nome científico Gerrothorax maritimus e viveu durante o período Triássico, quando os ecossistemas marinhos abrigavam diferentes grupos de animais. Os pesquisadores identificaram dois esqueletos quase completos em rochas da província de Guizhou, no sudoeste da China, região que estava coberta pelo oceano naquela época.

O animal tinha aproximadamente 74 centímetros de comprimento e apresentava corpo achatado, cabeça larga e uma estrutura óssea bastante desenvolvida. Sua principal característica era uma espécie de armadura natural, formada por placas ósseas que cobriam grande parte do corpo e podem ter contribuído para sua adaptação ao ambiente salgado.

anfíbio marinho pré-histórico
Um anfíbio pré-histórico semelhante a uma salamandra gigante, com corpo achatado e armadura de placas ósseas

Por que viver exclusivamente no mar era tão difícil para os anfíbios?

Os anfíbios atuais dependem de características fisiológicas que dificultam a permanência prolongada em água salgada. Sua pele permeável participa das trocas de água e gases, mas também permite que o sal do ambiente interfira no equilíbrio hídrico do organismo. Por isso, a maioria das espécies precisa de água doce ou ambientes menos salinos para sobreviver.

Estudos publicados na revista científica Nature Ecology & Evolution apresentam Gerrothorax maritimus como o primeiro anfíbio de sua linhagem conhecido por apresentar evidências de vida totalmente marinha. A conclusão considera a preservação dos esqueletos longe de antigas áreas terrestres e a composição química dos ossos, compatível com a água do mar do período Triássico.

Quais adaptações físicas podem ter permitido que esse animal sobrevivesse no oceano?

A armadura óssea é uma das principais pistas para explicar essa capacidade. Segundo os pesquisadores, a cobertura poderia limitar a passagem de água, gases e sais pela pele, reduzindo um dos obstáculos enfrentados pelos anfíbios em ambientes marinhos. As brânquias e o sistema digestivo também podem ter desempenhado funções importantes no equilíbrio de sais.

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6 características que ajudam a explicar a adaptação de um peixe pré-histórico ao mar

A anatomia desse animal reúne estruturas que podem indicar hábitos próximos ao fundo marinho, estratégias de alimentação e mecanismos relacionados à sobrevivência em ambientes de água salgada.

01

Corpo achatado

O formato achatado pode indicar uma adaptação à vida próxima ao fundo do mar. Essa configuração corporal poderia facilitar o deslocamento e a permanência junto ao substrato marinho.

02

Armadura de placas ósseas

Placas ósseas distribuídas pelo corpo formavam uma espécie de proteção externa. Essa armadura provavelmente ajudava a defender o animal contra predadores e impactos do ambiente.

03

Crânio largo e boca adaptada à sucção

O crânio amplo e a estrutura da boca são compatíveis com um mecanismo de alimentação por sucção. Essa estratégia permite capturar pequenos organismos e presas sem depender apenas de mordidas.

04

Dentes pequenos e cônicos

A presença de dentes reduzidos e com formato cônico sugere uma estrutura adequada para segurar e capturar presas. Sua forma fornece pistas sobre os hábitos alimentares do animal.

05

Brânquias relacionadas ao equilíbrio de sais

Além de participar da respiração, as brânquias dos peixes desempenham funções importantes na regulação de água e sais. No animal estudado, essas estruturas podem ter contribuído para eliminar o excesso de sal do organismo.

06

Estrutura corporal e controle da água

A organização do corpo pode ter contribuído para reduzir as trocas de água pela pele. Essa possível característica teria importância para o equilíbrio interno do animal em um ambiente marinho, onde a concentração de sais representa um desafio fisiológico.

O que os cientistas descobriram sobre a alimentação e o ambiente desse anfíbio?

A anatomia da cabeça indica que o Gerrothorax maritimus provavelmente capturava pequenos animais por sucção. Nesse tipo de alimentação, o predador abre a boca rapidamente e cria uma corrente de água capaz de puxar a presa para dentro. Essa estratégia é encontrada em diferentes animais aquáticos que vivem próximos ao fundo.

A preservação dos esqueletos também oferece pistas sobre seu habitat. Os fósseis foram encontrados em sedimentos marinhos formados a pelo menos 30 quilômetros de possíveis áreas terrestres. A composição dos isótopos de estrôncio nos ossos também apresentou correspondência com a água do antigo oceano, reforçando a hipótese de que o animal vivia nesse ambiente.

anfíbio marinho pré-histórico
O anfíbio marinho pré-histórico com crânio largo, boca aberta por sucção e pequenos dentes cônicos capturando um pequeno peixe

Por que essa descoberta pode mudar o entendimento sobre a evolução dos anfíbios?

Atualmente, existem mais de 8 mil espécies conhecidas de anfíbios, incluindo sapos, rãs, salamandras e cecílias. Nenhuma delas apresenta um ciclo de vida inteiramente marinho. A identificação de um representante extinto com adaptações para esse ambiente mostra que a evolução desse grupo foi mais diversificada do que o registro das espécies atuais poderia sugerir.

A pesquisa também levanta uma hipótese interessante: a armadura corporal, que provavelmente já existia em ancestrais de água doce, pode ter favorecido a adaptação ao oceano. Uma característica que inicialmente teria função de proteção contra predadores pode ter contribuído para superar uma barreira fisiológica importante. Entretanto, essa explicação ainda depende de novas investigações.

Tags: evolução dos anfíbiosfósseis de anfíbiosGerrothorax maritimus
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