Em muitas casas do Piauí, a primeira coisa oferecida a uma visita é um copo de uma bebida dourada e transparente, feita de caju. A cajuína, que não tem álcool nem açúcar adicionado, é tão ligada à identidade local que se tornou símbolo de Teresina, capital do Piauí, e teve seu modo de fazer reconhecido como patrimônio cultural do Brasil. Por trás de cada garrafa há um processo artesanal paciente, passado de geração em geração.
O que é a cajuína?
Uma bebida de caju clarificada. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a cajuína é uma bebida não alcoólica feita a partir do suco do caju separado do seu tanino, a substância que dá ao caju aquele gosto que amarra a boca. Para isso, os produtores adicionam um agente que faz o tanino se separar do suco.
Esse ingrediente mudou ao longo do tempo. O Iphan registra que, originalmente, era usada a resina do próprio cajueiro, depois, durante muitas décadas, a cola de sapateiro e, atualmente, a gelatina em pó. A mistura é coada várias vezes em redes ou funis de pano, em um processo chamado de clarificação, até que o líquido fique transparente.

Como a cajuína ganha a cor dourada?
No cozimento dentro da garrafa. Segundo o Iphan, o suco clarificado é cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que seus açúcares sejam caramelizados, o que deixa a bebida amarelada e permite que ela seja armazenada por períodos de até dois anos.
Cada produtor tem seu jeito. O sistema de bens culturais do Iphan explica que, embora o modo de fazer seja semelhante nos núcleos produtores espalhados pelo Piauí, cada um desenvolveu melhorias e técnicas próprias que podem gerar diferenças no produto final, distinguindo o sabor de sua cajuína da dos demais. O controle de cada etapa se reflete nas características de cada garrafa.
Como se faz a cajuína tradicional?
O processo artesanal descrito pelo Iphan passa por algumas etapas principais. Estes são os passos que transformam o caju em cajuína.
Por que a cajuína virou patrimônio do Brasil?
Pela ligação com a hospitalidade piauiense. O catálogo de bens culturais do Iphan informa que a produção tradicional e as práticas associadas à cajuína no Piauí foram registradas como Patrimônio Cultural do Brasil em 15 de maio de 2014, no Livro dos Saberes, a partir de pedido da Cooperativa de Produtores de Cajuína do Piauí.
O reconhecimento vai além da receita. Segundo o Iphan, o modo de fazer e as práticas ligadas à cajuína surgiram junto com os rituais de hospitalidade das famílias piauienses, e por isso são considerados patrimônio imaterial. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) destaca que a bebida é considerada símbolo da cultura e da cidade de Teresina.

Onde provar cajuína em Teresina?
Em casas, restaurantes e mercados da cidade. Como a bebida faz parte do cotidiano, ela aparece nos cardápios dos restaurantes regionais e nas prateleiras dos mercados, muitas vezes com rótulos de produtores locais. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, quem visita o estado pode escolher entre várias marcas, sabendo que leva um produto que é motivo de orgulho para os piauienses.
A cajuína costuma ser servida gelada, o que combina com o clima quente de Teresina. Como se conserva por longos períodos, também é uma lembrança fácil de levar na bagagem, uma forma de levar para casa um pouco da hospitalidade do Piauí.
Como é o clima de Teresina ao longo do ano?
O calor é constante, e a chuva se concentra no primeiro semestre. Março registra 335 mm em média, enquanto agosto tem apenas 3 mm, e as máximas chegam a 36°C em setembro e outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma bebida que traduz a hospitalidade
A cajuína mostra como um gesto simples, oferecer algo de beber a quem chega, pode virar patrimônio de um país inteiro. O suco do caju, coado em panos até ficar transparente e cozido na própria garrafa até ganhar cor dourada, carrega o saber de gerações de produtores piauienses. Em Teresina, cada copo servido é também uma forma de dizer que o visitante é bem-vindo.
Você precisa provar uma cajuína bem gelada em Teresina, de preferência oferecida por alguém da cidade, para entender por que essa bebida é muito mais do que um suco de caju.




