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Início Curiosidades

A psicologia afirma que ter um vínculo ansioso com seu cão ou gato aumenta a depressão e a exaustão profissional

Por Daniely Cardoso
23/10/2026
Em Curiosidades
Uma relação equilibrada envolve oferecer cuidados adequados ao animal sem abandonar as próprias necessidades.

Uma relação equilibrada envolve oferecer cuidados adequados ao animal sem abandonar as próprias necessidades.

Ter um cachorro ou gato pode proporcionar companhia, carinho e bem-estar emocional. Entretanto, pesquisas em psicologia indicam que o apego ansioso aos animais está associado a mais sintomas de depressão, preocupação excessiva e desgaste psicológico em determinados tutores. O problema não é amar o pet, mas desenvolver uma relação marcada pelo medo constante de perdê-lo.

O que é apego ansioso a cães e gatos?

O apego ansioso acontece quando o vínculo emocional com o animal vem acompanhado de insegurança intensa e preocupação frequente. O tutor pode sentir dificuldade para se afastar do pet, mesmo por períodos curtos, ou imaginar constantemente que algo ruim acontecerá. Essa preocupação persistente pode prejudicar atividades profissionais, sociais e momentos de descanso.

Na psicologia, o conceito está relacionado à teoria do apego, originalmente desenvolvida para compreender vínculos humanos. Atualmente, pesquisadores também investigam essas características nas relações com animais de estimação. Um vínculo seguro permite demonstrar carinho e responsabilidade sem transformar cada separação em motivo de sofrimento intenso.

Os resultados mostraram que níveis mais elevados de ansiedade relacionada ao apego ao animal estavam associados a maior probabilidade de apresentar sintomas depressivos.

Leia também: A psicologia afirma que os gatos sabem perfeitamente quando seus donos estão falando com eles e reconhecem suas vozes em meio à multidão.

Estudo relaciona apego ansioso a mais sintomas de depressão

Uma pesquisa publicada em fevereiro de 2025 na revista científica Human-Animal Interactions analisou dados de 1.028 adultos dos Estados Unidos que possuíam animais de estimação. Os pesquisadores investigaram a intensidade do vínculo, a frequência das interações e os sintomas depressivos apresentados pelos participantes.

Os resultados mostraram que níveis mais elevados de ansiedade relacionada ao apego ao animal estavam associados a maior probabilidade de apresentar sintomas depressivos. O estudo científico original não demonstrou, porém, que o apego ansioso cause depressão. A relação pode envolver outros fatores emocionais que precisam ser investigados.

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Quais sinais podem indicar preocupação excessiva com o pet?

O cuidado responsável envolve alimentação, passeios, consultas veterinárias e atenção ao comportamento do animal. O alerta aparece quando essas responsabilidades são acompanhadas de angústia desproporcional, pensamentos repetitivos ou dificuldade para manter compromissos pessoais.

Alguns comportamentos podem indicar que a relação merece mais atenção:

  • Medo constante: imaginar repetidamente que o animal ficará doente ou sofrerá algum acidente.
  • Culpa intensa: sentir sofrimento excessivo sempre que precisa sair de casa.
  • Verificações repetidas: interromper atividades frequentemente para confirmar se o pet está bem.
  • Isolamento social: evitar compromissos por não conseguir ficar longe do animal.
  • Desgaste emocional: apresentar preocupação persistente que compromete sono, concentração ou descanso.

O apego ansioso afeta igualmente tutores de cães e gatos?

Uma pesquisa publicada em 2025 na revista PLOS One avaliou 600 jovens adultos do Reino Unido, com idades entre 18 e 26 anos, que possuíam cães ou gatos e relataram dificuldades relacionadas à ansiedade ou ao humor. O objetivo era compreender a relação entre o vínculo com os animais, os problemas comportamentais e a saúde mental dos tutores.

Os resultados indicaram associação entre apego ansioso e pior saúde mental entre tutores de cães, mas não demonstraram o mesmo padrão para os gatos. O trabalho, disponível na biblioteca científica PubMed Central, reforça que os efeitos do vínculo dependem de diferentes fatores, incluindo características individuais e qualidade da convivência.

Portanto, não é correto afirmar que maior carinho pelo pet necessariamente aumenta a depressão.

Amar muito um animal significa ter dependência emocional?

Não. Demonstrar carinho, considerar o pet parte da família e preocupar-se com sua saúde são comportamentos comuns entre tutores. A intensidade do afeto, isoladamente, não determina a existência de um problema psicológico. O aspecto mais relevante é perceber se a relação provoca sofrimento frequente ou limita significativamente a vida cotidiana.

Uma revisão científica de 2025, que reuniu 116 estudos, encontrou resultados variados sobre a relação entre apego aos animais e saúde mental. Algumas pesquisas identificaram benefícios, outras observaram associações negativas e parte delas não encontrou relação significativa. Portanto, não é correto afirmar que maior carinho pelo pet necessariamente aumenta a depressão.

Como manter uma relação saudável com cães e gatos?

Uma relação equilibrada envolve oferecer cuidados adequados ao animal sem abandonar as próprias necessidades. Manter atividades sociais, descansar, dividir responsabilidades quando possível e estabelecer uma rotina previsível pode ajudar a reduzir preocupações. Também é útil garantir que o pet tenha enriquecimento ambiental e oportunidades de desenvolver comportamentos naturais.

Quando o medo de perder o animal ou a dificuldade de separação provoca sofrimento persistente, procurar acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender esses sentimentos. A orientação não é diminuir o carinho pelo cachorro ou gato, mas construir um vínculo mais seguro. Cuidar do próprio bem-estar também permite oferecer uma convivência mais tranquila ao animal.

Tags: AnimaiscomportamentopsicologiaSaúde
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