Cinco mil bitrens cruzam Rondonópolis durante a safra. Quem vê o fluxo de caminhões na BR-163 pode pensar que a cidade é só lavoura. Mas, a 210 km de Cuiabá, no Centro-Oeste do Mato Grosso, o cerrado esconde sítios arqueológicos de 10 mil anos, cachoeiras catalogadas pela prefeitura e uma história de abandono e renascimento que poucas cidades brasileiras conseguem contar.
De povoado fantasma a capital do agronegócio
Os primeiros sinais de vida em terras rondonopolitanas datam de pelo menos cinco mil anos, segundo estudos no sítio arqueológico Ferraz Egreja, registrado pelo IBGE. Antes da chegada dos colonizadores, a região era território do povo Bororo.
O povoado do Rio Vermelho começou a se formar em 1902, com famílias vindas de Goiás e Cuiabá. Em 1918, ganhou o nome de Rondonópolis em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, que liderou a construção de linhas telegráficas na região entre 1907 e 1909. O que veio depois é a parte mais curiosa da história: enchentes, epidemias e a corrida por diamantes em Poxoréu esvaziaram o distrito. De 1931 a 1947, Rondonópolis ficou praticamente despovoada. A retomada veio com colônias agrícolas do governo estadual, e a emancipação política foi conquistada em 10 de dezembro de 1953.

Soja, ferrovia e pleno emprego no cerrado
Na década de 1970, Rondonópolis viveu uma das modernizações rurais mais rápidas do Centro-Oeste, impulsionada pela soja e pela chegada de migrantes sulistas, nordestinos, paulistas, japoneses e libaneses. Em 1980, já era o segundo município mais importante do Mato Grosso em termos econômicos e demográficos, segundo a Prefeitura de Rondonópolis.
Hoje, com cerca de 260 mil habitantes (IBGE, estimativa 2025), a cidade é a terceira mais populosa do estado e a mais populosa do interior. O PIB ultrapassa R$ 17 bilhões (IBGE, 2021). Rondonópolis abriga a maior planta esmagadora de soja do mundo, da ADM, e a maior da América Latina, da Bunge. A chegada da ferrovia nos últimos anos diversificou a logística e elevou a arrecadação de ISS. O apelido de Capital Nacional do Bitrem se explica pelo volume de carretas que cruzam o entroncamento das rodovias BR-163 e BR-364.
O vídeo do canal Cidades & Cia apresenta Rondonópolis, no Mato Grosso do Sul, destacando-a como o maior polo industrial do interior do estado e a segunda maior economia mato-grossense. Estrategicamente localizada, a cidade é um ponto vital de ligação entre as regiões Norte e Sul do Brasil.
Como é o dia a dia em uma cidade que cresce acima da média?
Rondonópolis tem ritmo de cidade em expansão. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), emancipada da UFMT, e a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) formam profissionais para o mercado regional. O IDH municipal é de 0,755 (PNUD), classificado como alto, acima da média estadual. O mercado de trabalho opera próximo ao pleno emprego, com oferta de vagas maior que a quantidade de profissionais disponíveis, segundo dados da Prefeitura.
O Casario, complexo de 24 casas de adobe e alvenaria dos anos 1940, foi restaurado e abriga bares, artesanato regional e eventos culturais no centro da cidade. O Horto Florestal (Bosque Municipal Isabel Dias Goulart) oferece trilhas e contato com a fauna do cerrado dentro do perímetro urbano. A Exposul, maior feira agropecuária do interior do estado, atrai investidores e público para o Parque de Exposições, que tem arena de rodeios com capacidade para 20 mil pessoas.

Cidade de Pedra: pinturas rupestres e paredões de 100 metros
A Cidade de Pedra, dentro do Parque Ecológico João Basso, é um conjunto de formações rochosas de arenito com cerca de 3.600 hectares, paredões de até 100 metros e pinturas rupestres. Uma cooperação entre o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e o Museu de História Natural de Paris pesquisa o local há mais de 30 anos, tendo encontrado mais de 25 mil artefatos.
O Complexo Turístico do Carimã, a cerca de 60 km do centro pela BR-163, reúne nove cachoeiras acessadas por trilha de pouco mais de 1 km. O período ideal para visitação é de março a novembro, quando as trilhas ficam secas e o acesso é seguro.
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Quando o clima do cerrado favorece cada atividade?
O clima é tropical de savana, com verão chuvoso e inverno seco. O calor é constante, mas o inverno oferece noites mais amenas e céu aberto.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao entroncamento do cerrado mato-grossense?
Rondonópolis fica a 210 km de Cuiabá pela BR-163, cerca de 3 horas de carro. O Aeroporto Municipal Maestro Marinho Franco recebe voos domésticos. Para quem vem de São Paulo ou Goiânia, o acesso rodoviário é pela BR-364. A cidade funciona como portal para o Pantanal Norte e ponto de passagem para quem sobe rumo à Amazônia pela 163.
A cidade que transformou desafio em potência
Rondonópolis carrega a força de quem ficou vazia por quase duas décadas e renasceu como uma das economias mais sólidas do interior do Brasil. Entre sítios arqueológicos milenares, cachoeiras escondidas no cerrado e um terminal logístico que alimenta o país, a cidade oferece muito mais do que se vê na estrada.
Você precisa parar em Rondonópolis na próxima vez que cruzar o Mato Grosso e entender como uma cidade de cerrado transformou abandono em prosperidade sem perder o verde e a hospitalidade do interior.










