Em muitas casas, a cena se repete: alguém deita para descansar, apaga a luz e, em poucos minutos, a mente começa a acelerar. Pensamentos sobre trabalho, família, contas, estudos e até lembranças antigas vão surgindo sem convite. O corpo está cansado, mas a cabeça parece ligada em outra frequência. Esse tipo de overthinking noturno tem se tornado cada vez mais comum, especialmente em um mundo marcado por telas, notificações e fluxo constante de informações.
O que é o overthinking noturno e por que ele atrapalha tanto o sono?
O termo overthinking noturno descreve o hábito de pensar demais na hora de dormir, justamente quando o organismo deveria estar desacelerando. Em vez de permitir que o cérebro reduza o ritmo, a pessoa analisa detalhes do dia, planeja o amanhã, relembra situações desconfortáveis ou imagina cenários futuros, muitas vezes acompanhados de autocrítica e cobranças internas, como trouxe Jeffrey Bernstein, doutor em Filosofia.
Esse fenômeno está ligado à forma como o cérebro processa preocupações e estímulos. À noite, com o ambiente externo mais silencioso, os pensamentos ganham espaço. O uso frequente de celulares e outros dispositivos na cama mantém o cérebro em estado de alerta, pois a luz das telas e o conteúdo acelerado estimulam a mente, tornando o adormecer mais lento e fragmentando o sono durante a madrugada.

Como o overthinking noturno impacta o bem-estar e a rotina diária?
A dificuldade para dormir não se limita ao incômodo daquele momento, pois a privação de sono ou um descanso de baixa qualidade repercute ao longo do dia seguinte. Fadiga, queda de concentração, lapsos de memória e irritabilidade são consequências frequentes, e em crianças e adolescentes podem surgir baixo rendimento escolar e maior dificuldade para lidar com frustrações.
A longo prazo, noites mal dormidas se associam a problemas físicos, como alterações metabólicas, aumento do risco cardiovascular e enfraquecimento do sistema imunológico. No campo emocional, a combinação entre ansiedade, preocupação excessiva e sono insuficiente alimenta um ciclo: quanto mais cansada está a pessoa, mais sensível fica a pensamentos negativos, aumentando a chance de demorar para adormecer novamente.
- Dificuldade de concentração: tarefas simples passam a exigir esforço maior.
- Humor instável: há maior sensibilidade a pequenos aborrecimentos.
- Queda de produtividade: a execução de atividades diárias fica mais lenta.
- Redução da motivação: prevalece a sensação de cansaço constante.
Como acalmar a mente antes de dormir de forma simples e prática?
O combate ao overthinking na hora de dormir costuma depender de um conjunto de estratégias simples, aplicadas com frequência, que ajudam o cérebro a entender que o dia está terminando. Criar um pequeno ritual noturno com leitura leve, alongamentos suaves, respiração lenta e profunda ou técnicas de relaxamento já sinaliza ao organismo que é hora de desacelerar.
Outra medida importante é reduzir o contato com estímulos digitais pelo menos algum tempo antes de se deitar, substituindo as telas por um caderno para registrar preocupações, pendências e ideias. Ao anotar, a pessoa transfere para o papel o que não quer esquecer, diminuindo a sensação de que precisa manter tudo na mente durante a noite e facilitando um sono mais contínuo e reparador.
- Definir um horário aproximado para dormir e acordar diariamente.
- Evitar notícias pesadas e discussões intensas perto da hora de deitar.
- Manter um ambiente escuro, silencioso e confortável no quarto.
- Registrar em papel pensamentos insistentes ou tarefas do dia seguinte.
- Praticar técnicas de respiração ou relaxamento muscular progressivo.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da psicóloga do sono Isadora Bueno (@isadorabuenopsi):
@isadorabuenopsi Como acalmar a mente antes de dormir #sono #insonia #dormir ♬ som original – Isadora | Psicóloga do Sono
Estratégias simples reduzem realmente o overthinking noturno?
Relatos clínicos indicam que pequenas mudanças consistentes tendem a ter impacto significativo na mente acelerada à noite. Uma delas é treinar o foco para o momento presente, percebendo sensações corporais como o peso do cobertor, o contato do colchão com as costas e o ritmo da respiração, o que reduz a energia dedicada a imaginar problemas futuros ou revisitar situações passadas.
Outra abordagem é modificar a forma de se relacionar com os próprios pensamentos, enxergando-os como eventos mentais passageiros, e não como ordens ou ameaças. Essa postura diminui a urgência de responder a cada preocupação e permite lembrar que as pendências podem ser tratadas no dia seguinte. Quando o overthinking à noite se torna frequente, interfere no dia a dia ou vem acompanhado de sintomas intensos, a busca por ajuda profissional especializada pode auxiliar na identificação de padrões e na construção de estratégias personalizadas.









