Os dias frios e com menos horas de luz costumam impactar o bem-estar de muitas pessoas. Nessa época, é comum notar mais cansaço, alteração de apetite e mudanças de humor, especialmente em quem já tem maior sensibilidade à falta de luz natural. Em casos mais intensos, esse quadro pode se aproximar do transtorno afetivo sazonal, condição associada à depressão durante o inverno, em que a alimentação pode atuar como um dos pilares de cuidado.
Como a alimentação influencia o humor no inverno
Durante os meses mais frios, a alimentação ganha um papel ainda mais relevante no bem-estar emocional. O intestino abriga trilhões de microrganismos que compõem o chamado microbioma intestinal, o qual se comunica diretamente com o cérebro por meio do eixo intestino-cérebro, como trouxe a pesquisa “Gut microbiota and its metabolites in depression: from pathogenesis to treatment”.
Alterações nessa comunidade de bactérias podem se relacionar a quadros de ansiedade e depressão, o que torna a escolha dos alimentos um ponto estratégico para a saúde mental. Além disso, um padrão alimentar equilibrado ajuda a modular inflamações, regular o sono e apoiar a produção de neurotransmissores, como a serotonina.
Quais alimentos que melhoram o humor merecem atenção
Alguns grupos de alimentos se destacam quando o objetivo é cuidar do humor no inverno. Eles não substituem tratamento médico ou psicológico, mas podem complementar a abordagem, atuando como suporte ao funcionamento do cérebro e ao equilíbrio emocional.
Entre eles, ganham espaço probióticos, fontes de vitamina D, alimentos ricos em ômega-3, temperos como o açafrão e fibras prebióticas, que ajudam a regular processos inflamatórios. Alguns dos principais grupos incluem:
- Probióticos: presentes em alimentos fermentados, ajudam a fortalecer a microbiota intestinal, o que pode refletir positivamente no equilíbrio emocional.
- Vitamina D: relacionada à regulação do humor, costuma cair em períodos de menor exposição solar, tornando a alimentação uma via importante de reposição parcial.
- Ômega-3: gordura associada à saúde do cérebro e a sintomas de depressão em diferentes estudos.
- Açafrão (safranal e crocina): composto que tem sido estudado pelos possíveis efeitos sobre a serotonina.
- Prebióticos: fibras que alimentam as bactérias benéficas do intestino, fortalecendo indiretamente o eixo intestino-cérebro.
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Como probióticos e prebióticos atuam no eixo intestino-cérebro
Quando o assunto é alimentos para o bom humor, probióticos e prebióticos formam uma dupla de interesse crescente. Os probióticos são microrganismos vivos que, em quantidades adequadas, colaboram com o equilíbrio da flora intestinal e podem influenciar a produção de substâncias ligadas ao bem-estar.
Já os prebióticos, um tipo de fibra, servem de alimento para essas bactérias benéficas, ajudando-as a se manterem ativas e diversificadas. Entre os exemplos aparecem ingredientes comuns, como alho, cebola, banana menos madura, aveia, cevada e leguminosas, que contribuem para um microbioma mais diverso e menos inflamatório.
Quais são as principais fontes de probióticos e prebióticos
Entre os exemplos de alimentos probióticos estão iogurte com culturas vivas, kefir, kimchi, chucrute e outros vegetais fermentados. Esses itens, quando consumidos com regularidade, auxiliam na manutenção de uma microbiota mais estável ao longo do inverno.
No grupo dos prebióticos, aparecem ingredientes comuns na rotina, que podem ser incluídos em preparações quentes e reconfortantes típicas dos dias frios:
- Alho e cebola;
- Alho-poró e aspargos;
- Banana, especialmente menos madura;
- Aveia e cevada;
- Leguminosas, como feijão, grão-de-bico e lentilha.

Como vitamina D, ômega-3 e açafrão atuam no humor
No inverno, a luz solar mais escassa diminui a produção natural de vitamina D pela pele. Essa vitamina participa de processos ligados ao sistema nervoso e ao sistema imunológico, por isso costuma ser mencionada em discussões sobre humor, fadiga e maior vulnerabilidade a quadros depressivos.
Entre os alimentos que ajudam no humor por fornecer vitamina D, aparecem peixes gordurosos (como salmão e atum), gema de ovo e produtos fortificados. Em paralelo, compostos bioativos como o açafrão podem complementar essa estratégia, sempre como parte de uma alimentação variada.
Quais alimentos são boas fontes de ômega-3 e vitamina D
Os ácidos graxos ômega-3, em especial o EPA, têm sido investigados por possíveis efeitos sobre sintomas de depressão e proteção das membranas das células nervosas. Incluir fontes regulares dessa gordura é uma forma prática de apoiar o cérebro durante os meses frios.
Boas fontes de ômega-3 e alimentos que frequentemente também oferecem vitamina D podem ser integrados ao cardápio semanal em preparações como assados, ensopados e bowls quentes:
- Peixes de água fria (sardinha, salmão, arenque);
- Sementes de linhaça e chia;
- Nozes;
- Óleos vegetais ricos em ômega-3;
- Gema de ovo e leites ou bebidas vegetais fortificados em vitamina D.
Como o açafrão pode apoiar o bem-estar emocional
Outro ponto de interesse é o açafrão, conhecido como “ouro” entre as especiarias. Estudos sugerem que compostos como crocina e safranal podem atuar em vias relacionadas à serotonina, substância associada à regulação do humor e à sensação de bem-estar.
Ele costuma ser utilizado em pequenas quantidades em preparações como risotos, caldos e chás, compondo um padrão alimentar que apoia o bem-estar mental, sem caráter de medicamento. Seu uso aliado a uma dieta rica em fibras, frutas, legumes e gorduras boas parece potencializar esses efeitos positivos.
Como álcool, sono e rotina podem atrapalhar o humor
Enquanto alguns alimentos favorecem um estado emocional mais estável, outros hábitos podem ir na direção oposta. O consumo elevado de álcool no inverno interfere no sono, na absorção de micronutrientes e na saúde intestinal, fatores intimamente ligados ao humor.
Para quem busca alimentos que melhoram o humor e uma rotina mais equilibrada, é útil olhar o conjunto de comportamentos diários, incluindo exposição à luz natural, movimento corporal e horário das refeições, não apenas a ingestão de nutrientes específicos.
Quais estratégias práticas ajudam a manter o humor estável no inverno
Estudos apontam associação entre ingestão alcoólica mais alta e maior risco de sintomas depressivos. Além disso, bebidas alcoólicas podem desorganizar o ritmo do sono, prejudicar a barreira intestinal e favorecer processos inflamatórios que afetam o estado emocional.
Nesse contexto, a combinação entre um padrão alimentar variado e alguns ajustes de estilo de vida forma um conjunto de estratégias úteis para atravessar os meses frios com maior estabilidade de humor:
- Priorizar refeições com boa presença de fibras, frutas, legumes e grãos integrais.
- Incluir, com regularidade, fontes de probióticos e prebióticos.
- Aumentar o consumo de peixes gordurosos ou outras fontes de ômega-3.
- Buscar fontes alimentares de vitamina D e, quando indicado por profissional de saúde, avaliar suplementação.
- Manter o consumo de álcool em níveis baixos ou evitá-lo, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade emocional.
Assim, a alimentação atua como um dos pilares de apoio à saúde mental, lado a lado com acompanhamento profissional quando necessário, boa higiene do sono e exposição moderada à luz solar sempre que possível.








