Antes de sair para o espaço, um astronauta pode passar horas respirando oxigênio puro. A preparação parece exagerada, mas protege o corpo de um efeito perigoso causado pela queda brusca de pressão dentro do traje. O cuidado surgiu de testes e experiências com ambientes de baixa pressão, nos quais bolhas de gás no organismo revelaram um risco que precisava ser controlado.
Por que a pressão do traje espacial pode representar um risco ao organismo?
Durante uma caminhada espacial, o traje precisa manter pressão bem menor que a encontrada dentro da nave. Essa diferença permite que o equipamento permaneça mais leve e funcional, mas também cria uma transição semelhante à enfrentada por mergulhadores que sobem rapidamente. O problema está principalmente no nitrogênio dissolvido nos tecidos corporais.
Quando a pressão cai, o nitrogênio pode deixar a solução e formar bolhas no sangue e nos tecidos. Elas podem provocar dores articulares e, em situações graves, afetar pulmões, cérebro ou circulação. Por isso, a preparação respiratória não serve para fornecer mais oxigênio ao astronauta, mas para reduzir a quantidade de nitrogênio disponível antes da descompressão.

O que acontece no corpo quando o astronauta começa a respirar oxigênio puro?
A preparação começa antes de o astronauta entrar no ambiente de pressão reduzida. Respirar oxigênio em alta concentração favorece a eliminação gradual do nitrogênio presente nos tecidos. O tempo necessário varia conforme o protocolo, a pressão da cabine, a pressão do traje e as atividades realizadas antes da saída, porque todos esses fatores influenciam o risco.
Pesquisas da NASA mostram que protocolos de desnitrogenação foram desenvolvidos justamente para reduzir a doença descompressiva durante atividades extraveiculares. Em testes com 173 participantes, realizados em câmaras de altitude, foram observadas bolhas venosas e sintomas apesar dos protocolos avaliados, reforçando a importância de controlar cuidadosamente a transição para a pressão do traje em cada missão.
Por que os astronautas precisam seguir uma preparação tão longa antes de sair da nave?
A preparação também ajuda a explicar por que uma caminhada espacial não começa simplesmente quando o traje é vestido. Há uma sequência operacional envolvendo pressão, respiração, exercício, verificação do equipamento e passagem pela câmara de ar. Cada etapa diminui parte do risco associado à mudança de ambiente, enquanto a equipe acompanha o estado físico do astronauta.
O desafio fica maior em missões futuras para a Lua e Marte, porque os protocolos precisam equilibrar segurança, tempo de preparação, consumo de oxigênio e características diferentes dos habitats. A NASA pesquisa atmosferas e pressões alternativas para reduzir o período de pré-respiração, sem aumentar de maneira inadequada o risco de doença descompressiva.

Quais etapas ajudam a reduzir a formação de bolhas antes da caminhada espacial?
A lógica do procedimento é simples: retirar parte do nitrogênio antes de expor o organismo à pressão mais baixa. A NASA utiliza protocolos de pré-respiração e, em determinadas situações, exercícios leves durante essa etapa. O objetivo é acelerar a eliminação do gás sem comprometer a segurança ou o desempenho da tripulação.
Antes da caminhada espacial, o protocolo precisa reduzir principalmente:
O que os testes em câmaras de baixa pressão ensinaram sobre as caminhadas espaciais?
Os antigos testes em câmaras de baixa pressão ajudaram a transformar esse perigo em um problema mensurável. Ao simular condições semelhantes às encontradas durante uma atividade extraveicular, pesquisadores puderam observar bolhas e sintomas de doença descompressiva. Esses resultados contribuíram para aperfeiçoar os procedimentos usados antes das caminhadas espaciais e reduzir riscos à tripulação.
Na prática, respirar oxigênio puro antes de uma caminhada espacial é uma forma de preparar o organismo para uma mudança extrema de pressão. O procedimento reduz o nitrogênio corporal antes da saída e funciona como uma barreira preventiva contra bolhas perigosas. Assim, algumas horas de preparação ajudam a tornar uma das tarefas mais arriscadas do voo espacial mais segura.




