O aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem despertado o interesse de famílias, educadores e profissionais de saúde. Em diversas regiões, incluindo o Brasil, mais pessoas estão sendo diagnosticadas com autismo, o que levanta questões sobre se há de fato um aumento real na prevalência ou se a mudança está principalmente na forma como os diagnósticos são realizados, impulsionada por maior informação, visibilidade e redução do estigma.
Quais os fatores que impulsionam o aumento dos diagnósticos de autismo?
Especialistas apontam várias razões para o crescimento dos diagnósticos de autismo. A maior conscientização da população, o acesso à informação e o olhar mais atento de pais, educadores e profissionais de saúde permitem que sinais como dificuldades de interação social e comportamentos repetitivos sejam percebidos e encaminhados mais cedo.
Além disso, as atualizações nos manuais diagnósticos tornaram os critérios mais abrangentes, incluindo quadros que antes poderiam ser classificados de maneira diferente. O aumento de profissionais capacitados, associado à disseminação de conhecimento pela mídia e internet, facilita o acesso à avaliação e contribui para a detecção precoce, inclusive em adultos que passaram anos sem diagnóstico.
Para compreender melhor as três condições para o diagnóstico do autismo segundo o DSM-5-TR, assista ao vídeo a seguir, no qual o(a) especialista explica o assunto de forma clara e didática no canal responsável pelo conteúdo.
Quais as influências genéticas e ambientais no TEA?
Os estudos indicam que não há uma única causa para o TEA, mas sim uma combinação de fatores. A genética é um componente significativo, com evidências de que múltiplos genes podem estar envolvidos, o que explica por que famílias com um membro autista têm maior probabilidade de apresentar outros casos no espectro.
Condições pré-natais e perinatais, como complicações na gestação ou no parto, também são investigadas como possíveis fatores contribuintes. Esses elementos são considerados riscos moduladores, e não causas diretas, reforçando a ideia de que o TEA resulta de uma complexa interação entre fatores biológicos, ambientais e contextuais ao longo do desenvolvimento.

Quais os métodos de avaliação e critérios diagnósticos atuais?
Os métodos de avaliação do TEA avançaram substancialmente nos últimos anos, com instrumentos mais padronizados e equipes multiprofissionais. A sensibilização em torno do tema e a atualização dos critérios diagnósticos aumentam o número de pessoas avaliadas e formalmente diagnosticadas em diferentes faixas etárias.
Essas mudanças também reduzem o estigma, fazendo com que mais famílias busquem ajuda especializada. A combinação de exames clínicos, observação comportamental e entrevistas estruturadas demonstra a complexidade do diagnóstico em um espectro tão amplo de manifestações.
Quais os impactos do aumento dos diagnósticos nas políticas públicas?
O crescimento no número de diagnósticos de TEA tem repercussões diretas nos sistemas de saúde, educação e assistência social. A demanda por atendimentos especializados, terapias e apoio às famílias aumenta, exigindo planejamento cuidadoso e financiamento adequado por parte dos gestores de políticas públicas.
Nas escolas, cresce a necessidade de ajustes pedagógicos, recursos de acessibilidade e formação continuada de professores. Já na saúde, o foco deve incluir diagnóstico precoce, intervenções baseadas em evidências e organização de redes de cuidado que garantam continuidade do suporte ao longo da vida.
Existem demandas específicas em saúde, educação e assistência social?
À medida que mais pessoas recebem diagnóstico de TEA, surgem demandas específicas para qualificar o atendimento. É necessário articular serviços e garantir que a pessoa autista não seja atendida de forma fragmentada, mas sim em uma linha de cuidado contínua e integrada.
Entre as principais necessidades que se destacam nesse contexto, podem ser incluídas:
- Ampliação do acesso ao diagnóstico precoce e a equipes multiprofissionais.
- Oferta de terapias baseadas em evidências, com acompanhamento regular.
- Formação continuada de profissionais de educação, saúde e assistência social.
- Políticas de inclusão escolar e apoio à transição para a vida adulta e o trabalho.
Quais as adaptações necessárias da sociedade ao aumento dos diagnósticos?
Com a crescente conscientização sobre o TEA, a sociedade passa por um processo de adaptação para incluir plenamente pessoas autistas em ambientes educacionais, profissionais e comunitários. Isso envolve derrubar barreiras atitudinais, promover respeito à neurodiversidade e garantir suportes adequados nas diferentes fases da vida.
Para que pessoas no espectro desenvolvam seu pleno potencial, é essencial oferecer diagnósticos precisos, intervenções eficazes e oportunidades reais de participação social. Ambientes mais inclusivos, políticas consistentes e a escuta das próprias pessoas autistas são elementos centrais para uma sociedade mais justa e acessível.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










