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“O medo leva ao ódio e o ódio leva à violência”: a frase atribuída a Averróis que convida a pensar antes de julgar

Por Daniely Cardoso
14/10/2026
Em Curiosidades
A reflexão apresenta uma sequência de comportamentos humanos.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A reflexão apresenta uma sequência de comportamentos humanos. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A frase “A ignorância leva ao medo, o medo leva ao ódio e o ódio leva à violência. Essa é a equação”, frequentemente atribuída ao filósofo Averróis (Ibn Rushd), descreve como a falta de conhecimento pode alimentar conflitos. A reflexão chama atenção para os riscos de transformar aquilo que não compreendemos em motivo de ameaça, rejeição ou hostilidade.

O que significa a frase atribuída a Averróis sobre ignorância e violência?

A reflexão apresenta uma sequência de comportamentos humanos. Primeiro, a ignorância dificulta a compreensão de determinada situação ou pessoa; depois, o desconhecido pode provocar medo. Quando esse sentimento passa a ser associado à ideia de que alguém representa uma ameaça, abre-se espaço para a hostilidade.

O último estágio da frase é a violência, apresentada como uma possível consequência do ódio. Isso não significa que toda pessoa desinformada se tornará agressiva ou que o medo inevitavelmente produzirá violência. A expressão funciona como uma advertência sobre os riscos do preconceito, especialmente quando julgamentos são construídos sem informações suficientes.

O último estágio da frase é a violência, apresentada como uma possível consequência do ódio. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Leia também: A frase de Arthur Schopenhauer desafia uma das crenças mais comuns sobre a felicidade e o sentido da existência

Quem foi Averróis e por que ele defendia a importância da razão?

Muhammad ibn Ahmad ibn Rushd, conhecido no Ocidente como Averróis, nasceu em 1126, em Córdoba, na região de Al-Andalus, atualmente parte da Espanha. Foi filósofo, médico e jurista, tornando-se uma das principais referências do pensamento medieval. Seus estudos abordaram lógica, religião, medicina e a interpretação das obras de Aristóteles.

Segundo a Enciclopédia de Filosofia de Stanford, Averróis defendia que a investigação filosófica poderia alcançar conhecimentos demonstráveis e contribuir para a compreensão de questões religiosas. O pensador morreu em 1198 e deixou uma produção intelectual de grande influência. Seu compromisso com a investigação racional ajuda a explicar por que reflexões sobre conhecimento e ignorância são frequentemente associadas ao seu nome.

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A frase sobre ignorância, medo e ódio foi realmente escrita por Averróis?

Embora apareça em páginas de citações e publicações digitais, a autoria exata da frase não está confirmada por uma referência primária identificável. Não há indicação segura de uma obra, passagem em árabe ou manuscrito medieval em que Averróis tenha registrado essas palavras. Por isso, o mais adequado é apresentá-las como uma reflexão atribuída ao filósofo, e não como uma citação documentalmente comprovada.

A dúvida aparece inclusive em uma discussão registrada no Wikiquote, na página dedicada à autoria de citações de Averróis, que questiona a ausência de fonte original para essa formulação. A reflexão é compatível, em sentido amplo, com a valorização do conhecimento, mas essa semelhança não comprova sua autenticidade. Distinguir atribuição de comprovação histórica também é uma maneira de colocar o pensamento crítico em prática.

Como a falta de conhecimento pode alimentar medo e preconceito?

Quando uma pessoa desconhece determinada cultura, religião ou comportamento, pode interpretar diferenças como sinais de perigo. Essa reação não acontece automaticamente, mas pode ser reforçada por informações distorcidas, experiências isoladas e generalizações. O medo do desconhecido torna-se especialmente problemático quando substitui a observação dos fatos e impede o contato com perspectivas diferentes.

O preconceito pode surgir quando características atribuídas a alguns indivíduos passam a ser aplicadas a um grupo inteiro. Assim, alguém deixa de ser avaliado por suas próprias atitudes e passa a ser tratado com base em estereótipos. Uma forma de interromper esse processo é buscar informações verificáveis, questionar generalizações e reconhecer que conhecer uma pessoa exige mais do que aceitar uma impressão inicial.

Embora apareça em páginas de citações e publicações digitais, a autoria exata da frase não está confirmada por uma referência primária identificável. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Por que o medo pode se transformar em hostilidade?

O medo é uma reação humana que pode ajudar a identificar perigos reais. O problema surge quando uma ameaça é percebida sem evidências suficientes ou quando determinada pessoa passa a ser responsabilizada por todos os riscos imaginados. Nessa situação, a desconfiança persistente pode favorecer atitudes de exclusão, rejeição e agressividade.

O pensamento atribuído a Averróis chama atenção para essa possibilidade, mas não apresenta uma lei psicológica universal. A relação entre medo, ódio e violência depende de fatores individuais, sociais e culturais. A Internet Encyclopedia of Philosophy explica que o trabalho autêntico de Ibn Rushd valorizava a lógica e a argumentação. Essa perspectiva oferece uma alternativa à reação baseada apenas em emoções, pois incentiva a examinar razões antes de aceitar conclusões.

Como aplicar essa reflexão para evitar julgamentos precipitados?

Uma atitude prática é verificar a origem de informações que provocam medo ou indignação, principalmente quando envolvem acusações contra outras pessoas. Antes de compartilhar uma notícia, por exemplo, vale conferir quem publicou o conteúdo, quais evidências foram apresentadas e se existem fontes independentes. O conhecimento não elimina todas as divergências, mas pode impedir que suspeitas sejam tratadas como fatos.

Também ajuda ouvir perspectivas diferentes sem abandonar a capacidade de discordar. O objetivo não é aceitar qualquer comportamento, e sim distinguir riscos reais de preconceitos alimentados pela falta de informação. Essa postura transforma a frase em um exercício cotidiano de prudência, escuta e pensamento crítico.

Tags: comportamentoCulturafilosofiahistória
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