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Início Curiosidades

A frase de Schopenhauer sobre dinheiro que explica por que uma conquista pode fazer nascer outro desejo

Por Daniely Cardoso
09/10/2026
Em Curiosidades
Schopenhauer observa que, quando ocorre uma melhora de fortuna, nossas pretensões também tendem a crescer.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Schopenhauer observa que, quando ocorre uma melhora de fortuna, nossas pretensões também tendem a crescer. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A frase de Arthur Schopenhauer — “O dinheiro é como a água do mar: quanto mais se bebe, mais sede se tem. O mesmo vale para a fama” — aparece em Aforismos para a Sabedoria da Vida e resume sua crítica à expansão interminável dos desejos. Para o filósofo, certas conquistas oferecem satisfação apenas temporária porque, assim que são alcançadas, novas exigências ocupam seu lugar.

A comparação com a água do mar aparece realmente na obra

Em A Sabedoria da Vida, Schopenhauer compara diretamente a riqueza à água do mar: quanto mais alguém bebe, maior se torna a sede. Logo em seguida, ele acrescenta que o mesmo acontece com a fama, deixando claro que não se trata apenas de uma paráfrase moderna de seu pensamento.

O trecho pode ser consultado em uma edição do Project Gutenberg. A redação varia conforme a tradução, mas a imagem central permanece: riqueza e reconhecimento podem aumentar nossas expectativas em vez de produzir satisfação definitiva.

O prazer aparece durante o processo de expansão, mas enfraquece depois que o novo nível de conforto ou prestígio passa a ser considerado normal. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Leia também: “A consciência é um tribunal que o homem tem dentro de si”: a profunda reflexão de Kant sobre dever e responsabilidade

O problema começa quando uma conquista aumenta aquilo que esperamos

Schopenhauer observa que, quando ocorre uma melhora de fortuna, nossas pretensões também tendem a crescer. O prazer aparece durante o processo de expansão, mas enfraquece depois que o novo nível de conforto ou prestígio passa a ser considerado normal.

É por isso que o dinheiro pode funcionar como a água salgada de sua metáfora. Aquilo que inicialmente parecia suficiente logo se transforma em ponto de partida para novas comparações, novos desejos e novas necessidades, produzindo um ciclo em que a satisfação permanece sempre adiante.

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A fama entra no mesmo ciclo porque depende da opinião dos outros

Schopenhauer dedica parte importante da obra àquilo que chama de posição do indivíduo na estima dos demais. Nesse grupo aparecem reputação, honra e fama, elementos que dependem em grande medida de como outras pessoas nos enxergam.

Para ele, existe um problema em colocar a felicidade nesse terreno: a opinião alheia é instável e está fora de nosso controle direto. A pessoa que passa a precisar continuamente de reconhecimento pode descobrir que uma quantidade maior de aplausos não encerra a busca, apenas eleva o nível de aprovação considerado necessário.

A metáfora combina com sua filosofia do desejo insaciável

A ideia não aparece isoladamente em Schopenhauer. Sua filosofia descreve a vontade como um impulso incessante que nos leva a desejar continuamente alguma coisa. Quando uma necessidade é satisfeita, o alívio tende a ser temporário e logo surge outro objeto para o querer.

A Stanford Encyclopedia of Philosophy destaca justamente essa visão do mundo como vontade e busca interminável. Na vida cotidiana, segundo Schopenhauer, esse movimento contribui para uma existência marcada por frustração, tensão e novos desejos.

Seria exagerado interpretar a frase como uma condenação absoluta da riqueza. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Isso não significa que Schopenhauer considerasse o dinheiro inútil

Seria exagerado interpretar a frase como uma condenação absoluta da riqueza. Em A Sabedoria da Vida, Schopenhauer reconhece que possuir recursos pode funcionar como proteção contra dificuldades e imprevistos, oferecendo uma margem de independência diante de problemas concretos.

Sua crítica aparece quando o dinheiro deixa de ser um meio e passa a funcionar como medida permanente de realização. A diferença está entre possuir recursos suficientes para reduzir inseguranças e entrar numa busca em que nenhuma quantidade parece suficiente porque as expectativas crescem junto com o patrimônio.

A frase aponta para o risco de transformar desejo em uma corrida sem chegada

A Internet Encyclopedia of Philosophy resume o pessimismo de Schopenhauer mostrando que a satisfação de um desejo tende a ser passageira, enquanto o querer retorna. Essa estrutura ajuda a entender por que dinheiro e fama aparecem como exemplos tão eficazes de ambições difíceis de saciar.

Lida nesse contexto, a metáfora não afirma que consumir ou conquistar seja sempre inútil. Ela alerta para outra coisa: quando felicidade depende de acumular sempre mais riqueza, prestígio ou reconhecimento, cada conquista pode apenas deslocar novamente a linha de chegada. Para Schopenhauer, reduzir a força desse ciclo passa por limitar desejos em vez de alimentá-los indefinidamente.

Tags: Culturafilosofiahistórialiteratura
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