A Portaria nº 314/2025 do Inmetro entra em vigor em 1º de julho de 2026 e transforma a forma como capacetes de motocicleta são fabricados, vendidos e fiscalizados no Brasil. A nova regra exige que todos os capacetes comercializados no país carreguem um selo de conformidade digital com QR Code — rastreável por celular ou computador — em substituição ao selo físico impresso que existe hoje. A mudança afeta diretamente fabricantes, importadores, distribuidores, lojistas e os mais de 27 milhões de motociclistas cadastrados no país. Capacetes sem o novo selo tornam-se irregulares para venda a partir de julho. Para o consumidor, a novidade é positiva: pela primeira vez, qualquer pessoa poderá verificar na hora da compra se o capacete é original ou falsificado.
ATENÇÃO MOTOCICLISTAS: A partir de 1º de julho de 2026, capacetes sem QR Code não podem mais ser vendidos em nenhum ponto do Brasil — lojas físicas ou e-commerce. Se você comprar um capacete sem o novo selo após essa data, estará adquirindo um produto irregular, sem garantia de conformidade com as normas de segurança do Inmetro.
O que é a nova regra e de onde ela vem
A Portaria nº 314/2025 foi publicada pelo Inmetro — Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia — e integra a iniciativa Patrulha das Mãos, programa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) voltado para ampliar a segurança, transparência e combate à falsificação em produtos regulamentados.
O objetivo central é simples: acabar com o mercado de capacetes falsificados no Brasil. Hoje, um capacete falso com selo físico adulterado é praticamente indistinguível do original a olho nu — e pode custar a vida do motociclista em um acidente, já que não passou por nenhum teste de resistência. O QR Code rastreável muda isso: cada unidade produzida terá um código único vinculado ao banco de dados do Inmetro, verificável em segundos por qualquer consumidor antes de comprar.
Contexto — dimensão do problema O Brasil tem mais de 27 milhões de motocicletas registradas, segundo o Denatran. Motociclistas representam cerca de 29% de todas as mortes no trânsito brasileiro — e o uso de capacetes inadequados ou falsificados é apontado como fator agravante em parcela significativa desses óbitos, segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária.
Cronograma completo: datas que todo motociclista e lojista precisam saber
A implementação da nova regra segue um cronograma em duas fases principais. Veja o que muda em cada data:
| Data | O que muda | Quem é afetado |
| 21 de março de 2026 | Fabricantes e importadores só podem comercializar capacetes com o novo selo digital com QR Code | Indústria e importadores de capacetes |
| 21 de março de 2026 | Capacetes com o selo antigo (não digital) não podem mais ser fabricados ou importados | Fabricantes nacionais e importadores |
| 1º de julho de 2026 | Fornecedores e distribuidores só podem vender capacetes com o novo selo digital | Todo o comércio: lojas físicas, e-commerce, distribuidores |
| 1º de julho de 2026 | Capacetes sem QR Code tornam-se irregulares para venda — mesmo estoque antigo | Lojistas e consumidores |
| A partir de julho/2026 | Fiscalização ativa pelo Inmetro e órgãos parceiros em todo o território nacional | Motociclistas, lojistas e fabricantes |
Fonte: Portaria Inmetro nº 314/2025 e comunicado oficial do MDIC (2025).
Novo selo vs. selo antigo: o que muda na prática
A tabela abaixo compara o modelo atual de certificação com o novo sistema digital:
| Selo antigo (até jun/2026) | Novo selo digital (a partir de jul/2026) | Vantagem do novo modelo |
| Selo físico impresso na embalagem | QR Code rastreável digitalmente | Impossível falsificar sem que o sistema aponte irregularidade |
| Verificação apenas visual — fácil de falsificar | Verificação por celular ou computador em tempo real | Consumidor pode checar autenticidade na hora da compra |
| Sem rastreabilidade de lote ou fábrica | Dados do fabricante, lote e data vinculados ao QR | Facilita recall e fiscalização pós-venda |
| Custo zero adicional para o fabricante | Custo de até R$ 0,10 por produto | Impacto mínimo no preço final ao consumidor |
| Não integrado a banco de dados nacional | Integrado ao sistema do Inmetro e Patrulha das Mãos | Fiscalização mais eficiente em todo o território |
Como verificar se um capacete é original pelo QR Code
O processo de verificação pelo consumidor é direto. A partir de julho de 2026, ao comprar um capacete, você poderá apontar a câmera do celular para o QR Code presente no selo e acessar instantaneamente as informações do produto no sistema do Inmetro: fabricante, modelo, número do lote, data de fabricação e status de conformidade.
Se o QR Code não direcionar para o sistema do Inmetro, ou se as informações não corresponderem ao produto em mãos, o capacete é irregular — e você não deve comprá-lo.
O que verificar ao escanear o QR Code1. O link deve direcionar para o domínio oficial do Inmetro (inmetro.gov.br) ou sistema homologado. 2. O modelo e fabricante devem corresponder ao capacete físico. 3. O status deve indicar ‘Certificado’ ou ‘Em conformidade’. 4. Qualquer divergência indica produto falsificado ou irregular — não compre.
Para fabricantes e importadores: prazo é 21 de março de 2026
Quem produz ou importa capacetes no Brasil tem prazo menor: 21 de março de 2026 é a data limite para que toda a linha de produção e importação já esteja adaptada ao novo selo digital. Após essa data, não é mais permitido fabricar ou importar capacetes com o modelo antigo de certificação.
O custo de adequação foi calculado pelo Inmetro em até R$ 0,10 por produto — valor considerado irrisório pelo setor e que não deve impactar o preço final ao consumidor. Fabricantes que não se adequarem dentro do prazo estarão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 9.933/1999, que regula as atividades do Inmetro, incluindo multas e suspensão da autorização de comercialização.
Para lojistas e distribuidores: estoque antigo pode ser vendido até 1º de julho
Distribuidores e comércio em geral têm um prazo de transição mais generoso: o estoque de capacetes com o selo antigo pode ser vendido até 1º de julho de 2026. A partir dessa data, todo e qualquer capacete disponível para venda — inclusive estoque remanescente — precisa ter o novo selo digital.
A recomendação para lojistas é realizar o inventário do estoque atual com antecedência e planejar a transição para evitar produtos encalhados que não poderão mais ser comercializados após julho.
Impacto na segurança: por que essa mudança salva vidas
A fiscalização de capacetes no Brasil enfrenta um desafio estrutural: o mercado de falsificados é amplo, organizado e difícil de combater com os instrumentos atuais. Capacetes irregulares — que parecem certificados mas nunca foram testados — chegam a representar uma fatia relevante dos produtos vendidos em feiras, sites de e-commerce sem verificação e distribuidores de baixo custo.
O problema é que um capacete falsificado não protege o crânio em um impacto real. Os testes de certificação do Inmetro incluem ensaios de absorção de energia, resistência à penetração e eficácia do sistema de retenção — exatamente o que impede uma lesão fatal em acidentes a velocidades típicas de tráfego urbano. Um capacete que não passou por esses testes é, na prática, um acessório decorativo com alto risco de falha no momento mais crítico.
Com o QR Code rastreável, o consumidor ganha um instrumento de verificação que independe de conhecimento técnico — qualquer pessoa com um celular pode checar antes de comprar.
Perguntas frequentes — nova regra de capacetes 2026
Meu capacete atual fica irregular depois de julho de 2026?
Não. A nova regra afeta a venda de capacetes, não o uso. Se você já tem um capacete com o selo antigo do Inmetro e ele está dentro do prazo de validade da certificação, pode continuar usando normalmente. A irregularidade se aplica apenas à comercialização de novos produtos após julho de 2026.
Como saber se o capacete que vou comprar já tem o novo selo?
Procure o QR Code no selo de conformidade do produto. A partir de julho de 2026, todo capacete novo em ponto de venda deve ter o código. Se não tiver, o produto é irregular. Antes de julho, os dois modelos de selo coexistem legalmente no comércio.
Capacete comprado em outro país precisa ter o QR Code do Inmetro?
Sim. Todo capacete utilizado no Brasil precisa ter certificação do Inmetro, independentemente do país de origem. Capacetes importados para uso pessoal trazidos na bagagem não são fiscalizados ativamente, mas capacetes importados para revenda no Brasil precisam obrigatoriamente seguir a nova norma a partir de março de 2026.
Qual é a multa por usar ou vender capacete sem certificação?
Para o consumidor, o uso de capacete sem certificação pode resultar em infração de trânsito (artigo 54 do CTB), com multa de R$ 195,23 e retenção do veículo. Para lojistas e distribuidores que venderem produtos irregulares após julho de 2026, as sanções são aplicadas pelo Inmetro e pelo Procon, podendo incluir multas, apreensão do estoque e interdição do estabelecimento.
Onde posso consultar a lista de capacetes certificados pelo Inmetro?
No portal oficial do Inmetro (inmetro.gov.br), na seção de produtos certificados. A partir de julho de 2026, a consulta por QR Code passa a ser o canal principal — mas a lista completa por fabricante e modelo continuará disponível no portal.
Sobre este artigo
Informações baseadas na Portaria Inmetro nº 314/2025, comunicados oficiais do MDIC e reportagem do ND Mais (2025). A data de vigência e os prazos citados são os divulgados oficialmente pelo Inmetro. Para informações atualizadas, consulte inmetro.gov.br.






