Colar uma esponja de cozinha na sola do sapato virou um truque compartilhado em países que enfrentam invernos rigorosos. A ideia é diminuir o risco de escorregar no gelo usando a parte áspera da esponja, mas a solução improvisada tem limitações importantes.
Por que colocar uma esponja na sola do sapato?
O truque aparece em publicações sobre cuidados domésticos na Ucrânia, na Rússia e em países do norte da Europa. Segundo o portal húngaro Kertészkedj, o objetivo é aumentar o atrito entre o calçado e superfícies congeladas, especialmente quando a sola já está desgastada.
O segredo não está na parte macia e amarela da esponja, mas na camada verde e abrasiva normalmente utilizada para esfregar panelas. Essa superfície possui fibras sintéticas e partículas que podem oferecer alguma aderência em determinadas condições, funcionando como uma alternativa improvisada à lixa antiderrapante.
Como funciona o truque da esponja?
A técnica divulgada consiste em separar a camada áspera da esponja, cortar pequenos pedaços e fixá-los na região do calcanhar e na parte dianteira da sola. A intenção é criar pontos extras de contato com o chão, dificultando o deslizamento sobre superfícies congeladas.
Entretanto, as publicações não apresentam testes que comprovem a segurança desse método nem estabelecem qual cola seria adequada. A fixação pode falhar com umidade, frio e atrito constante. Por isso, a ideia não deve ser tratada como uma solução confiável para caminhar sobre gelo, principalmente em trajetos longos.
O truque funciona em qualquer tipo de gelo?
A camada abrasiva pode oferecer algum atrito adicional em neve endurecida ou gelo seco e irregular. Entretanto, quando a superfície está molhada ou começando a derreter, as fibras podem acumular água e resíduos. Nessas condições, a aderência pode diminuir rapidamente, comprometendo o resultado esperado.
Outro problema é a durabilidade. O contato com asfalto, sal utilizado nas ruas e superfícies ásperas pode desgastar o material e soltar a camada colada. Se isso acontecer durante uma caminhada, a pessoa poderá perder o apoio de maneira inesperada. Não existem evidências suficientes para recomendar essa adaptação como proteção contra quedas.

Estudos mostram que até botas de inverno podem escorregar
Pesquisadores do Toronto Rehabilitation Institute, no Canadá, desenvolveram testes para avaliar a aderência de calçados em superfícies congeladas. Os experimentos mostraram que nem todas as botas vendidas para o inverno oferecem proteção adequada, especialmente sobre gelo molhado. O resultado depende tanto do desenho quanto do material utilizado na sola.
Um estudo publicado em 2005 no Journal of the American Geriatrics Society também avaliou dispositivos antiderrapantes removíveis. A pesquisa acompanhou 109 idosos e encontrou uma redução nas quedas ao ar livre entre os participantes que receberam o equipamento. Os resultados reforçam a utilidade de acessórios projetados especificamente para melhorar a tração em condições de inverno.
Qual é a maneira mais segura de evitar escorregões?
Para caminhar em locais com neve ou gelo, a recomendação é utilizar calçados apropriados e, quando necessário, acessórios antiderrapantes que se encaixam na sola. O serviço público de saúde de Alberta, no Canadá, orienta escolher sapatos com boa aderência e retirar esses acessórios ao entrar em ambientes fechados, onde podem provocar escorregões.
Também é indicado caminhar devagar, dar passos curtos, manter as mãos livres e evitar trechos congelados sempre que possível. Embora a esponja de cozinha seja uma curiosidade que chama atenção pela simplicidade, ela não substitui equipamentos adequados. Em situações de gelo intenso ou chuva congelante, adiar o deslocamento pode ser a escolha mais segura.




