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Carol Dweck, psicóloga de Stanford, diz que elogiar uma criança por ser “inteligente” pode fazê-la evitar novos desafios

Por Patrick Silva
09/08/2026
Em Curiosidades
Carol Dweck, psicóloga de Stanford, diz que elogiar uma criança por ser “inteligente” pode fazê-la evitar novos desafios

Elogios recebidos na infância podem influenciar a forma de encarar erros, esforço e novos desafios depois.

Elogiar a capacidade intelectual de uma criança parece uma atitude positiva e encorajadora para o seu desenvolvimento escolar. No entanto, pesquisas revelam que associar o sucesso apenas à inteligência natural pode criar um medo profundo de cometer erros. Essa forma de incentivo ensina a criança a proteger seu rótulo, fazendo com que ela prefira evitar tarefas desafiadoras no futuro.

Como a forma de elogiar molda a percepção infantil

A maneira como os adultos reconhecem as conquistas infantis molda diretamente a visão que as crianças desenvolvem sobre si mesmas. Quando um jovem ouve frequentemente que é inteligente ao acertar um problema, ele passa a acreditar que a capacidade mental é uma qualidade fixa e imutável. Essa interpretação transforma cada teste em uma validação de seu próprio valor.

Consequentemente, a possibilidade de falhar passa a ser percebida como uma ameaça à própria identidade e reputação da criança. Diante de exercícios mais complexos, surge a hesitação por medo de revelar uma suposta falta de talento. Para manter a aprovação social e a imagem de sabedoria, o estudante prefere escolher atividades fáceis, nas quais a vitória é garantida.

Carol Dweck, psicóloga de Stanford, diz que elogiar uma criança por ser “inteligente” pode fazê-la evitar novos desafios
Elogios recebidos na infância podem influenciar a forma de encarar erros, esforço e novos desafios depois.

A diferença entre mentalidade fixa e de crescimento

A psicologia do desenvolvimento categoriza as atitudes do aprendizado entre a mentalidade fixa e a mentalidade de crescimento. Quem adota a estrutura fixa enxerga a inteligência como um traço estático, acreditando que o esforço contínuo demonstra falta de habilidade natural. Essa visão limita a disposição para superar obstáculos, tornando as quedas emocionais muito mais dolorosas para a criança.

O tipo de elogio recebido pode alterar a forma como a criança reage a desafios e frustrações. Em seis estudos conduzidos por Claudia Mueller e Carol Dweck, crianças elogiadas pela inteligência passaram a valorizar mais tarefas que preservavam a imagem de “ser inteligente”, mostraram menor persistência após dificuldades e pior desempenho depois de fracassos. Já aquelas elogiadas pelo esforço demonstraram maior orientação para aprendizagem e mais disposição para enfrentar desafios.

  • Pensamento do dia da psicóloga Carol Dweck: “Ainda não” pode ser mais poderoso do que “eu não consigo”
  • Cita Carol Dweck, psicóloga de Stanford: “as pessoas mais realizadas são as que nunca deixam de desenvolver a própria mentalidade”

Sinais de que a criança evita novos desafios

Identificar os impactos de um elogio inadequado exige observação atenta das atitudes cotidianas do jovem frente aos estudos. A resistência em tentar algo novo costuma surgir acompanhada por desculpas frequentes para desviar de exercícios complexos. Além disso, o medo da falha se manifesta por meio de reações emocionais desproporcionais e pelo abandono precoce de atividades bastante atrativas.

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Esses comportamentos defensivos sinalizam que a proteção do rótulo de inteligência se sobrepôs ao próprio prazer de aprender. Reconhecer essas atitudes na rotina doméstica ou escolar permite intervir com estratégias bem mais adequadas de incentivo. Acompanhe a seguir os principais sinais comportamentais que indicam quando uma criança está se esquivando de novos aprendizados por receio de errar:

  • Escolha constante por tarefas fáceis que não exigem esforço cognitivo elevado.
  • Desistência rápida diante dos primeiros obstáculos em jogos ou deveres escolares.
  • Demonstração de ansiedade excessiva antes de avaliações ou apresentações de trabalhos.
  • Recusa em praticar novas modalidades esportivas ou atividades artísticas desconhecidas.
  • Defesa de justificativas externas ao cometer erros em vez de analisar a falha.

O poder de elogiar o processo e o esforço

Para reverter os efeitos negativos do elogio focado em traços pessoais, é altamente essencial redirecionar a atenção para o processo diário de aprendizagem. Valorizar a dedicação, a escolha de estratégias inovadoras e a persistência ensina que o cérebro evolui com o treino. Essa abordagem fortalece a autonomia infantil, mostrando que o progresso depende do empenho bastante contínuo.

Quando o foco se desloca do resultado para a trajetória, a falha deixa de ser encarada como uma humilhação pessoal. O erro passa a ser visto como uma informação valiosa que indica a necessidade de ajustar abordagens. Essa mudança de perspectiva desenvolve crianças mais resilientes, capazes de enfrentar desafios acadêmicos e pessoais com paixão e curiosidade.

Carol Dweck, psicóloga de Stanford, diz que elogiar uma criança por ser “inteligente” pode fazê-la evitar novos desafios
Elogios recebidos na infância podem influenciar a forma de encarar erros, esforço e novos desafios depois.

Estratégias para incentivar a resiliência no aprendizado

Promover uma mentalidade aberta envolve transformar o ambiente em um espaço seguro, onde o erro é acolhido como parte natural da evolução. Pais e educadores podem utilizar frases que destaquem o caminho percorrido, como reconhecer o tempo dedicado ou a paciência em resolver um problema complexo. Essa linguagem construtiva ajuda a sedimentar a resiliência emocional infantil.

Em longo prazo, cultivar a dedicação em vez da genialidade desenvolve adultos mais preparados para lidar com as incertezas da vida adulta. As crianças aprendem que a verdadeira segurança não nasce da perfeição imediata, mas da capacidade de aprender com os equívocos. Fomentar esse olhar transforma a jornada escolar em um processo contínuo de desenvolvimento pessoal.

Tags: Carol Dweckcriançaselogio à inteligênciamentalidade de crescimento
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