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Início Curiosidades

O palácio neoclássico que esconde uma dolorosa tragédia real: um filho de Carlos III, sua esposa e o bebê do casal morreram ali em um intervalo de 21 dias

Por Daniely Cardoso
29/09/2026
Em Curiosidades
A Casita del Infante, também chamada de Casita de Arriba, foi construída entre 1771 e 1773 pelo arquiteto Juan de Villanueva.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A Casita del Infante, também chamada de Casita de Arriba, foi construída entre 1771 e 1773 pelo arquiteto Juan de Villanueva. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

A poucos quilômetros de Madri, a Casita del Infante, em San Lorenzo de El Escorial, reúne arquitetura neoclássica e um episódio dramático da família real espanhola. Em novembro de 1788, a varíola atingiu a família do infante Gabriel de Bourbon e provocou três mortes em apenas 21 dias.

O palacete foi criado para um filho de Carlos III

A Casita del Infante, também chamada de Casita de Arriba, foi construída entre 1771 e 1773 pelo arquiteto Juan de Villanueva. Segundo o Patrimonio Nacional, o edifício nasceu como uma casa de campo para Gabriel de Bourbon, filho do rei Carlos III da Espanha.

O projeto segue referências neoclássicas e possui uma planta central com quatro pórticos, além de jardins organizados em terraços. A inspiração nas villas de Andrea Palladio aparece na composição equilibrada, enquanto a posição elevada permite contemplar a fachada sul do monumental conjunto de El Escorial.

O projeto segue referências neoclássicas e possui uma planta central com quatro pórticos, além de jardins organizados em terraços. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

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Gabriel de Bourbon tinha forte ligação com música e artes

Gabriel nasceu em 1752 e recebeu uma educação extensa para os padrões da corte. O Museu do Prado descreve o infante como um príncipe humanista, interessado em latim, música, desenho, pintura, ciência e diferentes técnicas artísticas.

Essa relação com a música deixou marcas no próprio palacete. O grande salão central, com dois níveis de altura, provavelmente foi concebido para concertos de câmara, segundo o Patrimonio Nacional, transformando a residência de recreio também em um espaço ligado aos interesses pessoais do príncipe.

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Um casamento uniu as casas de Bourbon e Bragança

Em 1785, Gabriel se casou com Mariana Vitória de Bragança, filha da rainha Maria I e do rei Pedro III de Portugal. O casamento ocorreu primeiro por procuração, em Lisboa, e depois presencialmente em Aranjuez, aproximando ainda mais as famílias reais de Espanha e Portugal.

O casal teve três filhos: Pedro Carlos, nascido em 1786; Maria Carlota, em 1787; e Carlos José Antônio, em 28 de outubro de 1788. A segunda criança morreu poucos dias após nascer, enquanto Pedro Carlos seria o único dos três a chegar à idade adulta.

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A varíola provocou três mortes em apenas 21 dias

A sequência mais trágica começou depois do nascimento de Carlos José Antônio. Mariana Vitória contraiu varíola e morreu em San Lorenzo de El Escorial em 2 de novembro de 1788, aos 19 anos, conforme o registro do PARES, dos Arquivos Espanhóis.

O recém-nascido Carlos José Antônio morreu em 9 de novembro, com apenas 12 dias de vida. Gabriel também foi atingido pela doença e faleceu em 23 de novembro, aos 36 anos; portanto, entre a morte de Mariana e a de seu marido transcorreram exatamente 21 dias.

A perda também marcou os últimos dias de Carlos III

A morte de Gabriel teve impacto direto sobre Carlos III, que perdeu um de seus filhos mais próximos poucas semanas antes de sua própria morte. O rei espanhol faleceu em 14 de dezembro de 1788, encerrando um ano particularmente duro para a dinastia Bourbon.

Pedro Carlos, único filho sobrevivente de Gabriel e Mariana, tinha apenas dois anos quando ficou órfão. O arquivo histórico espanhol registra que ele posteriormente foi enviado à corte portuguesa, onde ficou sob os cuidados da família materna e manteve os títulos de infante ligados às duas monarquias.

A morte de Gabriel teve impacto direto sobre Carlos III, que perdeu um de seus filhos mais próximos poucas semanas antes de sua própria morte. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Casita del Infante não é a mesma Casita del Príncipe

Os nomes podem provocar confusão porque existem dois pequenos palácios reais associados a Juan de Villanueva na região de El Escorial. A Casita del Infante foi destinada a Gabriel de Bourbon, enquanto a Casita del Príncipe foi construída para o então príncipe Carlos, que mais tarde reinaria como Carlos IV.

A residência de Gabriel fica em San Lorenzo de El Escorial e também é conhecida como Casita de Arriba. Além do edifício, o conjunto conserva jardins de desenho histórico, com terraços, sebes e árvores de grande porte integradas à paisagem que circunda o famoso mosteiro.

O local ainda pode ser conhecido atualmente

A Casita del Infante integra o patrimônio administrado pelo Patrimonio Nacional. Horários, condições de acesso e disponibilidade de visitas podem mudar ao longo do ano, por isso a recomendação é consultar a programação oficial antes de organizar o deslocamento até San Lorenzo de El Escorial.

Quem visita o espaço encontra mais do que um pequeno palácio neoclássico do século XVIII. A arquitetura de Juan de Villanueva, os jardins e a história de Gabriel de Bourbon transformam a Casita del Infante em um testemunho preservado de uma família real atingida pela varíola em uma sequência de acontecimentos ocorrida há mais de dois séculos.

Tags: ArquiteturaCulturahistóriaturismo
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