Entre as diversas bebidas consumidas no dia a dia, os chás com potencial anti-inflamatório vêm ganhando destaque em 2026. A combinação de compostos naturais, como polifenóis, flavonoides, vitaminas e óleos essenciais, tem sido estudada por pesquisadores em vários países, já que inflamações crônicas estão associadas a doenças cardíacas, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e alterações de humor.
O que é chá anti-inflamatório e como ele age no organismo
O termo chá anti-inflamatório descreve infusões com folhas, flores, cascas ou raízes ricas em compostos que ajudam a reduzir ou modular a inflamação. Esses compostos incluem polifenóis, como o EGCG do chá verde, antocianinas do hibisco, gingeróis do gengibre e vitamina C de plantas como roseira-brava e funcho, que atuam neutralizando radicais livres e protegendo as células.
Em inflamações crônicas, o corpo passa a produzir marcadores como a proteína C reativa (PCR), interleucinas e TNF-α. Estudos indicam que alguns chás podem contribuir para a redução desses marcadores, principalmente com consumo regular e hábitos saudáveis, funcionando como uma estratégia complementar ao cuidado médico tradicional.
Quais tipos de chá anti-inflamatório se destacam hoje
Entre as opções mais estudadas, o chá verde costuma aparecer em primeiro plano, rico em EGCG, kaempferol, ácido clorogênico e quercetina. Pesquisas relacionam seu consumo à proteção contra doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer associados a processos inflamatórios prolongados, como a pesquisa “An Update on the Health Benefits of Green Tea”.
O chá de hibisco, de sabor ácido e cor vermelha intensa, concentra antocianinas, vitamina C e flavonoides com ação antioxidante. Já o chá de gengibre, preparado com a raiz fresca ou seca, contém gingeróis, shogaóis e zingerona, compostos que podem diminuir TNF-α e IL-6, além de auxiliar em desconfortos digestivos leves, como trouxe a pesquisa “Acute Effects of Hibiscus sabdariffa Calyces on Postprandial Blood Pressure, Vascular Function, Blood Lipids, Biomarkers of Insulin Resistance and Inflammation in Humans”.

Quais chás anti-inflamatórios ajudam o intestino e a digestão
Para pessoas com problemas digestivos, alguns chás anti-inflamatórios chamam atenção por atuarem na musculatura e na mucosa intestinal. O chá de hortelã-pimenta pode ajudar em quadros de irritação intestinal, enquanto o chá de camomila é usado tradicionalmente para desconfortos gastrointestinais leves e apoio ao relaxamento.
O chá de funcho, com sabor levemente adocicado, fornece vitamina C e quercetina, contribuindo para proteger as células do sistema digestivo contra inflamações e estresse oxidativo. Já o gengibre é frequentemente associado ao alívio de náuseas, azia leve e inflamações intestinais, integrando rotinas de cuidado com a saúde intestinal.
- Hortelã-pimenta: pode auxiliar em cólicas e irritação intestinal.
- Funcho: oferece antioxidantes, como vitamina C e quercetina.
- Gengibre: ajuda em náuseas, azia leve e inflamações intestinais.
- Camomila: tradicionalmente usada em desconfortos digestivos suaves.
Chá preto oolong e rooibos também são anti-inflamatórios
Além dos chás mais conhecidos, outras variedades também apresentam propriedades anti-inflamatórias relevantes. O chá preto fornece polissacarídeos específicos (TPS) e polifenóis como EGCG, teaflavinas e tearubiginas, sendo associado à proteção contra doença arterial coronariana e diabetes tipo 2 quando integrado a um estilo de vida equilibrado.
O chá oolong, intermediário entre o verde e o preto, concentra EGCG, teaflavinas e EGC, ajudando a proteger as células contra danos inflamatórios. Já o rooibos, infusão sul-africana naturalmente sem cafeína, mostrou em estudos com animais redução da atividade de proteínas pró-inflamatórias, motivando maior interesse científico após a pandemia de COVID-19, como o estudo ‘Health Functions and Related Molecular Mechanisms of Tea Components: An Update Review”.
Como preparar chá anti-inflamatório para aproveitar melhor os benefícios
O modo de preparo influencia diretamente a concentração de compostos ativos e o sabor da infusão. Em geral, recomenda-se ferver a água, desligar o fogo e então adicionar a planta, deixando em infusão por cerca de 2 a 5 minutos para chás delicados, como verde e branco, e de 5 a 10 minutos para raízes e cascas, como gengibre e canela, sempre evitando excesso de açúcar.
- Aquecer a água até próximo da fervura (cerca de 80–90 °C para chás verdes e 100 °C para raízes e flores secas).
- Adicionar folhas, flores, cascas ou raízes (em geral, 1 colher de chá por xícara).
- Tampar a xícara ou bule para evitar a perda de compostos voláteis.
- Aguardar o tempo de infusão recomendado para cada tipo de planta.
- Coar e consumir sem excesso de açúcar, para manter o perfil saudável.
Para ampliar o efeito anti-inflamatório, muitas pessoas combinam ingredientes como gengibre com limão, ou acrescentam canela e erva-cidreira verdadeira (Melissa officinalis). Estudos com extratos de melissa mostram atividade antioxidante e anti-inflamatória, o que pode complementar o efeito de outras ervas em chás voltados à imunidade, sono e equilíbrio emocional.
Para exemplificarmos, trouxemos o vídeo da nutricionista Édina Serafini, publicado em seu próprio perfil @edinaserafini_nutri que conta com mais de 155 mil seguidores, em que ela traz uma sugestão de combinação:
@edinaserafini_nutri Já salva para não esquecer e bora derreter a gordurinha 🔥 #emagrecer #dieta #receita ♬ som original – Édina Serafini
Em quais situações o chá anti-inflamatório pode ser um aliado diário
No contexto atual, o chá anti-inflamatório costuma ser incluído em rotinas que buscam controlar fatores de risco cardiovasculares, melhorar o metabolismo da glicose, apoiar a saúde intestinal e cuidar da saúde mental. Pesquisas com populações idosas indicam relação entre consumo de chá e menor frequência de sintomas depressivos, reforçando o papel da regulação da inflamação no cuidado integral.
Pessoas com doenças crônicas inflamatórias, como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal ou síndrome metabólica, frequentemente recebem orientações para ajustar alimentação, atividade física e sono. Dentro desse conjunto, o chá entra como opção de baixo custo e fácil preparo, devendo ser avaliado quanto a interações com medicamentos, especialmente em gestantes, lactantes e indivíduos em uso contínuo de anticoagulantes ou remédios para pressão arterial.






