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Início Cidades

Uma Cidade das Flores guarda um pedaço da Alemanha, marcas da imigração japonesa e uma ponte financiada por Dom Pedro II

Por Maura Pereira
31/10/2026
Em Cidades, Turismo
Localizada a apenas 55 km de Porto Alegre, a “Cidade das Flores” é detentora da maior coleção de casas enxaimel do Brasil.

Ivoti abriga o Núcleo de Casas Enxaimel da Feitoria Nova, um conjunto arquitetônico que transporta o visitante para o século XIX. / Imagem ilustrativa

Vigas de madeira unidas por encaixes, sem o uso de pregos, dividem a paisagem com torii vermelhos e jardins floridos. A 55 km de Porto Alegre, Ivoti, conhecida como Cidade das Flores, reúne em seus 63 km² duas importantes heranças culturais do Rio Grande do Sul, conectadas por uma ponte de pedra cuja construção recebeu recursos do próprio imperador do Brasil.

Como Buraco do Diabo se transformou em Cidade das Flores?

A ocupação começou em 1826, quando famílias originárias do Hunsrück, região do sudoeste da Alemanha, abriram caminhos nas margens do Arroio Feitoria. O primeiro povoado recebeu o nome de Teufelsloch, expressão que significa Buraco do Diabo, em referência às encostas íngremes que davam acesso ao vale. Mais tarde, os moradores adotaram a denominação Berghanschneiss, ou Picada dos Berghan, em homenagem ao sobrenome de uma das primeiras famílias estabelecidas na região.

A comunidade passou a se chamar Bom Jardim devido à presença abundante de flores nativas. Em 1938, recebeu o nome de Ivoti, palavra de origem tupi-guarani, yvoty, que significa flor. O município conquistou sua emancipação de São Leopoldo em 1964 e atualmente tem aproximadamente 22 mil habitantes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ivoti, RS, Cidade das Flores na Rota Romântica, com casas enxaimel e colônia japonesa. Descubra sua história! // Créditos: YouTube @DeforaemJuizdeFora

A ponte construída com 30 contos de réis de Dom Pedro II

No final do século XIX, os agricultores da região precisavam transportar sua produção até Porto Alegre. Para facilitar esse escoamento, foi construída, entre 1857 e 1864, a Ponte do Imperador, que recebeu esse nome em homenagem a Dom Pedro II, responsável por destinar 30 contos de réis para a obra.

Com 148 metros de extensão e largura variável entre 7,7 e 17,2 metros, a ponte apresenta estilo romano e três grandes arcos sob os quais passam as águas do Arroio Feitoria. Sua estrutura foi montada com pedras empilhadas e encaixadas sem argamassa, com aplicação de cimento somente nas três colunas submersas. Em 1986, recebeu o tombamento como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e permanece aberta à circulação de veículos e pedestres.

Onde fica o maior conjunto de casas enxaimel do Brasil?

Logo depois da Ponte do Imperador está o Núcleo de Casas Enxaimel, localizado no bairro Feitoria Nova. De acordo com levantamento do IPHAN mencionado pela Fundação Nacional Pró-Memória, o local abriga o maior agrupamento de construções desse tipo no Brasil e é considerado o assentamento mais original e autêntico da colonização alemã no estado.

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As edificações foram construídas por volta de 1828, seguindo a técnica Fachwerk, que utiliza vigas de madeira aparentes, geralmente de guajuvira e angico, unidas por encaixes e pregos de madeira conhecidos como tarugos. Os espaços entre as peças eram preenchidos com barro, palha ou tijolos. Sete imóveis passaram por restauração e compõem o conjunto tombado. Em 2021, Ivoti criou a Rota Enxaimel, formada por cinco percursos autoguiados de 5 km a quase 20 km, que atravessam picadas como Feijão, Nova Vila e Feitoria Nova. Os trajetos podem ser feitos a pé, de bicicleta ou de carro.

Como surgiu a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul?

Cerca de 140 anos depois da chegada dos alemães, uma nova comunidade de imigrantes se estabeleceu na região. A primeira família japonesa chegou a Ivoti em 1966 e se instalou no Vale das Palmeiras, área que se tornou a maior colônia nipônica do estado. Conforme a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, os imigrantes japoneses introduziram técnicas avançadas de cultivo de flores, contribuindo para consolidar o título de Cidade das Flores.

Atualmente, a comunidade preserva um memorial próprio, jardins orientais e a tradicional Feira das Flores, que recebe visitantes de diferentes municípios do Vale do Sinos. Cerimônias, matsuris e festas comunitárias também fazem parte do calendário local, criando uma combinação pouco comum com as construções de arquitetura Fachwerk que ficam nas proximidades.

Quais lugares visitar em Ivoti durante um fim de semana?

Dois dias são suficientes para conhecer os principais atrativos da cidade, que também funciona como parada estratégica na Rota Romântica, entre Porto Alegre e Gramado. A maioria dos pontos de interesse fica a distâncias curtas:

  • Núcleo de Casas Enxaimel: reúne sete construções restauradas do início do século XIX, algumas adaptadas para funcionar como restaurantes e cafés coloniais.
  • Ponte do Imperador: principal acesso ao núcleo histórico, é tombada pelo IPHAN e continua aberta ao trânsito local.
  • Colônia Japonesa do Vale das Palmeiras: reúne torii vermelhos, jardim contemplativo e a tradicional Feira das Flores.
  • Rota Enxaimel: oferece cinco percursos autoguiados por antigas picadas rurais, entre construções históricas e paisagens de vale.
  • Cascata São Miguel: queda d’água em uma área rural próxima ao centro, acessível por uma trilha curta.
  • Cafés coloniais e cachaçarias: oferecem mesas com cucas, doces caseiros, embutidos e bebidas produzidas em alambiques da região.
A cidade das flores pouco visitada na Serra Gaúcha que encanta com influência japonesa e alemã
Ivoti encanta com enxaimel alemão e flores vibrantes: viva a herança germânica que inspira kerb tradicional, paz interiorana e charme na Serra Gaúcha gaúcha! // Créditos: Wikipédia

Leia também: A “Cidade Sorriso” está entre as 30 mais felizes do Brasil, lidera em saneamento e atrai quem busca qualidade de vida.

Como é o clima de Ivoti durante o ano?

A cidade tem clima subtropical úmido, com quatro estações bem definidas e chuvas distribuídas ao longo do ano. A tabela resume o que esperar em cada período:

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 19-30°C
Chuva: ⛈️ Alta
Os dias mais quentes da estação são ideais para se refrescar junto às águas da Cascata São Miguel.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 14-25°C
Chuva: ⛈️ Alta
A chegada do clima ameno proporciona o cenário perfeito para caminhar e fotografar o histórico Núcleo Enxaimel.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 8-19°C
Chuva: ⛈️ Alta
O frio característico da região convida os viajantes a se aquecerem saboreando os fartos cafés coloniais.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 13-25°C
Chuva: ⛈️ Alta
A estação preenche a paisagem de cores, tornando imperdível a visita à Colônia Japonesa e Feira das Flores.
💡 Dica do especialista: O verão é o período ideal para aproveitar a natureza na Cascata São Miguel. O outono agrada com temperaturas confortáveis para percorrer o Núcleo Enxaimel. O inverno destaca-se como a temporada nobre para desfrutar da gastronomia dos cafés coloniais, enquanto a primavera reserva as paisagens mais vibrantes na Colônia Japonesa e Feira das Flores.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

O encontro de duas culturas em uma só cidade

Poucos municípios da região de colonização alemã no Sul têm uma combinação cultural como Ivoti. Em apenas 63 km², a cidade reúne o maior conjunto de casas enxaimel do Brasil, uma ponte construída com apoio imperial que continua em funcionamento e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul. Um patrimônio que, em outros destinos, exigiria percorrer distâncias muito maiores para conhecer.

Vale atravessar a Ponte do Imperador em uma tarde de outono e caminhar entre as construções Fachwerk para perceber como Ivoti se tornou um dos destinos mais interessantes e ainda pouco conhecidos da Rota Romântica.

Tags: ivotiRio Grande do Sul
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