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Início Curiosidades

Cientistas encontram organismos adaptados à pressão extrema da Fossa das Marianas

Por Maria Beatriz Bezerra
17/07/2026
Em Curiosidades
Cientistas encontram organismos adaptados à pressão extrema da Fossa das Marianas

Cientistas encontram organismos adaptados à pressão extrema da Fossa das Marianas

A quase 11 quilômetros abaixo da superfície do oceano, existe um lugar que desafia tudo o que imaginamos sobre a vida na Terra. A Fossa das Marianas permanece mergulhada em escuridão absoluta, submetida a uma pressão esmagadora e temperaturas próximas do congelamento. Ainda assim, esse ambiente extremo abriga uma diversidade surpreendente de organismos que continuam intrigando cientistas e ampliando os limites conhecidos da biologia.

O que torna a Fossa das Marianas um dos ambientes mais extremos do planeta?

Localizada no oeste do Oceano Pacífico, a Fossa das Marianas abriga o Challenger Deep, o ponto mais profundo já identificado nos oceanos. Se o Monte Everest fosse colocado em seu interior, seu pico permaneceria submerso por mais de dois quilômetros.

Poucos lugares na Terra parecem tão incompatíveis com a existência de vida. A pressão nessa região supera mil vezes a encontrada ao nível do mar, criando condições capazes de esmagar equipamentos convencionais e dificultar enormemente qualquer tipo de exploração científica.

fossa das Marianas
Os extremos de vida encontrados na Fossa das Marianas, o ponto mais profundo dos oceanos, e as adaptações extraordinárias

Quais evidências demonstram que esse abismo está repleto de organismos vivos?

Durante décadas, acreditou-se que as grandes profundidades oceânicas eram praticamente desertas. Entretanto, expedições recentes revelaram a presença de microrganismos, crustáceos, pepinos-do-mar e outras espécies adaptadas a sobreviver em um ambiente permanentemente escuro.

Pesquisas da Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology (JAMSTEC) identificaram comunidades microbianas exclusivas nas águas da Fossa das Marianas, distintas das encontradas em outras regiões profundas do oceano. Os resultados sugerem a existência de uma biosfera própria, desenvolvida sob condições extremas ao longo de milhões de anos.

Veja a seguir um vídeo do YouTube do canal Pura Ciência, que apresenta cinco criaturas extraordinárias encontradas nas profundezas abissais e demonstra como suas adaptações biológicas desafiam as leis da física e da biologia convencionais:

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De que maneira esses seres sobrevivem sem a presença constante de luz?

Ao contrário dos ecossistemas superficiais, a base da cadeia alimentar nas profundezas não depende da fotossíntese. Em vez disso, muitos organismos utilizam matéria orgânica que desce lentamente das camadas superiores ou obtêm energia por meio de processos químicos associados ao fundo oceânico.

Além disso, estudos demonstram que a atividade microbiana no Challenger Deep é surpreendentemente elevada. Mesmo no ponto mais profundo dos oceanos, a vida encontrou maneiras de persistir e se adaptar às condições mais extremas imagináveis.

Quais adaptações permitem que a vida prospere nesse ambiente hostil?

Os organismos das profundezas desenvolveram características extraordinárias para lidar com a ausência de luz e com a pressão extrema. Muitas dessas adaptações continuam sendo objeto de estudo entre biólogos marinhos.

Listamos abaixo as adaptações extraordinárias:

01
Estruturas celulares resistentes à alta pressão.
02
Metabolismo baseado em compostos químicos, não em luz solar.
03
Crescimento extremamente lento.
04
Capacidade de sobreviver com poucos nutrientes.
05
Comunidades microbianas exclusivas das regiões hadais.

Quais lições a Fossa das Marianas oferece para a ciência moderna?

Cada nova expedição às profundezas amplia o entendimento sobre os limites da vida e levanta questões importantes sobre a possibilidade de organismos existirem em outros mundos, como Europa e Encélado, luas geladas do Sistema Solar.

A Fossa das Marianas permanece como um dos maiores mistérios naturais da Terra. Ao investigar esse abismo, os cientistas não estudam apenas criaturas extraordinárias, mas também exploram pistas sobre a origem da vida e seu potencial de existir em ambientes muito além do nosso planeta.

Tags: Challenger DeepJAMSTECoceano profundoorganismos extremosvida nas profundezas
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