Priscila trocou de operadora para economizar na mensalidade e pediu a portabilidade para continuar utilizando o mesmo número. Semanas depois, descobriu que algumas pessoas que tentavam ligar para ela acabavam falando com uma terceira pessoa em outra linha. O nome e o cenário são fictícios. A situação ilustra o transtorno causado quando uma migração aparentemente concluída não garante o encaminhamento correto de todas as chamadas.
Por que Priscila demorou a perceber que algumas ligações não estavam chegando?
Depois da mudança, Priscila conseguia utilizar internet, fazer chamadas e receber mensagens normalmente. Como o número exibido em seu aparelho permanecia o mesmo, acreditou que a portabilidade havia terminado sem problemas. Não existia um sinal evidente de que parte das chamadas seguia outro caminho.
A suspeita apareceu quando familiares afirmaram que haviam telefonado diversas vezes e uma pessoa desconhecida atendera. Depois, um contato profissional relatou situação semelhante. A falha parecia acontecer somente em determinadas chamadas, o que tornou o problema mais difícil de identificar imediatamente.

O que mudou quando uma ligação importante chegou à pessoa errada?
O problema ganhou outra dimensão quando um contato relacionado ao trabalho tentou falar com Priscila e acabou conversando com outra pessoa. A ligação continha informações que deveriam ter chegado à verdadeira titular do número. A partir desse momento, a falha deixou de representar apenas dificuldade de comunicação.
Priscila começou a testar o número a partir de telefones de diferentes pessoas e percebeu que algumas chamadas chegavam normalmente, enquanto outras eram encaminhadas de maneira incorreta. Esse comportamento indicava a necessidade de investigação técnica pelas operadoras envolvidas, e não simplesmente uma troca de aparelho ou chip.

Quem deve garantir que as chamadas cheguem ao número correto depois da portabilidade?
O artigo 62 do Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações, aprovado pela Resolução Anatel nº 777/2025 determina que as prestadoras assegurem aos usuários a portabilidade. Já os artigos 74, 75 e 76 do mesmo regulamento tratam da troca de informações e das bases utilizadas para o encaminhamento correto das chamadas e mensagens.
Além disso, o artigo 3º da Lei Geral de Telecomunicações assegura ao usuário serviços com padrões adequados de qualidade e regularidade, além de resposta às reclamações e reparação quando houver violação de seus direitos. Uma portabilidade concluída deve permitir que o número funcione adequadamente na nova rede.
O que Priscila precisa registrar antes de reclamar que as chamadas estão indo para outra pessoa?
O artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor prevê alternativas quando um serviço apresenta problema de qualidade ou não atende adequadamente à finalidade esperada. Antes de discutir eventual prejuízo, porém, é importante demonstrar que o erro realmente ocorre e em quais condições.
Alguns registros ajudam a operadora a identificar se o problema está relacionado ao encaminhamento das chamadas depois da portabilidade:
- Números de origem: registrar quais telefones fizeram chamadas que chegaram à pessoa errada.
- Horários: anotar data e hora exata de cada tentativa problemática.
- Operadoras: identificar, quando possível, de quais redes partiram as chamadas incorretas.
- Protocolos: guardar todos os números de atendimento fornecidos pelas empresas envolvidas.
- Prejuízos: documentar compromissos ou contatos relevantes perdidos em razão da falha.
O que muda quando comparamos a situação de Priscila com uma portabilidade funcionando corretamente?
A diferença não está apenas em manter o número exibido no aparelho. A portabilidade precisa permitir que chamadas e mensagens destinadas àquele número sejam efetivamente encaminhadas para a rede onde o usuário está registrado. Se parte das ligações continua alcançando terceiro, existe uma inconsistência que precisa ser corrigida.
A comparação entre a situação de Priscila e uma migração regular fica clara na tabela:
| Etapa | O que ocorreu com Priscila | O que o caminho adequado pede |
|---|---|---|
| Contratação Novo plano | Cliente mudou para operadora mais barata | Registrar corretamente o pedido de portabilidade |
| Número Manutenção | Mesmo número permaneceu no novo chip | Atualizar corretamente as bases de encaminhamento |
| Chamadas Destino | Algumas ligações chegaram a terceiro | Encaminhar chamadas para a rede correta |
| Reclamação Diagnóstico | Problema apareceu somente semanas depois | Usar horários e números de origem para investigar |
| Correção Serviço | Cliente precisava recuperar funcionamento normal | Regularizar roteamento e preservar protocolos |
O que se aprende com a situação vivida por Priscila?
A situação de Priscila mostra que manter o mesmo número no novo aparelho não significa necessariamente que toda a estrutura de portabilidade esteja funcionando corretamente. Se determinadas chamadas continuam sendo entregues a outra pessoa, a falha precisa ser investigada pelas prestadoras envolvidas, principalmente quando o problema se repete.
Quem enfrenta uma situação semelhante precisa seguir esse roteiro: testar o número a partir de linhas diferentes, registrar horários e operadoras de origem, abrir reclamações formais e guardar cada protocolo. Se contatos importantes forem perdidos, esses registros também ajudam a demonstrar o alcance concreto da falha e eventual prejuízo decorrente do serviço defeituoso.
Nota de transparência: o nome e o cenário são fictícios. A situação foi criada para explicar, de forma educativa, quais direitos podem ser analisados quando chamadas são encaminhadas incorretamente depois de uma portabilidade numérica. Em um caso real, eventual obrigação de correção, restituição ou indenização dependerá da origem técnica da falha, das prestadoras envolvidas, dos protocolos registrados, da duração do problema e dos prejuízos efetivamente demonstrados.




