Nem toda cidade colonizada por italianos guarda tantos vinhedos por habitante quanto tem gente morando ali. No alto de uma colina da Serra Gaúcha, Monte Belo do Sul tem cerca de 2.700 moradores, quase todos descendentes de imigrantes que chegaram em 1877, e uma área de parreirais que ocupa mais de 2.200 hectares. O município integra o Vale dos Vinhedos, guarda uma igreja matriz em estilo europeu e conserva o dialeto italiano no comércio e nas casas de campo.
Como Monte Belo do Sul virou capital da uva per capita?
A colonização começou em 1877, quando 416 famílias italianas provenientes de Udine, Mantova, Cremona, Veneza, Vicenza, Treviso, Bérgamo, Modena e Beluno se estabeleceram na região. A escolha do local pelo clima temperado e pelas colinas de altitude favoreceu o plantio da videira, e o cultivo passou a ser o principal meio de vida das gerações seguintes. O município se emancipou de Bento Gonçalves apenas em 1992, mas a tradição vitivinícola já era mais que centenária.
Segundo o portal oficial da Serra Gaúcha, Monte Belo do Sul é considerado o maior produtor de uvas per capita da América Latina, com 2.270 hectares de parreirais, e o maior produtor de uvas brancas do Rio Grande do Sul, cultivadas especialmente para elaboração de espumantes. O município detém o selo de Indicação de Procedência (IP) para suas uvas e integra a Denominação de Origem (DO) do Vale dos Vinhedos, único selo do tipo no país.

O que faz do Vale dos Vinhedos um destino diferente?
O Vale dos Vinhedos reúne três municípios da região da Uva e do Vinho: Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Foi a primeira região brasileira a obter Indicação Geográfica, concedida pelo Aprovale, associação que reúne vinicultores e empreendimentos ligados à cultura do vinho. Os rótulos com Denominação de Origem representam a excelência do terroir e são os únicos no Brasil com esse selo.
Em 2018, Monte Belo do Sul criou o slogan turístico Vieni Vivere la Vita, ou “venha viver a vida” em português. Desde então, o número de empreendimentos turísticos passou de cerca de 40, incluindo pousadas, vinícolas familiares, restaurantes e mirantes. A cidade se firmou como referência nacional em vinhos naturais, com vinícolas que trabalham em biodinâmica e fermentação espontânea.
Quais atrações não podem ficar de fora do roteiro?
As atrações se distribuem entre o centro urbano, as linhas rurais e as estradas que cortam os vinhedos. A referência principal é a praça central, onde ficam a igreja matriz e o mirante panorâmico com vista dos parreirais.
- Igreja Matriz São Francisco Xavier: inspirada na arquitetura medieval europeia, se destaca em meio aos vinhedos e é o principal cartão-postal da cidade.
- Mirante Monte Belo: fica na praça central e oferece vista panorâmica dos vinhedos que descem até o vale, com o Rio das Antas ao fundo.
- Mirante Dal Castel: localizado na comunidade de Linha Alcântara Alta, permite contemplar o Rio das Antas, a ponte entre Cotiporã e Bento Gonçalves, além dos parreirais. Acesso gratuito.
- Vinícolas familiares: casas centenárias que abrem para degustações, incluindo Calza, Faccin, Somacal, ValleBello e outras produtoras de espumantes.
- Piazza Schiavon: complexo com restaurante de gastronomia italiana, degustações de vinhos e vista para os vinhedos, a 1,6 km do centro.
- Tanoaria Mezacasa: ofício em extinção no Brasil, mantém a produção artesanal de barris de carvalho para vinícolas do país e do exterior.
O que comer em Monte Belo do Sul?
A cozinha local reproduz o que os primeiros imigrantes trouxeram no fim do século XIX, com pratos que passaram de geração em geração e ainda são servidos em porções generosas nas cantinas familiares.
- Polenta com molho de galinha: prato bandeira da culinária ítalo-gaúcha, servido em rodízio nas cantinas tradicionais.
- Sopa de capeleti: massa recheada servida em caldo de galinha, receita clássica das famílias italianas do Vale.
- Vinhos e espumantes de método tradicional: rótulos das vinícolas familiares locais, incluindo brancos e espumantes com o selo do Vale dos Vinhedos.
- Queijos e embutidos coloniais: produção artesanal vendida direto nas propriedades rurais e mercados da região.

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Como é o clima de Monte Belo do Sul ao longo do ano?
O município fica em altitude na Serra Gaúcha e tem clima subtropical úmido, com quatro estações bem definidas. Os invernos são frios, com mínimas que podem chegar a temperaturas de um dígito, e os verões amenos são o período das colheitas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Monte Belo do Sul?
A cidade fica a 134 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-386 e rodovias estaduais que atravessam a Serra Gaúcha. De Bento Gonçalves, a viagem é de apenas 17 km, e de Caxias do Sul são 55 km. O aeroporto mais próximo é o Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul, seguido do Aeroporto Internacional Salgado Filho, na capital gaúcha. A maioria dos visitantes chega de carro, o que também facilita o percurso entre vinícolas espalhadas pelo território.
A cidade dos vinhedos que superam a população
Monte Belo do Sul é o tipo de destino que vira ponto fora da curva no interior brasileiro: um município menor que muitos bairros de capital, mas responsável por parte significativa do vinho fino produzido no país. As colinas plantadas de uva, as vinícolas familiares que ainda funcionam com sobrenomes italianos e a igreja de arquitetura europeia se somam em uma paisagem que parece transportada da Emília-Romanha para o sul do Brasil.
Você precisa subir a colina, parar no mirante da praça com uma taça de espumante local e sentir por que 416 famílias italianas escolheram ficar no alto dessa serra em 1877.




