Muitas praias brasileiras vendem água cristalina, mas poucas têm lei e certificado para provar o que prometem. Em Bombinhas, no litoral norte de Santa Catarina, cinco praias ostentam a Bandeira Azul, e a vizinhança com a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo transformou a península na capital catarinense do mergulho ecológico.
Por que Bombinhas é a capital catarinense do mergulho?
O título é oficial desde 2017, quando a Lei Estadual nº 17.128 reconheceu Bombinhas como capital catarinense do mergulho ecológico, conforme estudo do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). A península recortada por costões rochosos cria enseadas abrigadas, onde a água calma favorece a observação da vida marinha.
A modalidade mais praticada é o mergulho de superfície, feito com máscara e snorkel, sem cilindro. O mesmo estudo do IFSC mostra que essa atividade acontece em grande volume na Praia da Sepultura, quase sempre sem orientação, e aponta as trilhas subaquáticas guiadas como alternativa para reduzir o impacto sobre os costões.

O que protege a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo?
A reserva protege uma amostra dos ecossistemas costeiros ao norte da Ilha de Santa Catarina, com ilhas, águas e plataforma continental. Criada pelo Decreto nº 99.142, de 12 de março de 1990, ela soma 17.600 hectares e reúne as ilhas do Arvoredo, Galé e Deserta, além do Calhau de São Pedro, segundo apresentação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ao Senado.
A área equivale a cerca de 24 mil campos de futebol de mar e ilhas sob proteção integral, categoria que não permite visitação turística. As ilhas eram destino tradicional de mergulho desde a década de 1980, e por isso tramita no Congresso o Projeto de Lei nº 2.215/2022, que propõe transformar a reserva em Parque Nacional Marinho do Arvoredo, o que permitiria atividades como o mergulho turístico.
Quais praias de Bombinhas têm Bandeira Azul?
Na temporada 2026/2027, cinco praias do município receberam a certificação internacional concedida pela Foundation for Environmental Education (FEE), que avalia qualidade da água, segurança, infraestrutura e educação ambiental.
Por que Bombinhas cobra uma taxa de quem visita a cidade?
A cobrança existe para financiar a preservação de um território pequeno que recebe grande fluxo de visitantes. A Taxa de Preservação Ambiental (TPA) foi criada em 2014 e enfrentou anos de contestações judiciais até que, em março de 2026, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a cobrança por unanimidade.
O argumento do município é a pressão sobre uma península com cerca de dois terços do território coberto por áreas verdes e três unidades de conservação municipais. Para o visitante, vale consultar as regras e os valores atualizados no site da Prefeitura antes da viagem.
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Qual a melhor época para visitar Bombinhas?
O verão é quente e mais chuvoso, com janeiro somando 199 mm. No inverno, a chuva cai para menos da metade e as mínimas ficam perto de 14°C em julho e agosto, com o mar mais frio para quem pretende entrar na água.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Bombinhas?
A cidade fica a cerca de 70 km de Florianópolis. O acesso é feito pela BR-101 até Porto Belo e depois pela SC-412, que atravessa a península até o centro de Bombinhas, município que se separou de Porto Belo em 1992.
Por ser uma península, a entrada por terra passa obrigatoriamente pelo município vizinho. Quem chega de avião pode desembarcar em Florianópolis ou em Navegantes e seguir pela rodovia.
A península que aprendeu a cuidar do próprio mar
Bombinhas reúne um título estadual de mergulho, uma reserva marinha protegida há mais de três décadas e praias que renovam ano a ano o compromisso com a qualidade da água. Poucos destinos do litoral brasileiro tratam o próprio mar com tanto cuidado.
Você precisa conhecer Bombinhas e colocar a máscara de mergulho para ver de perto o que a península protege.




