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Início Cidades

Com 50 cavernas, a “Princesa do Norte” de Minas Gerais encanta com vida tranquila no interior e gastronomia com sabor único

Por Maura Pereira
08/07/2026
Em Cidades, Turismo
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No encontro entre o cerrado e a caatinga, Montes Claros revela uma face que vai muito além do calor típico do norte de Minas Gerais. A Princesa do Norte reúne cavernas com rios subterrâneos, manifestações culturais centenárias e uma gastronomia marcada pelo sabor único do pequi, enquanto funciona como o principal polo econômico e regional de uma das áreas mais extensas do estado.

Como os sete morros deram origem ao nome Montes Claros

A ocupação da região começou no século XVII, quando bandeirantes paulistas avançaram pelo interior em busca de riquezas minerais. O primeiro povoado recebeu o nome de Arraial de Formigas, mas a paisagem local mudou essa história: os sete morros de formação calcária que cercavam a região, com aparência clara e marcante, inspiraram o novo nome da futura cidade.

Em 1831, o povoado foi elevado à condição de vila e, em 1857, recebeu o título de cidade, segundo registros da Prefeitura de Montes Claros. Com o passar das décadas, o município cresceu como ligação estratégica entre o Sudeste e o Nordeste, tornando-se referência em comércio, saúde e educação. Hoje, com mais de 414 mil habitantes segundo o IBGE, Montes Claros ocupa o posto de maior centro urbano do norte mineiro e mantém viva uma identidade formada por cultura sertaneja, conhecimento e tradição.

A “Princesa do Norte” de Minas Gerais combina mais de 50 cavernas à vida tranquila cheia de aventuras no interior
Montes Claros, no norte de Minas Gerais, é um importante polo econômico, cultural e educacional da região. // Reprodução: Wikimedia Commons

O mundo subterrâneo que existe a poucos minutos do centro

A natureza de Montes Claros guarda um cenário que parece distante, mas está praticamente dentro da área urbana. O Parque Estadual da Lapa Grande, administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), protege 15.360 hectares de cerrado e caatinga, reunindo mais de 50 cavidades naturais catalogadas. A principal gruta possui 2,2 km de extensão, com formações de estalactites, estalagmites e um rio subterrâneo habitado por bagres despigmentados. Além do valor ambiental, esse sistema tem importância prática: o rio da Lapa Grande responde por cerca de 30% do abastecimento de água do município.

O parque oferece diferentes caminhos para explorar a paisagem, como a Trilha da Lapa Grande, que leva cerca de 40 minutos até a caverna principal, a Trilha do Boqueirão da Nascente, que acompanha a mata ciliar até a ressurgência do rio, a Trilha da Lapa Pintada, com registros de pinturas rupestres, e a Trilha da Ponte de Pedra, entre formações rochosas do cerrado. A unidade funciona de terça a domingo, das 8h às 16h. Para quem deseja ampliar o roteiro, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, com pinturas rupestres de até 14 mil anos e a famosa Gruta do Janelão, fica a 218 km e tem Montes Claros como uma das principais portas de entrada.

O vídeo é do canal Cidades do Interior, referência com mais de 60 mil inscritos, e detalha o Parque Estadual da Lapa Grande, o Mercado Municipal e o crescimento do polo farmacêutico na região:

A festa que mantém três culturas marchando juntas

Há mais de 180 anos, as ruas centrais de Montes Claros recebem um dos maiores símbolos da cultura popular do norte de Minas Gerais. Durante as Festas de Agosto, grupos de catopês, marujos e caboclinhos saem em cortejo para homenagear Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo, mantendo viva uma tradição de fé, música e identidade regional.

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Os catopês representam a herança africana, os marujos recriam a figura dos navegadores europeus e os caboclinhos fazem referência aos povos indígenas. Ao menos seis ternos participam das celebrações, reunindo cerca de 300 integrantes. Além dos rituais religiosos, o Festival Folclórico amplia a programação com apresentações musicais, rodas de conversa, mostra de cinema e feira de artesanato na Praça da Matriz, transformando a cidade em um grande palco de memória e cultura.

A cidade mineira com educação excelente que conquista famílias que buscam uma vida boa no interior
Montes Claros cresce com o equilíbrio perfeito entre tradição mineira e espírito de inovação. // Créditos: YouTube @filmdrones5427

Centro histórico e mais atrações a pé

O roteiro urbano se resolve em poucas horas de caminhada pelo centro.

  • Mercado Municipal Christo Raeff: cachaças artesanais, requeijão, carne de sol, doces caseiros e tudo que envolve pequi. Restaurantes internos servem arroz com pequi e feijão tropeiro.
  • Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: na Praça Dr. Chaves, marca a origem de Montes Claros. Referência do barroco na região.
  • Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida: estilo neogótico, 65 metros de altura, inaugurada em 1950.
  • Parque Municipal Milton Prates: área verde com lagoa, pedalinhos e zoológico. Ponto de encontro de famílias aos domingos.
  • Parque Sapucaia: 302 mil m² na Serra do Ibituruna, com mirante panorâmico, rampa de asa delta e trilhas.

Leia também: A ilha portuguesa eleita 11 vezes seguida a melhor do mundo guarda uma floresta de 20 milhões de anos.

Pequi, carne de sol e a mesa do sertão mineiro

Montes Claros é reconhecida como a Capital Nacional do Pequi. O fruto do cerrado, de aroma forte e sabor inconfundível, domina a culinária local e ganha festival próprio em dezembro.

  • Arroz com pequi: prato-símbolo da cidade, servido em praticamente todos os restaurantes do Mercado Municipal.
  • Carne de sol com mandioca: combinação clássica do sertão, encontrada nas barracas e restaurantes do centro.
  • Feijão tropeiro e torresmo: herança tropeira que permanece firme na mesa de almoço dos montes-clarenses.
  • Cachaça artesanal e licores de frutas do cerrado: vendidos no Mercado e na Feirinha de Artesanato aos domingos na Praça da Matriz.
A "Princesa do Norte" em Minas Gerais atraí moradores com oportunidades excelentes e vida boa no interior
Montes Claros vem se consolidando como centro regional de desenvolvimento e oportunidades no interior mineiro. // Créditos: YouTube @filmdrones5427

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O clima tropical semiúmido traz verões quentes e chuvosos e invernos secos com noites agradáveis. A melhor época para visitar as cavernas e curtir as festas é entre maio e agosto.

☀️ Verão Out – Mar
Média: 22-34 °C
Chuva: ⛈️ Alta
As chuvas intensas amenizam o clima seco do Norte de Minas, tornando ideal a circulação por **parques urbanos e refrescar-se com sorvetes de frutas típicas do Cerrado** para aplacar o calor da tarde.
🧣 Inverno Abr – Set
Média: 14-28 °C
Chuva: ☀️ Baixa
A forte estiagem traz noites amenas e céu limpo, criando o cenário de ouro para vivenciar as históricas **Festas de Agosto, exploração da Lapa Grande e feiras culturais**.
💡 Dica do especialista: O inverno no Norte de Minas funciona como o período definitivo para o turismo ecológico e cultural, reunindo tempo firme para caminhadas no complexo de cavernas da **Lapa Grande** e o apogeu cultural das **Festas de Agosto**. Já o verão concentra quase todo o volume de chuva do ano, transformando a paisagem do Cerrado, mas exigindo atenção com pancadas vespertinas rigorosas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Princesa do Norte?

Montes Claros fica a cerca de 420 km de Belo Horizonte pela BR-135, em um trajeto de aproximadamente 5 horas de carro. O Aeroporto Mário Ribeiro recebe voos da Azul, com ligação para Belo Horizonte, e da Latam, com destino a Guarulhos. Já a rodoviária conecta o município a mais de 250 destinos em Minas Gerais e estados vizinhos.

Uma cidade onde o cerrado conta histórias diferentes

Montes Claros reúne contrastes que dificilmente aparecem no mesmo destino: cavernas esculpidas pela natureza, tradições religiosas com quase dois séculos e uma gastronomia que tem no pequi um dos seus maiores símbolos. Entre trilhas, tambores e sabores do sertão mineiro, a cidade revela uma identidade construída pela mistura entre natureza, cultura e resistência.

Você precisa explorar a Lapa Grande, provar o arroz com pequi no Mercado Municipal e acompanhar o som dos catopês durante as Festas de Agosto para entender por que a Princesa do Norte continua surpreendendo quem atravessa o caminho até ela.

Tags: Minas GeraisMontes Claros
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