Quem flutua pela primeira vez nos rios de Bonito, no Mato Grosso do Sul, costuma ter a mesma impressão: a água parece ter desaparecido. Os peixes surgem nítidos a vários metros de distância, e o fundo de areia aparece como se não houvesse nada entre ele e o visitante. Essa transparência não é acaso. Ela nasce de um processo químico que acontece no subsolo, e é tão frágil quanto bonita, o que explica o esforço para protegê-la.
Por que a água de Bonito é tão transparente?
Por causa do calcário. Segundo reportagem do Estado de Minas, que cita a Secretaria de Turismo de Bonito, a chuva que se infiltra no solo reage com o gás carbônico e forma ácido carbônico, que dissolve os minerais do calcário. Com isso, as partículas em suspensão ganham peso, decantam no fundo e deixam a água com turbidez baixíssima.
A geologia ajuda nesse caminho. Segundo o portal Midiamax, a Serra da Bodoquena é formada por um grande bloco de rochas calcárias, cheio de fraturas e caminhos subterrâneos por onde a água circula. Um pesquisador ouvido pela reportagem compara o solo da serra a um queijo suíço, cheio de túneis e dutos por onde a água corre até ressurgir na superfície.

Como a água fica transparente, passo a passo?
O processo acontece em etapas, do subsolo até os rios. Estes são os principais passos, de forma simplificada.
A transparência pode acabar?
Ela é frágil. Segundo o portal Campo Grande News, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanha problemas como desmatamento, construções irregulares em áreas de preservação, loteamentos clandestinos, assoreamento e turbidez dos rios da região. A reportagem registra 143 inquéritos abertos para conter impactos sobre os rios de Bonito.
A chuva também pesa. A mesma reportagem informa que foram identificados inicialmente 38 pontos críticos de turvamento em microbacias que influenciam rios como Formoso, Mimoso, Anhumas e Formosinho, e que uma sala de monitoramento instalada em Bonito acompanha dados de chuva e pontos de turbidez. Segundo uma fundação ambiental ouvida pelo portal, os episódios de turbidez diminuíram em relação aos casos mais graves dos últimos anos.
Como visitar sem prejudicar os rios?
Seguindo as regras dos passeios. Em Bonito, os atrativos funcionam com controle de visitantes e acompanhamento de guias, e as flutuações seguem orientações para não tocar no fundo nem levantar sedimentos, o que turvaria a água. O uso de produtos que possam contaminar os rios também é desaconselhado.
A preservação depende de quem vive e de quem visita. O Midiamax registra que a Prefeitura de Bonito concluiu um estudo de capacidade de carga da bacia do Rio Formoso e realizou levantamentos sobre as águas da região, informações usadas para planejar o turismo e proteger o recurso que move a economia local.

Como é o clima de Bonito ao longo do ano?
O verão é chuvoso, e o inverno, mais seco e ameno. Dezembro concentra 238 mm de chuva em média, enquanto julho registra 58 mm, com mínima de 15°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma água que depende de cuidado
A transparência dos rios de Bonito é resultado de um processo natural que começa na chuva, passa pelas rochas calcárias da Serra da Bodoquena e termina em águas tão limpas que os peixes parecem flutuar. Esse fenômeno, porém, é sensível ao desmatamento, ao assoreamento e ao excesso de sedimentos. Proteger as nascentes e seguir as regras dos passeios é o que mantém essa paisagem como uma das mais impressionantes do país.
Você precisa flutuar em um rio de Bonito, observar os peixes nadando ao seu lado e lembrar do caminho que aquela água fez pelo subsolo para entender por que essa transparência merece tanto cuidado.




