As ladeiras de pedra sobem entre casarões brancos, igrejas barrocas e telhas de barro como se o século XVIII nunca tivesse terminado. Ouro Preto foi o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na lista da UNESCO, em 1980, e continua sendo o maior acervo barroco a céu aberto do país.
Uma vila que rivalizou com as maiores cidades do mundo
No auge do Ciclo do Ouro, por volta de 1730, a então Vila Rica reunia cerca de 40 mil habitantes. Décadas depois, a população chegou a 80 mil, enquanto Nova York ainda não alcançava metade desse número. O ouro encontrado no Ribeirão Tripuí tinha uma cor escura, coberto por uma camada de óxido de ferro, o que deu à cidade o nome definitivo.
Foi nessas ladeiras que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, esculpiu em pedra-sabão algumas das obras mais importantes do barroco nas Américas. E foi na Praça Tiradentes que a Inconfidência Mineira ganhou forma, em 1789, como um dos primeiros movimentos pela independência do Brasil. O IPHAN tombou o conjunto arquitetônico e urbanístico da cidade em 1938.

Quais igrejas não podem ficar de fora do roteiro?
Ouro Preto possui mais de 20 igrejas e capelas abertas à visitação. Quase todas cobram ingresso (em torno de R$ 5) e funcionam como pequenos museus. Estas são as mais relevantes em história e arte:
- Igreja de São Francisco de Assis: obra-prima do barroco mineiro, com projeto e esculturas de Aleijadinho e teto pintado por Mestre Ataíde em dez anos de trabalho.
- Matriz de Nossa Senhora do Pilar: uma das igrejas mais ricas em ouro do Brasil, com altares cobertos de talha dourada e o Museu de Arte Sacra no subsolo.
- Igreja de Santa Efigênia: erguida no alto de uma escadaria, com altares dedicados a santos negros e uma curiosa pintura de um papa negro no forro.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: fachada arredondada que destoa de todas as outras, com interior mais simples e papel central na cultura afro-brasileira local.
- Igreja de Nossa Senhora do Carmo: estilo rococó com menos ouro e pinturas de Mestre Ataíde, oferecendo vista panorâmica do alto da escadaria.
Mergulhe na história viva da cidade que já foi o centro econômico da América Latina e hoje é um tesouro barroco. O vídeo é do canal Traz o Passaporte, que conta com mais de 70 mil inscritos, e apresenta um roteiro completo por Ouro Preto, visitando a Igreja de São Francisco de Assis, o Museu da Inconfidência e a histórica Mina Chico Rei:
O que visitar além das igrejas na antiga Vila Rica?
A cidade reserva museus, minas e mirantes que complementam o roteiro religioso. A maioria das atrações fica a poucos minutos a pé da Praça Tiradentes.
- Museu da Inconfidência: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia, conta a história do movimento em 16 salas temáticas.
- Casa dos Contos: casarão do século XVIII com exposição sobre a história da moeda no Brasil e uma antiga senzala preservada.
- Mina da Passagem: a maior mina de ouro aberta à visitação no mundo, entre Ouro Preto e Mariana, com descida de trolley a 120 metros de profundidade.
- Feira do Largo de Coimbra: em frente à Igreja de São Francisco, reúne artesanato em pedra-sabão, joias e lembranças todos os dias.
- Parque Estadual do Itacolomi: trilhas em mata nativa com vista para o pico que serviu de referência aos bandeirantes no século XVII.

O que comer entre uma ladeira e outra?
A culinária mineira ganha altitude e sabor em Ouro Preto. Muitos restaurantes funcionam dentro de casarões coloniais, com fogão a lenha e panelas de pedra-sabão.
- Feijão tropeiro: prato emblemático de Minas, com feijão, farinha de mandioca, torresmo, couve e ovo.
- Frango com quiabo: servido em panela de pedra, acompanhado de angu e arroz.
- Pastel de angu: massa de fubá recheada com carne moída, encontrado nas lanchonetes do centro.
- Doces cristalizados: figos, cidras e laranjas preparados artesanalmente, vendidos nas lojas da Rua Direita.
O frio da serra combina com as cachaças artesanais da região e com as chocolaterias que se multiplicaram nos últimos anos pelo centro histórico.

Quando o clima da serra favorece o passeio a pé?
A altitude de 1.179 metros garante temperaturas mais baixas que as da capital mineira. O inverno seco é a melhor época para caminhar pelas ladeiras sem o risco de chuvas fortes no fim da tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade histórica saindo de BH?
Ouro Preto fica a cerca de 100 km de Belo Horizonte pela BR-356, aproximadamente 1h30 de carro. Ônibus partem do terminal rodoviário da capital com frequência ao longo do dia. O aeroporto mais próximo é o de Confins, a 130 km. De lá, é possível seguir de carro, ônibus ou transfer.
Suba as ladeiras da cidade onde o Brasil começou a se reinventar
Ouro Preto concentra em suas ruas íngremes o maior conjunto de arte barroca do país, uma gastronomia mineira de altitude e a memória viva do movimento que plantou a semente da independência brasileira.
Você precisa subir essas ladeiras e sentir o peso da história em cada pedra, em cada altar dourado e em cada mirante que revela a serra ao fundo.










