Quem chega ao Aeroporto Internacional Aluízio Alves muitas vezes acredita estar desembarcando apenas a caminho de Natal, mas a própria pista fica em São Gonçalo do Amarante. Localizada às margens do Rio Potengi, a cidade reúne uma história marcada pela fé, tradições populares e um dos maiores símbolos do artesanato do Rio Grande do Norte.
Como São Gonçalo do Amarante entrou na história dos primeiros santos brasileiros?
A história religiosa do município remonta a 1645, quando dois episódios de perseguição contra católicos marcaram a então capitania do Rio Grande. Em 3 de outubro daquele ano, tropas comandadas pelo holandês Jacob Rabbi invadiram a comunidade de Uruaçu, onde o padre Ambrósio Francisco Ferro e dezenas de fiéis foram mortos após se recusarem a abandonar sua fé. Poucos meses antes, outro ataque havia ocorrido no Engenho de Cunhaú, em Canguaretama.
A memória desses acontecimentos atravessou gerações e deu origem à devoção aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Em 2000, o Papa João Paulo II realizou a beatificação do grupo, e em 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco celebrou a canonização na Praça São Pedro, no Vaticano, reconhecendo-os como os primeiros santos nascidos no Brasil. Desde então, o dia 3 de outubro tornou-se feriado estadual no Rio Grande do Norte, reunindo milhares de peregrinos em Uruaçu todos os anos.

O que visitar no berço do folclore potiguar?
O historiador Luís da Câmara Cascudo chamou São Gonçalo de “Berço da Cultura Popular”, título reconhecido oficialmente pela Assembleia Legislativa do RN. O roteiro mistura fé, artesanato e sabor.
- Monumento dos Santos Mártires: santuário em Uruaçu com capacidade para 20 mil peregrinos, erguido no local do massacre de 1645. Missas acontecem todo dia 3 de cada mês.
- Igreja Matriz de São Gonçalo: raro exemplar da arquitetura barroca no RN, com altares em madeira do século XIX. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1963.
- Monumento do Galo Branco: escultura de 12 metros em Santo Antônio do Potengi, homenagem ao símbolo do folclore potiguar, inaugurada em 2016.
- Mercado do Artesanato Dona Neném Felipe: peças em argila, cipó, retalhos e sisal produzidas por artesãos locais. É onde se encontra o famoso Galo Branco de cerâmica.
O vídeo do canal “FLAVIO DRONE” apresenta a cidade de São Gonçalo do Amarante, localizada a cerca de 59 km de Fortaleza, no Ceará. A cidade é um ponto estratégico e econômico de grande relevância para o estado.
Quais tradições fizeram São Gonçalo do Amarante virar referência cultural?
A cultura de São Gonçalo do Amarante preserva manifestações populares que resistiram ao tempo e desapareceram de muitas outras regiões do Nordeste. O município chamou atenção de pesquisadores como Câmara Cascudo justamente por manter vivas expressões transmitidas entre gerações. Entre elas está o Boi Calemba Pintadinho, uma versão potiguar do bumba meu boi com mais de 100 anos de história, marcada pelo som da rabeca e do pandeiro. O Pastoril Dona Joaquina, oficializado em 2005, reúne 18 pastorinhas divididas nos tradicionais cordões azul e vermelho, enquanto os Congos de Guerra encenam conflitos entre reis africanos por meio de música, dança e improvisação.
Outro nome fundamental da memória cultural local é a romanceira Dona Militana, nascida no Sítio Oiteiros em 1925. Ela ficou conhecida por guardar centenas de romances medievais ibéricos transmitidos pela tradição oral, preservando histórias que atravessaram séculos. Em 2005, recebeu a Comenda Máxima da Cultura Popular das mãos do presidente Lula, e parte de seu legado permanece guardada no museu municipal.
Onde provar a gastronomia típica perto de Natal?
Na zona rural de São Gonçalo do Amarante, o Polo Gastronômico de Pajuçara se tornou um dos principais destinos para quem busca sabores regionais. Os restaurantes da área servem pratos preparados com frutos do mar, incluindo camarão ao alho e óleo, filé ao caldo de coco, camarão gratinado e o tradicional pirão de camarão. As refeições costumam chegar acompanhadas de tapioca ou macaxeira, além de combinações com feijão verde, arroz e farofa.
No distrito de Santo Antônio do Potengi, o Galo Branco de Dona Neném reúne culinária típica e artesanato em um mesmo passeio. A proximidade com o mercado de artesanato permite que visitantes experimentem pratos regionais enquanto conhecem produtos feitos por artesãos da própria comunidade.

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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima é tropical quente o ano inteiro. As chuvas se concentram entre março e julho, e o calor não dá trégua em nenhuma estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Qual é o acesso até a cidade onde fica o aeroporto da capital?
O Aeroporto Internacional Aluízio Alves está localizado em São Gonçalo do Amarante, a aproximadamente 22 km do centro de Natal. Para quem chega de carro pela BR-101, o deslocamento entre a capital potiguar e o município é rápido, com acesso facilitado pelas rodovias da região. Já o centro de São Gonçalo do Amarante fica a cerca de 17 km de Natal pela RN-160.
Uma parada que revela a alma cultural do Rio Grande do Norte
São Gonçalo do Amarante costuma ser apenas o ponto de chegada para muitos turistas que seguem rumo às praias potiguares, mas a cidade guarda uma identidade própria. Entre ruas tranquilas, tradições preservadas e histórias religiosas reconhecidas pelo Vaticano, o município apresenta uma das faces culturais mais autênticas do Rio Grande do Norte.
Conhecer os locais ligados aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, ouvir os ritmos do folclore centenário e experimentar a gastronomia baseada em camarões frescos mostra por que a cidade merece mais do que uma passagem rápida. Antes de seguir para o litoral, vale reservar algumas horas para descobrir o chamado Berço da Cultura Popular.




