Muitos acreditam que puxar o ar pela boca é a melhor forma de obter oxigênio, mas a ciência mostra o oposto: priorizar a respiração nasal em exercícios leves é o segredo para liberar uma molécula poderosa chamada óxido nítrico. Esse gás, produzido nos seios paranasais, atua como um vasodilatador natural que expande os vasos sanguíneos e vias aéreas, garantindo que o oxigênio chegue aos músculos e cérebro.
Por que o nariz é uma “fábrica” de óxido nítrico?
Diferente da boca, que é apenas um tubo de passagem, o nariz é um órgão complexo projetado para processar o ar. É nos seios paranasais que o corpo produz e armazena o óxido nítrico (NO). Quando você inspira exclusivamente pelo nariz, você carrega esse gás para os pulmões.
Estudos publicados na National Library of Medicine (NIH) confirmam que a respiração nasal aumenta drasticamente a concentração de óxido nítrico arterial em comparação com a respiração oral. Esse “gás mágico” sinaliza para os vasos sanguíneos dos pulmões se abrirem (vasodilatação), aumentando a superfície de contato para a troca gasosa e garantindo que cada respiração valha por duas.

Como isso melhora a oxigenação do sangue?
A mágica do óxido nítrico reside na sua capacidade de relaxar a musculatura lisa dos vasos. Ao chegar aos alvéolos pulmonares, ele facilita a transferência de oxigênio para a corrente sanguínea, aumentando a saturação de O2 arterial em até 10-15%.
Pesquisadores citados pela American Heart Association explicam que isso melhora a perfusão pulmonar, ou seja, o sangue é distribuído de forma mais uniforme pelos pulmões. Enquanto a respiração bucal tende a oxigenar apenas os lobos superiores (menos eficientes), a resistência natural da respiração nasal força o ar para os lobos inferiores, que são mais ricos em sangue, otimizando todo o sistema cardiovascular.
A respiração nasal realmente blinda a imunidade?
Sim, o nariz é a primeira linha de defesa do corpo. Além da filtração física pelos pelos e muco, o próprio óxido nítrico possui propriedades antivirais, antifúngicas e antibacterianas potentes.
Um artigo da Cleveland Clinic destaca que respirar pelo nariz aquece e umidifica o ar, criando um ambiente hostil para patógenos antes que eles atinjam os pulmões. Em tempos de viroses respiratórias, manter a respiração nasal durante caminhadas ou trotes leves funciona como um sistema de esterilização do ar inalado, reduzindo a carga viral que entra no seu organismo.
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Como isso afeta a fadiga muscular?
Respirar pelo nariz ajuda a regular os níveis de dióxido de carbono (CO2) no sangue. Embora o CO2 seja visto como “lixo”, precisamos de um nível ideal dele para que a hemoglobina solte o oxigênio nas células (Efeito Bohr).
A respiração bucal expulsa CO2 rápido demais, fazendo com que o oxigênio fique “preso” no sangue e não vá para o músculo, gerando fadiga precoce. Manter a boca fechada em treinos leves preserva esse equilíbrio, retardando a produção de ácido lático e permitindo que você se exercite por mais tempo com menos cansaço percebido.
No vídeo a seguir, o Dr. João Sóstenes, com mais de 20 mil seguidores, fala um pouco sobre a respiração durante exercícios:
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Como começar sem sentir falta de ar?
A transição exige paciência, pois seu corpo pode estar condicionado à hiperventilação bucal. A sensação inicial de “fome de ar” é normal e não indica falta de oxigênio, mas sim uma intolerância ao CO2 que precisa ser reeducada.
Siga estas etapas para adaptar seu corpo:
- Comece devagar: Aplique apenas em caminhadas, ioga ou aquecimentos (Zona 1 e 2).
- Diminua o ritmo: Se precisar abrir a boca, é sinal de que a intensidade está alta demais para sua capacidade nasal atual. Reduza a velocidade.
- Limpeza nasal: Garanta que as vias estejam desobstruídas antes do treino.
- Consistência: Tente manter a boca fechada por 5 minutos e aumente gradualmente.









