Ignorar a mastigação é pular a etapa mais crucial da nutrição, forçando seu sistema digestivo a trabalhar dobrado com eficiência reduzida. Triturar corretamente os alimentos não só facilitam o trabalho mecânico do estômago, como ativa reações químicas essenciais que previnem o inchaço e a má absorção de nutrientes.
Por que a saliva é considerada um “suco digestivo” vital?
Muitos pensam na boca apenas como um triturador mecânico, mas ela é um laboratório químico. As glândulas salivares produzem uma enzima chamada amilase salivar (ou ptialina), cuja função exclusiva é iniciar a quebra de carboidratos complexos e amidos em açúcares simples antes mesmo de você engolir.
Segundo o National Institutes of Health (NIH), se você engole a comida rapidamente, essa etapa é pulada. O alimento chega ao estômago com os amidos intactos, onde o ambiente ácido inativa a amilase, impedindo a digestão adequada até que o bolo alimentar chegue ao intestino delgado, sobrecarregando o pâncreas.

Como a física da mastigação alivia o estômago?
A digestão é um jogo de área de superfície. Quanto menor a partícula de alimento, maior é a área exposta à ação do ácido clorídrico e das enzimas estomacais. Pense nisso como dissolver uma bala: se você a tritura, ela dissolve instantaneamente; se a engole inteira, leva horas.
A University of Rochester Medical Center explica que engolir pedaços grandes exige que o estômago produza muito mais ácido e realize contrações musculares violentas para tentar desfazer o alimento. Isso não só causa azia e indigestão, como frequentemente resulta em pedaços de comida passando mal digeridos para o intestino, onde os nutrientes não podem ser extraídos.
A pressa ao comer é a verdadeira causa do inchaço abdominal?
Sim, a má mastigação é uma das causas primárias de gases e desconforto abdominal. Quando pedaços de alimentos mal digeridos (especialmente carboidratos e proteínas) chegam ao cólon, eles se tornam um banquete para as bactérias intestinais.
A Cleveland Clinic adverte que essas bactérias fermentam a comida não digerida, produzindo subprodutos gasosos (hidrogênio, metano e dióxido de carbono) que causam distensão abdominal e dor. Além disso, comer rápido promove a aerofagia (engolir ar), introduzindo bolhas de gás diretamente no seu trato digestivo a cada garfada apressada.
Mastigar devagar realmente ajuda a emagrecer?
Existe um atraso de comunicação entre o estômago e o cérebro que a mastigação lenta ajuda a resolver. Leva cerca de 20 minutos para que os hormônios da saciedade (como a leptina e o PYY) sinalizem ao cérebro que você está satisfeito.
Um artigo da Harvard Health Publishing confirma que comer devagar dá tempo para que esses sinais hormonais sejam disparados antes de você ingerir calorias em excesso. Quem come rápido geralmente ultrapassa seu ponto de saciedade biológica muito antes de “sentir” que está cheio.
No vídeo a seguir, Paulo Nassif, com mais de 60 mil seguidores, fala um pouco sobre o poder de mastigar devagar:
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Qual o protocolo prático para reaprender a comer?
Não é necessário contar obsessivamente até 30, mas sim focar na mudança de textura do alimento. O objetivo é transformar o sólido em uma pasta semilíquida (o quimo) antes de permitir a deglutição.
Adote estas regras na próxima refeição:
- Talheres na Mesa: Solte o garfo e a faca na mesa após cada bocado. Não pegue a próxima porção enquanto ainda tiver comida na boca.
- A Regra da Pasta: Só engula quando o alimento perder totalmente a textura original e não houver pedaços identificáveis.
- Gole Seco: Evite beber líquidos durante a mastigação para “empurrar” a comida. Isso dilui as enzimas e lubrifica a descida de pedaços inteiros.
- Ambiente Calmo: Evite comer em frente a telas; a distração faz você voltar ao padrão automático de engolir rápido.









