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Pai permite que filho construa uma casa no fundo do terreno e, depois de uma briga familiar, surge disputa sobre quem tem direito à construção

Por Bruno Vaz
10/10/2026
Em Entretenimento
construir no terreno dos pais

O artigo 1.255 do Código Civil estabelece que, em regra, quem constrói em terreno de outra pessoa perde a construção em favor do proprietário do solo.

Depois de receber autorização do pai para construir uma casa no fundo do terreno da família, Lucas investiu suas economias na obra e passou a morar no local. Anos depois, uma briga com o pai, João, provocou uma disputa sobre quem tem direito à construção e se o filho poderia ser obrigado a deixar o imóvel.

A briga familiar que colocou a casa em disputa

João permitiu que Lucas construísse uma pequena residência nos fundos de sua propriedade para começar a vida independente. O filho comprou materiais, contratou trabalhadores e pagou pela construção. Como tudo aconteceu dentro da família, os dois não fizeram contrato nem registraram qualquer acordo sobre a propriedade da casa.

Durante alguns anos, Lucas morou tranquilamente no imóvel, até que uma discussão familiar mudou a situação. João afirmou que o terreno era exclusivamente seu e exigiu que o filho deixasse a residência. Lucas se recusou, alegando que havia pagado pela obra e que não poderia simplesmente perder tudo o que investiu.

Quem constrói no terreno dos pais se torna dono da casa?

O artigo 1.255 do Código Civil estabelece que, em regra, quem constrói em terreno de outra pessoa perde a construção em favor do proprietário do solo. Entretanto, quando a obra é realizada de boa-fé, a legislação prevê o direito à indenização, conforme as circunstâncias do caso.

Isso significa que Lucas não se torna automaticamente proprietário da residência apenas porque pagou pelos materiais e pela mão de obra. Por outro lado, João também não pode ignorar os direitos que eventualmente surgiram com a construção autorizada. O Código Civil prevê regras específicas para construções em terrenos alheios, inclusive situações excepcionais em que pode haver aquisição do solo mediante indenização.

Leia também: Morador aproveita viagem do vizinho para construir uma garagem encostada na divisa e ultrapassa a altura do muro permitido em 1,5 metro; na volta, o vizinho prejudicado aciona a prefeitura por infração de posturas e exige a demolição da obra irregular

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O pai pode mandar o filho sair da casa que ele construiu?

O proprietário pode buscar a retomada de seu terreno quando existe fundamento jurídico para isso. Porém, a autorização anterior para construir, o tempo de ocupação, eventuais acordos e as características da posse precisam ser analisados antes de definir as consequências da saída.

João não deve tentar resolver o conflito mediante ameaças, retirada forçada de pertences ou interrupção deliberada de serviços para pressionar Lucas. Se não houver acordo, a situação poderá exigir uma medida judicial adequada. Também será necessário verificar se existe obrigação de indenizar a construção e como eventual pagamento deve ocorrer.

construir no terreno dos pais
Depois de receber autorização do pai para construir uma casa no fundo do terreno da família, Lucas investiu suas economias na obra e passou a morar no local.

O filho pode exigir o dinheiro gasto na construção?

Lucas poderá buscar uma indenização pela obra se demonstrar os requisitos legais, especialmente que construiu de boa-fé. O Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, em discussão envolvendo residência edificada em terreno dos pais de um dos envolvidos, a possibilidade de indenização pela construção, conforme o REsp 1.327.652/RS.

O valor eventualmente devido não corresponde necessariamente à soma de todas as despesas apresentadas. Uma avaliação pode considerar as características da edificação, sua regularidade e o benefício patrimonial existente. Assim, notas fiscais e comprovantes ajudam a demonstrar o investimento, mas não garantem, isoladamente, o pagamento integral dos gastos.

Como provar que a construção foi autorizada?

O primeiro passo é reunir documentos relacionados à obra, como recibos de materiais, comprovantes de transferências, contratos com trabalhadores, fotografias e mensagens trocadas com o proprietário. Testemunhas que acompanharam a construção também podem ajudar a demonstrar que o pai tinha conhecimento e havia dado permissão para construir.

Lucas também deve obter a matrícula atualizada do terreno para confirmar a titularidade e verificar se existe algum registro relacionado à casa. É necessário conferir a situação da obra na prefeitura, pois a existência de uma residência não significa que ela tenha sido aprovada ou regularizada perante os órgãos competentes.

O que fazer para resolver o problema sem perder o investimento?

Antes de iniciar um processo, João e Lucas podem buscar um acordo sobre a permanência no imóvel, uma eventual indenização ou a regularização jurídica da construção, quando permitida. Dependendo das condições legais e urbanísticas, instrumentos como o direito de superfície, previsto no artigo 1.369 do Código Civil, podem ser avaliados. Sua constituição exige escritura pública e registro imobiliário.

Se a negociação fracassar, ambos devem procurar orientação jurídica para avaliar os direitos de propriedade, posse e indenização. No caso fictício, Lucas precisa preservar as provas antes de aceitar qualquer proposta de saída, enquanto João deve evitar medidas unilaterais. Construir no terreno dos pais não garante automaticamente a propriedade da casa, mas também não elimina possíveis direitos de quem investiu na obra.

Tags: direitofamíliafinançasimóveis
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