A tradicional lata azul do NIVEA Creme pode ajudar a hidratar a pele depois de um dia de sol, mas não deve ser usada como tratamento para queimaduras solares. O alerta é do farmacêutico Vicente Calduch, que diferencia a função hidratante do produto dos cuidados necessários quando a radiação ultravioleta já provocou uma lesão na pele.
Farmacêutico explica qual é a função da NIVEA azul
Vicente Calduch, farmacêutico e diretor executivo dos Laboratorios Calduch, explica que a conhecida lata azul é essencialmente um creme hidratante. Sua composição reúne substâncias emolientes, umectantes e oclusivas que ajudam a manter água na pele e a diminuir a sensação de ressecamento após a exposição ao sol.
Isso explica por que algumas pessoas sentem mais conforto e maciez depois de aplicar o produto. A hidratação pode ser útil quando a pele está apenas seca ou repuxando, mas esse efeito não significa que o creme esteja tratando os danos causados por uma exposição solar excessiva.

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NIVEA Creme não é tratamento para queimadura solar
Segundo Calduch, o produto não deve ser considerado um reparador específico para queimaduras solares. Uma queimadura causada pelo sol envolve uma resposta inflamatória provocada pela radiação ultravioleta e pode apresentar vermelhidão, sensação de calor, dor, sensibilidade e, nos casos mais intensos, formação de bolhas.
O problema é que a fórmula da lata azul foi criada para hidratação e não contém ingredientes desenvolvidos especificamente para tratar eritema solar ou reparar lesões provocadas pela radiação UV. Portanto, sentir alívio do ressecamento após passar o creme não deve ser confundido com tratamento da queimadura.
A textura mais oclusiva exige cuidado na pele recém-queimada
A consistência espessa é justamente uma das características que ajudam o NIVEA Creme a reduzir a perda de água da pele. Porém, em uma queimadura recente, essa propriedade pode não ser adequada como primeira medida, especialmente quando a região está muito quente, dolorida ou inflamada.
O farmacêutico Eduardo Senante também alerta que a NIVEA azul é uma formulação bastante oclusiva e, por esse motivo, não considera uma boa ideia aplicá-la imediatamente sobre uma queimadura solar. O objetivo inicial nesses casos deve ser controlar o desconforto e cuidar da área lesionada de maneira compatível com a intensidade da queimadura.
O creme também não substitui o protetor solar
Outro erro é aplicar a lata azul antes de sair de casa acreditando que a camada espessa possa oferecer algum tipo de proteção contra o sol. Hidratantes comuns não desempenham essa função quando sua fórmula não contém filtros solares e um fator de proteção devidamente estabelecido.
A própria NIVEA mantém uma linha específica de fotoproteção e informa que produtos como o NIVEA SUN Protect & Hidrata FPS 70 utilizam filtros para oferecer proteção contra raios UVA e UVB. A marca também recomenda reaplicação para manter a efetividade do protetor durante a exposição.

Hidratação e proteção solar cumprem funções diferentes
Um hidratante atua principalmente na manutenção da água e na melhora da barreira cutânea. Já um fotoprotetor precisa apresentar filtros capazes de reduzir a quantidade de radiação ultravioleta que alcança a pele. Por isso, um produto não pode ser usado automaticamente no lugar do outro, mesmo que ambos deixem uma camada perceptível sobre o corpo.
Vicente Calduch reforça exatamente essa diferença ao explicar que os produtos adequados para a exposição solar são aqueles formulados com filtros solares. Usar somente um hidratante antes de ir à praia, à piscina ou permanecer por longos períodos ao ar livre deixa a pele sem a proteção específica esperada contra queimaduras.
O que fazer quando a pele está realmente queimada
Quando há queimadura solar, os cuidados dependem da intensidade dos sintomas. De maneira geral, é indicado interromper a exposição ao sol, evitar novas agressões na região e utilizar medidas que ajudem a resfriar e acalmar a pele, em vez de tratar o problema apenas como ressecamento.
Orientações médicas também merecem atenção diante de bolhas extensas, dor intensa, inchaço importante, febre ou outros sintomas gerais. Nessas situações, insistir em receitas caseiras ou utilizar um cosmético comum como se fosse medicamento pode atrasar a avaliação adequada da queimadura.
Quando a lata azul pode ser usada depois do sol
O alerta de Vicente Calduch não significa que o produto precise ser abandonado durante o verão. Quando não existe uma queimadura ativa e a necessidade é apenas combater secura ou repuxamento, um hidratante pode ajudar a restaurar o conforto da pele após a exposição solar, desde que seja bem tolerado pela pessoa.
A regra prática é separar três situações: proteger, hidratar e tratar. Para se expor ao sol, é necessário um fotoprotetor adequado; para pele saudável que ficou ressecada, a NIVEA azul pode funcionar como hidratante; diante de uma queimadura, porém, ela não substitui os cuidados específicos indicados para uma lesão provocada pelo sol.




