Apenas 23% dos brasileiros usam o protetor solar da maneira recomendada pelos médicos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. O dado mostra por que a discussão sobre preço costuma desviar o foco. Na Dermatologia, o que separa a pele protegida da pele queimada é, sobretudo, a camada aplicada e a reaplicação. Com o verão chegando, vale olhar para o frasco com outros olhos.
Preço do frasco não muda o FPS medido em laboratório
O número do FPS, o fator de proteção solar, impresso na embalagem sai de testes com uma camada padronizada de 2 miligramas de produto por centímetro quadrado de pele. Assim, um filtro barato e outro caro com o mesmo FPS foram medidos pela mesma régua. O número indica a proteção contra a radiação UVB, a principal responsável pelas queimaduras.
Um estudo publicado no periódico JAMA Dermatology analisou 65 protetores bem avaliados por consumidores nos Estados Unidos. Os preços por onça variaram de US$ 0,68 a US$ 23,47, uma diferença acima de 3.000%. Textura, tipo de filtro e adesão às diretrizes da Academia Americana de Dermatologia pesavam no valor. Cerca de 40% dos produtos não seguiam essas diretrizes, principalmente por falta de resistência à água.

Quanto protetor solar é preciso passar para garantir o FPS?
Para o rosto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda uma colher de chá rasa. Para o corpo, cerca de três colheres de sopa, espalhadas para que nenhuma área fique descoberta, segundo a página de cuidados diários com a pele da entidade. A orientação é usar FPS 30 ou maior e aplicar o produto ainda em casa.
A quantidade importa porque a proteção não cai de forma proporcional. Em pesquisa publicada no British Journal of Dermatology, em 2007, voluntários receberam camadas de 0,5 a 4 mg/cm². Pelo modelo dos autores, usar metade da dose padrão reduz o FPS a algo próximo da raiz quadrada do valor do rótulo. O teste usou um filtro FPS 4, então a conta é aproximada: um FPS 30 em camada fina ficaria perto de 5 ou 6.
Reaplicar a cada duas horas mantém a proteção no verão
Reaplicar o protetor a cada duas horas, ou antes em caso de transpiração excessiva ou mergulhos prolongados, é a orientação da SBD para o verão, no guia Maneiras de proteger a pele no verão. A primeira aplicação deve ser feita pelo menos 15 minutos antes da exposição. A entidade também indica evitar o sol entre 10h e 16h e usar chapéu e óculos escuros.

Suor, toalha e água removem parte da camada ao longo do dia, e por isso a reaplicação conta tanto quanto a escolha do frasco. Para quem tem pele oleosa, sensível ou com melasma, a textura do filtro também faz diferença na hora de decidir.
Rótulo e hábito pesam mais que o preço na escolha do filtro
Na hora da compra, o rótulo diz mais do que a etiqueta de preço. Procure FPS 30 ou mais e a indicação de proteção contra raios UVA. Para praia ou piscina, confira também a resistência à água, o atributo que mais faltou entre os produtos do estudo americano.
Textura é critério de uso, não de vaidade. O mesmo trabalho mostrou que sensação na pele, cor e cheiro dominavam os comentários dos consumidores, e um filtro agradável tende a ser usado na dose certa. Quem tem alergia, acne, melasma ou histórico de câncer de pele deve procurar um dermatologista antes de escolher.
No fim, a proteção está menos no frasco e mais no gesto repetido: a colher bem medida pela manhã e a nova camada depois do mergulho. Se o seu protetor solar cabe no bolso e é usado do jeito certo, ele cumpre o papel dele. Que tal medir a sua dose hoje e deixar um lembrete no celular para a próxima reaplicação?
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