Em 1818, o rei de Portugal, instalado no Rio de Janeiro, decidiu fazer algo pouco comum na época: trazer famílias de outro país europeu para fundar uma colônia planejada no Brasil. O lugar escolhido foi uma fazenda na serra fluminense, de clima frio parecido com o da Suíça. O plano previa 100 famílias, mas a realidade foi bem diferente. A viagem foi longa e dura, e muitos não chegaram. Os que chegaram fundaram Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, batizada em homenagem à cidade suíça de onde vinha a maior parte deles.
Por que Dom João VI trouxe suíços para a serra fluminense?
Para criar uma colônia agrícola planejada. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Dom João VI autorizou, em 1818, a vinda de 100 famílias do Cantão de Friburgo, na Suíça, que se instalaram na Fazenda do Morro Queimado, no então distrito de Cantagalo, uma área de clima e características naturais parecidas com as de seu país de origem.
A colônia foi preparada antes da chegada. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra que o monsenhor Pedro Machado de Miranda Malheiros, nomeado inspetor da povoação, instalou a sede da colônia com o nome de Nova Friburgo, por causa da origem dos colonos, e que as primeiras famílias chegaram entre o fim de 1819 e o começo de 1820, depois de construídos os prédios necessários à vida na colônia.

Quantos suíços saíram e quantos chegaram?
Bem mais do que o previsto, e bem menos do que partiram. Segundo o portal Swissinfo, serviço internacional de notícias da Suíça, dos 2.006 emigrantes que deixaram a Suíça, somente 1.621 chegaram a Nova Friburgo. A diferença revela as condições difíceis da travessia do Atlântico no início do século XIX.
O número de famílias também superou o combinado. Segundo o jornal A Voz da Serra, entre 1819 e 1820 a região recebeu 265 famílias suíças, num total de 1.458 imigrantes, bem acima das 100 previstas no decreto. A diferença entre os números das fontes reflete registros da época, mas todos mostram que a colônia nasceu maior do que o planejado.
Quais são os marcos da colonização?
A história da colônia passa por alguns momentos decisivos. Estes são os principais.
O que mudou depois da chegada dos suíços?
A cidade recebeu outros imigrantes. Segundo o IBGE, imigrantes alemães chegaram a Nova Friburgo em 3 de maio de 1824, e depois vieram italianos, portugueses e sírios, o que acentuou o desenvolvimento da localidade. O Iphan registra que o povoado foi elevado à categoria de vila em 1820, e o IBGE informa que Nova Friburgo virou cidade em 8 de janeiro de 1890.
A herança ficou no nome e na identidade. A cidade é conhecida como Suíça Brasileira, e a memória dos colonos aparece em espaços culturais, na arquitetura e em tradições mantidas pelos descendentes. Para o visitante, conhecer essa história é entender por que uma cidade na serra fluminense carrega o nome de uma cidade do outro lado do oceano.

Como é o clima de Nova Friburgo ao longo do ano?
O verão é muito chuvoso, e o inverno, seco e frio. Dezembro concentra 357 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 46 mm, com mínima de 12°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma colônia que nasceu maior que o plano
Nova Friburgo começou com um decreto que previa 100 famílias e terminou recebendo muito mais gente do que o combinado, depois de uma travessia em que centenas de suíços não chegaram ao destino. Os que sobreviveram fundaram, na serra fluminense, uma das primeiras experiências de colonização planejada com imigrantes não portugueses no país, que mais tarde recebeu alemães e outros imigrantes. Dois séculos depois, o nome da cidade ainda lembra a origem dessa aventura.
Você precisa subir a serra até Nova Friburgo, caminhar pelo centro e lembrar dos colonos que cruzaram o oceano em 1819 para entender por que essa cidade é chamada de Suíça Brasileira.




