Você já notou que é quase impossível dormir bem no calor sufocante, enquanto no inverno o sono parece naturalmente mais pesado? A ciência confirma que manter o ambiente entre 18°C e 22°C é o gatilho térmico indispensável para baixar a temperatura central do corpo e iniciar os processos químicos de reparação noturna.
O corpo precisa “esfriar” para desligar?
Sim, a queda da temperatura corporal é um sinal biológico não negociável para o sono. O nosso ritmo circadiano dita que, ao anoitecer, a temperatura central do corpo deve cair cerca de 1°C para que a glândula pineal libere melatonina adequadamente.
Especialistas da Sleep Foundation explicam que um quarto muito quente impede essa dissipação de calor. Se o ambiente externo está na mesma temperatura ou mais quente que o seu corpo, o organismo luta para se resfriar, mantendo o coração acelerado e o sistema de alerta ligado, o que resulta em insônia ou sono fragmentado.

O calor destrói a qualidade do sono REM?
O sono REM (Movimento Rápido dos Olhos), fase crucial para a memória e regulação emocional, é extremamente sensível à temperatura. Durante essa fase, o corpo perde temporariamente a capacidade de termorregulação eficiente (você para de suar ou tremer para ajustar a temperatura).
Isso significa que, se o quarto estiver quente, o cérebro, para se proteger de um superaquecimento, simplesmente “acorda” você ou o tira do sono profundo para fases mais leves. Um ambiente refrigerado atua como uma proteção térmica, garantindo que você permaneça na “zona de neutralidade térmica” e complete os ciclos de sonho sem interrupções.
Dormir no frio ajuda o metabolismo?
Além do descanso, o frio ativa mecanismos metabólicos benéficos. Estudos do National Institutes of Health (NIH) sugerem que dormir em temperaturas mais baixas estimula a produção de “gordura marrom”, um tipo de tecido adiposo metabolicamente ativo que queima calorias para gerar calor.
Essa ativação não só melhora a sensibilidade à insulina no dia seguinte, como também ajuda a regular o apetite. Portanto, baixar o termostato não é apenas uma questão de conforto, mas uma estratégia de saúde metabólica passiva.
No vídeo a seguir, Dr Diego De Castro Neurologista, com mais de 200 mil inscritos, fala um pouco sobre temperatura e a relação com o sono:
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Como encontrar o equilíbrio sem congelar?
O objetivo é ter o ar frio, mas o corpo confortavelmente aquecido sob as cobertas. O rosto exposto ao ar fresco ajuda a resfriar o sangue que vai para o cérebro, enquanto o corpo coberto mantém o conforto.
Dicas para o clima ideal:
- Ventilação Cruzada: Se não tiver ar-condicionado, use ventiladores ou janelas abertas para circular o ar.
- Fibras Naturais: Use lençóis de algodão, bambu ou linho, que permitem que o calor excessivo escape, evitando o efeito “estufa” do poliéster.
- Pés Quentes: Lembre-se do paradoxo: quarto frio, mas pés quentes (use meias) para facilitar a troca de calor.









