Aquele RG plastificado que você carrega há vinte anos tem os dias contados, e agora com data marcada. A boa notícia é que ninguém precisa correr para a fila: o prazo é generoso e a troca é gradual. A má notícia é que existe uma lista de situações em que a substituição já é obrigatória hoje, e a maioria das pessoas não sabe que se encaixa em alguma delas. Aqui explicamos até quando o documento antigo vale, quem já precisa trocar e como fazer.
Qual é a data final?
O prazo está definido em decreto e vale para todo o território nacional, sem variação entre estados.
Segundo o Decreto nº 10.977/2022, conforme informa o Governo Digital, o RG antigo continua válido por dez anos a partir da publicação da norma, podendo ser usado até 2032. A data final é 28 de fevereiro de 2032, e a partir de 1º de março daquele ano o documento antigo deixa de ser aceito.

Então posso esquecer o assunto?
Não exatamente, e é aqui que a maioria das pessoas se engana. O prazo geral é 2032, mas existem gatilhos que antecipam a obrigação para hoje.
Os institutos de identificação são claros: a troca vira necessária quando há mudança de dados cadastrais, perda, furto, dano ao documento ou viagem internacional para países do Mercosul. Some a isso os RGs emitidos há mais de dez anos, cuja foto e informações já estão desatualizadas. Ou seja: se qualquer coisa acontecer com seu documento antes de 2032, você já sai direto para a CIN.
Por que essa mudança existe?
O problema que a nova identidade resolve é maior do que parece, e ele tem número.
Como os registros eram gerados por cada estado e pelo Distrito Federal, um mesmo brasileiro podia ter até 27 números de RG diferentes. Isso criava inconsistências cadastrais e abria brecha para fraude de identidade. A CIN acaba com essa possibilidade ao adotar um número único nacional, e ele já está no seu bolso: o CPF.
O que muda na prática?
A nova carteira não é só um plástico mais bonito. Ela traz recursos que o RG nunca teve.
As principais diferenças:
- O CPF passa a ser o número único de identificação nacional.
- QR Code para validação eletrônica, que funciona mesmo sem internet.
- Código MRZ, o mesmo de passaportes, útil para viajar no Mercosul.
- Versão digital disponível no aplicativo gov.br.
- Biometria integrada ao Banco Nacional de Dados Biométricos.
A nova identidade tem prazo de validade?
Esta é a mudança que pega quem está acostumado ao RG eterno. A CIN vence, e o prazo depende da idade.
Para crianças de 0 a 12 anos incompletos, a validade é de 5 anos. Dos 12 aos 60 anos incompletos, o documento vale 10 anos. Acima de 60 anos, a validade é indeterminada. A lógica é garantir que foto e dados acompanhem as mudanças naturais de cada fase.
Entenda a Validade da Nova CIN
Como emitir a nova identidade?
O processo é feito no instituto de identificação do seu estado, e não online de ponta a ponta.
O caminho básico:
- Tenha o CPF regularizado, porque ele será o número do documento.
- Leve a certidão de nascimento ou casamento, original ou cópia autenticada.
- Agende pelo canal oficial do instituto do seu estado.
- Compareça para a coleta biométrica e a foto.
- Baixe a versão digital no app gov.br assim que ficar pronta.
Quanto custa?
Aqui vale checar antes de sair de casa, porque a regra não é federal.
A primeira via é gratuita em todo o país. Já a segunda via depende da política de cada estado: alguns cobram taxa, outros mantêm a gratuidade em situações específicas, como perda por furto com boletim de ocorrência. Como o instituto de identificação é estadual, a informação correta está no site dele, não em regra geral.
Vale a pena ir agora?
A orientação oficial é justamente o contrário do que a manchete sugere.
Os institutos pedem que a população procure o serviço apenas em caso de real necessidade, porque a alta demanda gera filas e espera. Com o prazo em 2032, não há motivo para correr. A exceção é quem se encaixa nos gatilhos: mudança de nome, estado civil, documento danificado ou viagem ao Mercosul no horizonte. Nesse caso, resolva antes que vire urgência.

E o RG que ainda está bom?
Ele continua funcionando normalmente até a data final, sem restrição.
Até 28 de fevereiro de 2032, o documento antigo é aceito em banco, aeroporto, concurso público e serviço de saúde. Depois disso, apenas CIN, CNH e passaporte servirão como identificação oficial. Vale guardar essa informação com o mesmo cuidado com que se guarda o próprio documento, porque a transição de seis anos faz muita gente esquecer, e aí a lembrança vem no pior momento possível: no balcão do embarque ou na porta da prova. Curiosamente, esse hábito de adiar o que parece distante aparece em vários estudos sobre hábitos de organização pessoal, e é justamente o que separa quem resolve cedo de quem paga o preço da pressa.
Cuidado com o golpe do prazo
Toda mudança documental grande vem acompanhada de gente querendo lucrar com a confusão.
Não existe cobrança para agendar a primeira via, nem site particular autorizado a emitir a CIN. O agendamento é feito exclusivamente pelos canais oficiais do instituto de identificação do seu estado, e a versão digital sai apenas no aplicativo gov.br. Desconfie de link recebido por mensagem anunciando prazo curto ou multa, porque nenhum dos dois existe. Prestar atenção a esse tipo de sinal é o mesmo tipo de leitura que a psicologia observa nos processos de decisão sob pressão: a urgência artificial é a ferramenta preferida de quem quer que você não pense.
O que convém lembrar sobre a troca do RG
O RG antigo vale até 28 de fevereiro de 2032, e a partir de 1º de março daquele ano só CIN, CNH e passaporte servem como identificação. A troca é gratuita na primeira via e gradual, então não há motivo para enfrentar fila agora. Mas se você mudou de nome, perdeu o documento, ele está danificado ou vai viajar ao Mercosul, a substituição já é necessária. O número novo é o seu CPF, e a versão digital fica no app gov.br.
Este conteúdo tem finalidade informativa e reflete as regras vigentes na data de publicação. Consulte o instituto de identificação do seu estado para confirmar documentos exigidos, taxas de segunda via e agendamento.



