Em muitas cidades, as casas são identificadas apenas por números. Em Conservatória, distrito de Valença, no interior do Rio de Janeiro, boa parte das fachadas traz também o nome de uma música. São placas com títulos e autores de canções de seresta, escolhidas pelos próprios moradores, em um projeto criado há mais de seis décadas. À noite, seresteiros saem pelas ruas cantando, mantendo viva uma tradição que transformou o distrito em referência nacional da seresta.
Por que as casas de Conservatória têm nomes de músicas?
Por causa de um projeto dos seresteiros locais. Segundo a Prefeitura de Valença, a maioria das casas de Conservatória tem, na fachada principal, uma placa com o nome e a autoria de uma música de seresta, escolhida pelo próprio morador. A colocação acontece à noite, em uma cerimônia em que os seresteiros saem do museu da cidade cantando até a casa.
O momento é especial para quem recebe a placa. A Prefeitura registra que, enquanto a placa é fixada na fachada, os seresteiros cantam a música escolhida. Assim, cada casa passa a ter sua própria trilha sonora, que pode ser cantada sempre que a serenata passa diante dela.

Quem criou o projeto das placas?
Dois irmãos seresteiros. Segundo a Secretaria de Cultura de Valença, os irmãos José Borges de Freitas Neto e Joubert Cortines de Freitas entraram para o grupo de seresteiros de Conservatória em 1938 e, em 1960, criaram o projeto Em Cada Casa uma Canção, para perpetuar as músicas brasileiras de amor ligadas à tradição local.
O projeto chegou a centenas de casas. A Secretaria de Cultura informa que a tradição de colocar novas placas se encerrou em 2003, depois da morte de José Borges, no ano anterior, com a fixação da última das 403 placas de canções. Hoje, elas formam um roteiro musical a céu aberto pelas ruas do distrito.
Como a tradição da seresta se formou?
A história da seresta em Conservatória atravessa mais de um século. Estes são alguns marcos citados pela Prefeitura e pela Secretaria de Cultura.
O que é o Museu da Seresta?
A antiga casa dos irmãos fundadores. Segundo a Prefeitura de Valença, o Museu da Seresta e Serenata funciona em uma casa construída na segunda metade do século XIX, que foi residência dos irmãos Joubert e José Borges entre 1960 e 1970. O nome surgiu do hábito de José Borges de colar nas paredes frases de músicas, retratos e notícias sobre a seresta.
O museu é também ponto de encontro. A Prefeitura registra que ali se apresentam cantores acompanhados de violão, cavaquinho e outros instrumentos. Segundo o portal Diário do Rio, Conservatória fica a cerca de 148 km da capital e mantém programação cultural ao longo do ano, o que atrai visitantes interessados em música e história.

Como é o clima de Valença ao longo do ano?
O verão é muito chuvoso, e o inverno, seco e ameno. Janeiro concentra 305 mm de chuva em média, enquanto junho e julho registram 30 mm, com mínima de 13°C em julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Um distrito em que cada casa tem sua canção
Conservatória mostra como a música pode moldar a identidade de um lugar. O projeto criado pelos irmãos José Borges e Joubert de Freitas em 1960 deixou 403 placas com nomes de canções nas fachadas, e as serenatas que saem do museu da seresta seguem passando diante delas. No distrito de Valença, caminhar pelas ruas é ouvir, mesmo em silêncio, uma trilha sonora escolhida por cada morador.
Você precisa caminhar pelas ruas de Conservatória lendo os nomes das canções nas fachadas e acompanhar uma serenata à noite para entender por que esse distrito do Vale do Café é a terra da seresta.




