A prática antiga de enterrar pregos enferrujados nos vasos de plantas é um dos conselhos de jardinagem mais persistentes, mas sua eficácia é quimicamente questionável. Embora a intenção seja fornecer nutrientes vitais, a forma como as raízes absorvem minerais torna esse método extremamente lento e pouco eficiente para casos de emergência.
O que é a clorose férrica e como identificá-la?
Quando uma planta sofre de deficiência de ferro, ela desenvolve uma condição visual chamada clorose férrica. O sintoma clássico é o amarelamento das folhas novas, enquanto as nervuras permanecem verde-escuras, criando um contraste nítido.
O ferro é essencial para a produção de clorofila, o pigmento responsável pela fotossíntese e pela cor verde. Sem ele, a planta literalmente morre de fome por incapacidade de processar a luz solar, definhando lentamente.

Por que a ferrugem sólida não funciona imediatamente?
A ferrugem visível nos pregos é, quimicamente, óxido de ferro, um composto que é praticamente insolúvel em água. Para que as raízes consigam absorver qualquer nutriente, ele precisa estar dissolvido na solução do solo, ou seja, em forma líquida e iônica.
Enterrar um objeto metálico libera partículas minúsculas, mas a taxa de conversão desse metal sólido para uma forma biodisponível pode levar anos. Em um vaso pequeno, a planta provavelmente morrerá de clorose antes que o prego libere uma quantidade significativa de nutriente utilizável.
Entenda a diferença de absorção entre os métodos de suplementação na tabela abaixo:
| Fonte de Ferro | Solubilidade | Tempo de Resposta |
| Prego Enferrujado | Nula (Sólido) | Anos (Ineficaz a curto prazo) |
| Sulfato de Ferro | Média | Semanas |
| Quelato de Ferro | Alta (Líquido) | Dias (Imediato) |
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A solução real: o uso de quelatos de ferro
Para tratar uma planta doente, a solução técnica correta é o uso de quelatos de ferro, encontrados em lojas de jardinagem. O processo de quelatação envolve “embrulhar” o átomo de ferro em uma molécula orgânica que o protege de reagir com o solo e o mantém solúvel para a raiz.
Essa forma química garante que a absorção radicular seja imediata, revertendo o amarelamento das folhas em poucos dias. É como oferecer comida pronta para a planta, em vez de dar a ela os ingredientes brutos e esperar que ela cozinhe.

Existe algum cenário onde o prego ajuda?
Em solos levemente ácidos, a oxidação do metal pode ocorrer um pouco mais rápido, tornando o prego uma medida preventiva de longuíssimo prazo, mas nunca curativa. Jardineiros que cultivam espécies acidófilas, como azaleias ou mirtilos, podem ver algum benefício marginal após várias estações.
No entanto, o risco mecânico de danificar as raízes sensíveis ao cavar para enterrar o metal supera os benefícios. Além disso, há o risco de segurança para o próprio jardineiro manusear objetos oxidados e pontiagudos na terra.
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A química do solo dita a saúde do jardim
- O prego libera óxido de ferro insolúvel, que a planta não consegue “comer” imediatamente.
- A clorose férrica exige tratamento rápido com ferro quelatado para evitar a morte da planta.
- O método caseiro é um mito romântico que falha na urgência biológica da nutrição vegetal.










