No noroeste de São Paulo, a cerca de 420 km da capital, Urupês construiu uma identidade própria baseada em uma indústria que nasceu dentro de casa e ganhou escala nacional. Conhecida como “Capital do Jeans”, a cidade reúne cerca de 70 fábricas do setor, responsáveis por abastecer lojas de diferentes regiões do país. O que começou com uma pequena confecção familiar se transformou na principal atividade econômica local.
Como uma pequena confecção familiar criou a Capital do Jeans?
A história da indústria do jeans em Urupês começou em 1985, quando uma mãe e seu filho abriram a primeira confecção especializada da cidade. A experiência adquirida pelos trabalhadores ao longo dos anos criou um movimento de empreendedorismo: antigos funcionários aprenderam o processo de produção, deixaram a empresa inicial e abriram seus próprios negócios.
Esse ciclo transformou uma economia antes ligada principalmente à agricultura em um polo têxtil reconhecido no estado. Atualmente, a cadeia produtiva envolve diversas etapas, desde o corte e a costura até o acabamento das peças, que chegam ao comércio de várias partes do Brasil. O setor representa cerca de 60% dos empregos formais do município.
O crescimento da atividade levou Urupês a receber o reconhecimento como único Arranjo Produtivo Local (APL) de jeans do Estado de São Paulo, concedido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo estadual. A classificação permite que o município apresente projetos e busque investimentos para fortalecer a produção, incluindo iniciativas como fábrica-escola e aquisição de equipamentos modernos para qualificação profissional.

Por que a indústria cresce, mas ainda faltam profissionais qualificados?
O avanço do setor do jeans criou uma situação curiosa em Urupês: as fábricas continuam ampliando a produção, mas encontram dificuldade para contratar trabalhadores especializados. A procura por costureiros, cortadores e revisores é maior que a quantidade de profissionais disponíveis, criando um desafio para um polo que depende diretamente da mão de obra técnica.
A falta de trabalhadores já movimenta cidades próximas como Irapuã, Sales e Ibirá, de onde muitos profissionais se deslocam diariamente para atuar nas confecções urupeenses. O resultado é uma cadeia econômica que ultrapassa os limites do município e fortalece toda a microrregião.
Para reduzir essa diferença entre oferta e demanda, a Prefeitura de Urupês criou oficinas gratuitas de corte e costura na Casa da Juventude, localizada próxima à rodoviária. O projeto oferece seis turmas com 25 vagas cada, destinadas a maiores de 18 anos, com materiais fornecidos pelo poder público. As aulas ensinam técnicas voltadas ao jeans e também a tecidos mais delicados. Alguns participantes que começaram em funções iniciais, como recolhimento de peças, conseguiram alcançar cargos de liderança em menos de dois anos após a capacitação.

O que Urupês produz além de jeans?
A capital do jeans também é potência agrícola. Urupês figura como o segundo maior produtor de limão-taiti do Brasil, com cerca de 350 propriedades cultivando 3,5 mil hectares e uma colheita anual de 89 mil toneladas. O fruto, na verdade uma lima ácida, diversifica a economia e complementa a renda rural do município.
Outro dado que poucos conhecem: a cidade já teve papel decisivo na cafeicultura brasileira. O Café Mundo Novo, uma das cinco principais variedades de arábica do país, foi desenvolvido ali a partir de pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) iniciadas em 1943. O nome do café homenageia Mundo Novo, como a cidade se chamava antes de virar Urupês, conforme registro da Prefeitura.
O vídeo do canal Djalma Travels explora a cidade de Urupês, no interior de São Paulo, questionando se vale a pena morar na região. Com pouco mais de 13 mil habitantes e localizada a cerca de 400 km da capital, a cidade é apresentada como um refúgio de tranquilidade e segurança
O nome que veio de um livro de Monteiro Lobato
Antes de se chamar Urupês, a cidade era Mundo Novo. O nome original nasceu na década de 1880, quando o sertanista João Pereira avistou a paisagem do alto de uma elevação e exclamou “Êta, Mundo Novo!”. Em 1943, ao descobrirem que outro município brasileiro já levava o mesmo nome, a solução veio da literatura.
A cidade adotou Urupês em homenagem ao livro de Monteiro Lobato publicado em 1918, obra que criou o personagem Jeca Tatu. Na língua tupi, “urupê” designa um cogumelo do tipo orelha-de-pau. O decreto estadual nº 14.334, de novembro de 1944, oficializou a troca. A ironia é que a cidade batizada por um retrato do atraso rural se reinventou como referência industrial do interior paulista.
O que visitar na capital do jeans no noroeste paulista?
Quem vai a Urupês para comprar no atacado encontra também opções de lazer entre uma fábrica e outra. A cidade é compacta e acolhedora.
- Parque Municipal Mário Covas (Parque dos Lagos): principal área verde da cidade, com lagos, pista de caminhada, quadra de tênis, playground e academia ao ar livre.
- Igreja Matriz de São Lourenço: abriga uma relíquia com fragmento do osso de São Lourenço, padroeiro da cidade, em altar-mor de arquitetura marcante.
- Lojas e fábricas de jeans: dezenas de confecções vendem no atacado e varejo direto ao consumidor, com preços abaixo do mercado convencional.
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Quando ir a Urupês e como é o clima da cidade?
O calor predomina o ano todo, com verões chuvosos e invernos secos. A melhor época para compras de atacado é entre março e setembro, quando a produção atinge o pico.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Qual é o caminho até a Capital do Jeans paulista?
Urupês fica a aproximadamente 420 km de São Paulo, com acesso pelas rodovias SP-310 e SP-304, em uma viagem de cerca de 5 horas de carro. Para quem parte de São José do Rio Preto, o trajeto é bem mais curto: são menos de 80 km, pouco mais de 1 hora de deslocamento. O município também possui terminal rodoviário com linhas intermunicipais que conectam a cidade a outras regiões do noroeste paulista.
Uma pequena cidade que costura uma história gigante
Urupês mostra como uma atividade iniciada de forma familiar pode transformar completamente o destino de um município. Em quatro décadas, uma única confecção deu origem a um polo com cerca de 70 fábricas, fazendo o jeans produzido na cidade chegar a diferentes partes do Brasil.
O município carrega no próprio nome uma ligação com a literatura de Monteiro Lobato, mas é o som das máquinas de costura que define o cotidiano atual. Entre tecidos, cortes e acabamentos, uma cidade de aproximadamente 14 mil habitantes construiu sua própria identidade e se tornou referência paulista na produção de denim.
Visitar Urupês é entender como o interior brasileiro transforma criatividade, trabalho e tradição em uma indústria capaz de vestir milhões de pessoas pelo país.




