Os restos mortais do rei Ricardo III da Inglaterra foram encontrados em setembro de 2012, durante uma escavação arqueológica sob um estacionamento em Leicester. O monarca havia morrido em batalha em 1485, e seu túmulo permaneceu perdido por mais de 500 anos. A identificação foi possível graças à combinação de documentos históricos, análises dos ossos e testes de DNA.
Como o corpo de Ricardo III foi encontrado debaixo de um estacionamento?
A descoberta começou com um projeto de pesquisa realizado pela Universidade de Leicester, em parceria com a Sociedade Ricardo III e autoridades municipais. Os pesquisadores procuravam vestígios do antigo convento franciscano de Grey Friars, onde documentos históricos indicavam que o rei havia sido sepultado. O terreno, porém, havia sido transformado ao longo dos séculos e era utilizado como estacionamento.
As escavações começaram em agosto de 2012, e o esqueleto foi retirado do solo em 5 de setembro daquele ano. Segundo a Universidade de Leicester, os arqueólogos encontraram restos humanos com uma curvatura acentuada na coluna e sinais de ferimentos de batalha. A localização da sepultura, dentro da antiga igreja, também correspondia aos registros sobre o enterro do monarca.

Quem foi Ricardo III e por que seu túmulo ficou perdido?
Ricardo III governou a Inglaterra entre 1483 e 1485, durante um período marcado por disputas pelo trono conhecidas como Guerra das Rosas. Integrante da dinastia Plantageneta, ele chegou ao poder após a morte de seu irmão, Eduardo IV. Seu reinado terminou em 22 de agosto de 1485, quando foi derrotado pelas forças de Henrique Tudor na Batalha de Bosworth.
Depois da morte, o corpo foi levado para Leicester e enterrado na igreja do convento de Grey Friars. Durante o século XVI, a dissolução dos mosteiros ingleses provocou mudanças e demolições em diversas instituições religiosas, incluindo o local da sepultura. Com o desaparecimento das construções originais, a localização exata do túmulo acabou sendo esquecida, alimentando dúvidas sobre o destino dos restos mortais.
Como os testes de DNA confirmaram a identidade do rei inglês?
A identificação não dependeu apenas da posição da sepultura. Os pesquisadores analisaram a idade aproximada, os ferimentos, a estrutura óssea e a datação por radiocarbono, verificando se os resultados eram compatíveis com a história de Ricardo III. O esqueleto pertencia a um homem que morreu entre 30 e 34 anos, faixa correspondente à idade do rei, morto aos 32 anos.
A prova genética envolveu a comparação do DNA mitocondrial extraído dos restos mortais com amostras de parentes vivos ligados à linhagem materna do monarca. Um dos resultados apresentou correspondência completa com Michael Ibsen, descendente dessa linhagem. Um estudo publicado na revista Nature Communications em 2014 reuniu as evidências genéticas e históricas e concluiu que a identificação era extremamente segura. A confirmação oficial já havia sido anunciada em fevereiro de 2013. Separamos esse vídeo do canal do Tinocando TV falando mais sobre esse tema:
O que os ossos revelaram sobre a aparência e a saúde de Ricardo III?
Uma das descobertas mais importantes foi a presença de escoliose acentuada, condição caracterizada por uma curvatura lateral da coluna vertebral. Isso ajudou a explicar relatos históricos de que Ricardo III possuía um ombro mais elevado que o outro. Entretanto, os exames não confirmaram a imagem exagerada de um rei corcunda, difundida principalmente por representações literárias posteriores.
Os pesquisadores também identificaram pelo menos 11 ferimentos no esqueleto, muitos deles associados aos momentos próximos à morte. As lesões na cabeça forneceram evidências sobre a violência enfrentada pelo monarca durante seu último combate. Segundo a análise osteológica da Universidade de Leicester, o esqueleto estava quase completo, apesar dos séculos enterrado. Estudos genéticos também indicaram características compatíveis com cabelos claros na juventude e olhos provavelmente azuis.
O que aconteceu com os restos mortais depois da identificação?
Após a confirmação científica, surgiu uma nova questão: onde o antigo rei deveria ser sepultado? Em vez de permanecer em instalações de pesquisa, os restos mortais receberam um novo funeral em março de 2015, na Catedral de Leicester. A cerimônia ocorreu mais de cinco séculos depois da morte do monarca, permitindo que seu túmulo voltasse a ter uma localização conhecida e acessível ao público.
A descoberta tornou-se um exemplo de como arqueologia, genética e história podem trabalhar juntas para esclarecer acontecimentos antigos. A pesquisa não resolveu todas as controvérsias sobre o governo de Ricardo III, mas confirmou seu local de sepultamento original e revelou informações sobre sua saúde e morte. Quem deseja conhecer os detalhes da investigação pode consultar o projeto oficial da Universidade de Leicester, que reúne documentos, análises científicas e informações sobre a identificação do rei.




