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Início Curiosidades

O esqueleto de um rei foi encontrado sob um estacionamento após 527 anos, com ferimentos de batalha e uma curvatura acentuada na coluna

Por Daniely Cardoso
13/10/2026
Em Curiosidades
As escavações começaram em agosto de 2012, e o esqueleto foi retirado do solo em 5 de setembro daquele ano.  // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

As escavações começaram em agosto de 2012, e o esqueleto foi retirado do solo em 5 de setembro daquele ano. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Os restos mortais do rei Ricardo III da Inglaterra foram encontrados em setembro de 2012, durante uma escavação arqueológica sob um estacionamento em Leicester. O monarca havia morrido em batalha em 1485, e seu túmulo permaneceu perdido por mais de 500 anos. A identificação foi possível graças à combinação de documentos históricos, análises dos ossos e testes de DNA.

Como o corpo de Ricardo III foi encontrado debaixo de um estacionamento?

A descoberta começou com um projeto de pesquisa realizado pela Universidade de Leicester, em parceria com a Sociedade Ricardo III e autoridades municipais. Os pesquisadores procuravam vestígios do antigo convento franciscano de Grey Friars, onde documentos históricos indicavam que o rei havia sido sepultado. O terreno, porém, havia sido transformado ao longo dos séculos e era utilizado como estacionamento.

As escavações começaram em agosto de 2012, e o esqueleto foi retirado do solo em 5 de setembro daquele ano. Segundo a Universidade de Leicester, os arqueólogos encontraram restos humanos com uma curvatura acentuada na coluna e sinais de ferimentos de batalha. A localização da sepultura, dentro da antiga igreja, também correspondia aos registros sobre o enterro do monarca.

A localização da sepultura, dentro da antiga igreja, também correspondia aos registros sobre o enterro do monarca. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Quem foi Ricardo III e por que seu túmulo ficou perdido?

Ricardo III governou a Inglaterra entre 1483 e 1485, durante um período marcado por disputas pelo trono conhecidas como Guerra das Rosas. Integrante da dinastia Plantageneta, ele chegou ao poder após a morte de seu irmão, Eduardo IV. Seu reinado terminou em 22 de agosto de 1485, quando foi derrotado pelas forças de Henrique Tudor na Batalha de Bosworth.

Depois da morte, o corpo foi levado para Leicester e enterrado na igreja do convento de Grey Friars. Durante o século XVI, a dissolução dos mosteiros ingleses provocou mudanças e demolições em diversas instituições religiosas, incluindo o local da sepultura. Com o desaparecimento das construções originais, a localização exata do túmulo acabou sendo esquecida, alimentando dúvidas sobre o destino dos restos mortais.

Como os testes de DNA confirmaram a identidade do rei inglês?

A identificação não dependeu apenas da posição da sepultura. Os pesquisadores analisaram a idade aproximada, os ferimentos, a estrutura óssea e a datação por radiocarbono, verificando se os resultados eram compatíveis com a história de Ricardo III. O esqueleto pertencia a um homem que morreu entre 30 e 34 anos, faixa correspondente à idade do rei, morto aos 32 anos.

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A prova genética envolveu a comparação do DNA mitocondrial extraído dos restos mortais com amostras de parentes vivos ligados à linhagem materna do monarca. Um dos resultados apresentou correspondência completa com Michael Ibsen, descendente dessa linhagem. Um estudo publicado na revista Nature Communications em 2014 reuniu as evidências genéticas e históricas e concluiu que a identificação era extremamente segura. A confirmação oficial já havia sido anunciada em fevereiro de 2013. Separamos esse vídeo do canal do Tinocando TV falando mais sobre esse tema:

O que os ossos revelaram sobre a aparência e a saúde de Ricardo III?

Uma das descobertas mais importantes foi a presença de escoliose acentuada, condição caracterizada por uma curvatura lateral da coluna vertebral. Isso ajudou a explicar relatos históricos de que Ricardo III possuía um ombro mais elevado que o outro. Entretanto, os exames não confirmaram a imagem exagerada de um rei corcunda, difundida principalmente por representações literárias posteriores.

Os pesquisadores também identificaram pelo menos 11 ferimentos no esqueleto, muitos deles associados aos momentos próximos à morte. As lesões na cabeça forneceram evidências sobre a violência enfrentada pelo monarca durante seu último combate. Segundo a análise osteológica da Universidade de Leicester, o esqueleto estava quase completo, apesar dos séculos enterrado. Estudos genéticos também indicaram características compatíveis com cabelos claros na juventude e olhos provavelmente azuis.

O que aconteceu com os restos mortais depois da identificação?

Após a confirmação científica, surgiu uma nova questão: onde o antigo rei deveria ser sepultado? Em vez de permanecer em instalações de pesquisa, os restos mortais receberam um novo funeral em março de 2015, na Catedral de Leicester. A cerimônia ocorreu mais de cinco séculos depois da morte do monarca, permitindo que seu túmulo voltasse a ter uma localização conhecida e acessível ao público.

A descoberta tornou-se um exemplo de como arqueologia, genética e história podem trabalhar juntas para esclarecer acontecimentos antigos. A pesquisa não resolveu todas as controvérsias sobre o governo de Ricardo III, mas confirmou seu local de sepultamento original e revelou informações sobre sua saúde e morte. Quem deseja conhecer os detalhes da investigação pode consultar o projeto oficial da Universidade de Leicester, que reúne documentos, análises científicas e informações sobre a identificação do rei.

Tags: arqueologiaciênciahistóriaRealeza
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