A constipação crônica é um problema intestinal que acompanha a pessoa por longos períodos, com evacuações difíceis, pouco frequentes e, muitas vezes, dolorosas. Em muitos casos, além da orientação médica e de mudanças na alimentação, algumas plantas medicinais, como a sene, passam a ser avaliadas como alternativa complementar, exigindo cuidado por envolver substâncias com ação direta sobre o intestino grosso.
Como o sene atua na constipação crônica
O sene é conhecido há séculos na fitoterapia por seu efeito laxante, mas hoje o entendimento sobre constipação crônica é mais amplo e inclui fatores como estilo de vida, baixa ingestão de fibras, uso de medicamentos e alterações hormonais. Assim, o sene costuma ser visto como um recurso pontual, e não como única estratégia para lidar com o intestino preso a longo prazo.
As folhas e frutos do sene concentram compostos chamados antraquinonas (principalmente senosídeos), que estimulam a motilidade do intestino grosso e aumentam a quantidade de água nas fezes. Esse efeito combinado favorece a evacuação em um intervalo que costuma variar de 6 a 12 horas após o uso, tornando-o um laxante de ação relativamente rápida.

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Quais são os mecanismos de ação do sene no intestino grosso
Em termos práticos, o sene age em duas frentes principais: acelera o trânsito intestinal e reduz a reabsorção de água pelo cólon, tornando as fezes mais macias e volumosas. Essa ação explica por que o sene é classificado como um laxante estimulante, diferente de fibras ou laxantes formadores de bolo fecal.
Nos casos de constipação crônica, essa planta costuma ser utilizada em situações específicas, como períodos de piora do quadro ou quando as medidas dietéticas e de hidratação não mostram efeito suficiente. O uso prolongado é motivo de atenção, devido ao risco de dependência do intestino ao estímulo constante e de perda de eletrólitos, como potássio.
Quando o uso de sene é indicado e quais cuidados são necessários
O sene é, em geral, indicado para constipação ocasional ou por períodos curtos em pessoas com constipação crônica, sempre com orientação profissional. Em muitos protocolos atuais, recomenda-se que ele seja considerado apenas depois de testar medidas como aumento da ingestão de água, inclusão de fibras solúveis e insolúveis, prática de atividade física e ajustes de medicamentos que possam prender o intestino.
Antes de recorrer ao sene, costumam ser avaliados alguns pontos básicos que ajudam a definir se o uso é adequado e seguro para cada pessoa:
- Há quanto tempo a constipação está presente e com que frequência ocorre.
- Se existem sintomas de alerta, como sangue nas fezes, perda de peso não explicada ou dor abdominal intensa.
- Uso de remédios que favorecem o intestino preso, como alguns antidepressivos, opioides ou suplementos de ferro.
- Histórico de doenças intestinais inflamatórias ou cirurgias abdominais prévias.
Quais formas de uso do sene são mais comuns e quais grupos exigem atenção
De maneira geral, recomenda-se preferir produtos padronizados, com indicação clara da quantidade de senosídeos e uso noturno, pois o efeito costuma aparecer na manhã seguinte. A ingestão adequada de água ao longo do dia é essencial para reduzir risco de desidratação e cólicas mais intensas.
Além disso, o sene não costuma ser recomendado para emagrecimento ou “limpezas intestinais” repetidas. Em gestantes, lactantes, crianças pequenas e pessoas com doenças intestinais inflamatórias, cardíacas ou renais, o uso só deve ocorrer com orientação médica específica e acompanhamento regular. Se você gosta de ouvir especialistas, separamos esse vídeo do Dr Juliano Teles mostrando os benefícios do chá de sene:
Quais são os possíveis efeitos colaterais e riscos do sene
O uso inadequado de sene pode provocar cólicas abdominais, diarreia intensa, perda de eletrólitos (principalmente potássio), fraqueza e irritação da mucosa intestinal, especialmente quando há abuso ou uso contínuo por meses. Em indivíduos mais sensíveis, até doses baixas podem causar desconforto importante e necessidade de ajuste rápido.
Alguns riscos associados ao uso prolongado ou em altas doses incluem dependência intestinal, desequilíbrio eletrolítico com possível interferência no ritmo cardíaco, irritação crônica da mucosa com alterações pigmentares no cólon e interação com diuréticos ou outros medicamentos que alteram eletrólitos.
Resumo em tabela sobre o uso do sene na constipação crônica
Por esses motivos, em 2025, diretrizes de manejo da constipação crônica costumam colocar os laxantes estimulantes, como o sene, em segundo ou terceiro passo, após abordagens mais suaves. O monitoramento médico é especialmente relevante em idosos, pessoas com múltiplos medicamentos e pacientes com doenças cardíacas ou renais.
O quadro abaixo apresenta um resumo das principais informações sobre o uso de sene para constipação crônica, facilitando a visualização dos pontos centrais e reforçando seu papel como ferramenta complementar dentro de um plano de cuidado mais amplo.
Com essas informações, a planta sene passa a ser entendida como uma ferramenta possível no manejo da constipação crônica, desde que inserida em um plano mais amplo de cuidado, que considere causas, hábitos diários e acompanhamento de saúde contínuo.









