Uma pequena escultura budista comprada por cerca de US$ 75 a US$ 100 em uma venda de garagem nos Estados Unidos acabou se transformando em uma peça milionária. Depois de permanecer quase duas décadas com a compradora, a obra foi identificada, avaliada e vendida por US$ 2,06 milhões em 2019. Em setembro de 2026, ela voltou a um leilão da Sotheby’s e novamente alcançou valor próximo dos US$ 2 milhões.
A compra aconteceu em uma venda de garagem no Missouri
A proprietária encontrou a peça em uma venda realizada em Kirkwood, no estado americano do Missouri, por volta de 1999. Mesmo com partes faltando e o douramento desgastado, ela gostou da escultura e decidiu levá-la para casa, pagando, segundo seu próprio relato, entre US$ 75 e US$ 100.
O objeto tinha pertencido anteriormente à coleção de Trezevant Branam Winfrey, morto naquele mesmo ano. A procedência posteriormente registrada pela Sotheby’s indica que a escultura já estava na coleção de Winfrey pelo menos desde 1968, detalhe que se tornaria relevante quando especialistas começaram a reconstruir sua história.

Um programa de TV revelou que havia algo muito mais valioso
A virada ocorreu quando a dona levou a peça a uma avaliação do programa Antiques Roadshow, da PBS, em St. Louis. Na ocasião, o especialista Robert Waterhouse estimou um valor de varejo entre US$ 100 mil e US$ 125 mil, muito acima do que ela havia desembolsado anos antes.
A avaliação inicial identificava a peça como um bronze chinês do início do século XV. Uma análise posterior feita para o mercado de arte, porém, levou a uma datação ainda mais antiga e a uma identificação diferente, mostrando como atribuição e procedência podem mudar conforme uma obra passa por estudos especializados.
Especialistas identificaram uma rara figura budista chinesa
A Sotheby’s classificou a obra como uma representação de Chintamanichakra Avalokiteshvara, uma forma do bodhisattva Avalokiteshvara, também conhecido como Guanyin na tradição chinesa. Feita em bronze dourado e com apenas 16,5 centímetros de altura, ela foi atribuída ao final da Dinastia Tang ou ao período das Cinco Dinastias.
A representação originalmente possui seis braços e inclui elementos ligados à iconografia budista, como a joia cintamani, a roda do dharma, um lótus e um rosário. A própria Sotheby’s explicou a iconografia da peça ao destacar sua venda em 2019, quando o objeto se tornou um dos casos mais comentados daquela temporada de arte asiática.
O primeiro leilão transformou dezenas de dólares em milhões
Em 20 de março de 2019, a escultura entrou em uma venda de arte chinesa da Sotheby’s em Nova York com estimativa entre US$ 60 mil e US$ 80 mil. A disputa durou cerca de sete minutos e terminou em US$ 2,06 milhões, incluindo as taxas do leilão.
O resultado representou mais de 20 mil vezes o preço aproximado pago na venda de garagem. O caso também mostrou que o estado imperfeito da peça não eliminava seu interesse para colecionadores: embora apresentasse perdas de douramento e partes ausentes, raridade, antiguidade, qualidade artística e procedência pesaram fortemente em sua valorização.

A mesma escultura voltou ao mercado em 2026
Sete anos depois, a obra reapareceu na venda Chinese Art da Sotheby’s em Nova York, realizada em 16 de setembro de 2026. O catálogo oficial do lote 63 elevou a estimativa para uma faixa entre US$ 600 mil e US$ 800 mil e confirmou a passagem da peça pelo leilão de 2019.
Desta vez, o martelo chegou a US$ 1,6 milhão e o preço final, com taxas, ficou em aproximadamente US$ 2,048 milhões. O valor foi ligeiramente inferior aos US$ 2,06 milhões registrados sete anos antes, mas confirmou que o interesse do mercado pela pequena escultura continuava extremamente elevado.
O caso mostra quando uma peça antiga merece avaliação profissional
O episódio não significa que qualquer objeto encontrado em brechós ou vendas de garagem esconda uma fortuna. O ponto prático é outro: peças com origem incomum, idade aparente, inscrições, técnicas artesanais ou características difíceis de identificar podem merecer uma análise antes de serem descartadas, restauradas ou vendidas por valores baixos.
Também é recomendável evitar limpezas agressivas e reparos caseiros antes de uma avaliação, pois intervenções podem comprometer materiais antigos e reduzir informações úteis para especialistas. No caso da escultura comprada no Missouri, manter o objeto por quase duas décadas e depois buscar uma avaliação especializada foi o passo que revelou que uma compra de menos de US$ 100 era, na verdade, uma obra avaliada em milhões.




