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Início Curiosidades

Especialistas em psicologia concordam: “Pessoas que mantêm bons hábitos por anos não dependem de motivação, mas sim começam com passos mínimos.”

Por Daniely Cardoso
09/10/2026
Em Curiosidades
Uma das estratégias utilizadas para desenvolver hábitos é reduzir o tamanho da tarefa inicial.

Uma das estratégias utilizadas para desenvolver hábitos é reduzir o tamanho da tarefa inicial.

Manter bons hábitos por anos não depende apenas de motivação ou força de vontade. Segundo pesquisas da psicologia, o segredo pode estar em começar com pequenas ações e repeti-las até que façam parte da rotina, sem exigir tanto esforço mental.

Por que a motivação não é suficiente para manter bons hábitos?

A motivação costuma ser mais intensa quando alguém decide mudar de comportamento. Começar uma atividade física, melhorar a alimentação ou estudar diariamente parece mais fácil nos primeiros dias, mas o entusiasmo pode diminuir diante do cansaço, do trabalho e dos imprevistos. É nesse momento que a dependência da motivação pode atrapalhar a continuidade.

Na psicologia comportamental, a repetição em situações semelhantes ajuda a transformar ações planejadas em comportamentos mais automáticos. Isso significa que uma pessoa não precisa sentir a mesma disposição todos os dias para continuar fazendo algo. Quando uma atividade passa a fazer parte da rotina diária, sua execução tende a exigir menos decisões conscientes.

Uma pessoa que pretende criar o hábito da leitura pode encontrar dificuldades ao estabelecer a meta de terminar vários livros em pouco tempo.

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O que a ciência descobriu sobre a formação de hábitos?

Uma pesquisa conduzida por Phillippa Lally e outros pesquisadores do University College London acompanhou 96 voluntários durante 12 semanas. Os participantes escolheram comportamentos relacionados à alimentação, ao consumo de bebidas ou à atividade física e procuraram repeti-los diariamente em situações específicas, como depois do café da manhã.

O estudo, publicado no European Journal of Social Psychology, encontrou um tempo mediano de aproximadamente 66 dias para a formação de um hábito mais automático. Entretanto, os resultados variaram de 18 a 254 dias nas estimativas analisadas. Isso mostra que não existe um prazo universal para incorporar um novo comportamento.

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Começar com passos mínimos pode facilitar a mudança

Uma das estratégias utilizadas para desenvolver hábitos é reduzir o tamanho da tarefa inicial. Em vez de estabelecer uma meta de uma hora de exercícios diariamente, por exemplo, a pessoa pode começar com uma caminhada curta. O objetivo é tornar a primeira ação suficientemente simples para que ela consiga repeti-la mesmo nos dias mais ocupados.

A pesquisadora Christine Carter, ligada ao Greater Good Science Center da Universidade da Califórnia em Berkeley, defende a utilização de pequenos passos para facilitar mudanças comportamentais. Essa abordagem ajuda a diminuir a resistência ao início de uma tarefa. A proposta não é permanecer para sempre em uma atividade mínima, mas construir regularidade antes de aumentar gradualmente a dificuldade.

A repetição pode ser mais importante do que a intensidade

Uma pessoa que pretende criar o hábito da leitura pode encontrar dificuldades ao estabelecer a meta de terminar vários livros em pouco tempo. Ler duas páginas diariamente, por outro lado, pode ser mais viável. A repetição permite associar o comportamento a um momento conhecido, como antes de dormir ou depois do jantar.

O mesmo princípio pode ser aplicado à organização da casa, aos estudos e a outras atividades. Separar cinco minutos para uma tarefa pode ajudar a estabelecer um ponto de partida, embora não exista garantia de que isso funcione igualmente para todos. O aspecto central é repetir a ação em um contexto consistente, criando uma associação entre determinada situação e o comportamento desejado.

Uma pessoa que pretende criar o hábito da leitura pode encontrar dificuldades ao estabelecer a meta de terminar vários livros em pouco tempo.

Perder um dia significa começar tudo novamente?

Um resultado interessante da pesquisa de Phillippa Lally mostrou que deixar de realizar uma atividade em uma ocasião isolada não prejudicou significativamente o processo de formação do hábito. Portanto, esquecer uma caminhada ou interromper uma rotina de estudos por um dia não significa necessariamente perder todo o progresso. A regularidade ao longo do tempo importa mais do que a ausência absoluta de falhas.

Isso também ajuda a entender por que metas excessivamente rígidas podem ser difíceis de sustentar. Quando uma pessoa interpreta qualquer interrupção como fracasso, pode acabar desistindo de uma mudança que estava funcionando. Retomar a atividade na próxima oportunidade é uma alternativa mais compatível com a ideia de continuidade gradual, sem transformar cada erro em motivo para abandonar o objetivo.

O ambiente também influencia a construção de hábitos

Além de escolher tarefas pequenas, organizar o ambiente pode facilitar a repetição. Deixar um livro perto da cama, preparar a roupa de caminhada na noite anterior ou manter os materiais de estudo acessíveis são exemplos de ajustes que reduzem obstáculos. Essas medidas funcionam como lembretes visuais e ajudam a conectar a atividade a uma situação cotidiana.

Outra possibilidade é associar um comportamento novo a uma rotina já estabelecida. Alguém pode decidir fazer alguns minutos de alongamento depois de escovar os dentes ou organizar a mesa após terminar o expediente. O estudo de Lally reforça a importância dessa associação com o contexto, embora a eficácia de cada estratégia dependa das características da pessoa e da atividade escolhida.

Como começar um hábito e conseguir mantê-lo por mais tempo?

O primeiro passo é escolher uma mudança específica e definir uma versão pequena que possa ser realizada com frequência. Em vez de estabelecer várias metas ao mesmo tempo, pode ser mais prático começar com uma atividade e observar como ela se encaixa no cotidiano. O acompanhamento deve considerar a facilidade de repetição, e não apenas a quantidade de resultados alcançados nos primeiros dias.

Com a rotina mais estável, a dificuldade pode aumentar de maneira gradual, respeitando as condições individuais. Também é útil revisar obstáculos, ajustar horários e evitar cobranças excessivas quando ocorrerem interrupções. A principal lição das pesquisas é que hábitos duradouros não precisam nascer de grandes mudanças: ações pequenas, repetidas em condições favoráveis, podem criar uma base mais consistente para transformar o comportamento.

Tags: comportamentoprodutividadepsicologiaSaúde
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