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A psicologia confirma que aqueles nascidos entre 1945 e 1965 possuem habilidades superiores em comparação com a geração dos anos 90 e 2000

Por Daniely Cardoso
03/10/2026
Em Curiosidades
Essa parte da escala avaliava, entre outros aspectos, como a pessoa reage a resultados adversos no trabalho ou nos estudos e a situações de competição e desvalorização.

Essa parte da escala avaliava, entre outros aspectos, como a pessoa reage a resultados adversos no trabalho ou nos estudos e a situações de competição e desvalorização.

Um estudo com 909 adultos encontrou maior tolerância à frustração entre participantes classificados como Baby Boomers quando comparados às gerações X e Millennial. O resultado, porém, não significa que uma geração seja psicologicamente superior às demais: a diferença apareceu em habilidades específicas e dentro de uma amostra mexicana.

Pesquisa comparou três gerações em quatro áreas da vida

O estudo foi conduzido pelas pesquisadoras Mónica Teresa González-Ramírez e René Landero-Hernández e publicado em 2021 na revista científica Ansiedad y Estrés. Participaram 909 pessoas: 192 Baby Boomers, 310 integrantes da geração X e 407 Millennials.

Os participantes responderam à Escala de Tolerância à Frustração, composta por 28 itens. O instrumento avaliou quatro dimensões: pessoal, social, profissional e familiar, observando aspectos como paciência diante de resultados adversos, controle de impulsos e capacidade de continuar uma atividade mesmo quando as coisas não saem como esperado.

Baby Boomers tiveram os maiores resultados em três dimensões

Na comparação entre os grupos, os Baby Boomers apresentaram resultados superiores nas dimensões pessoal, social e profissional. Os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre esse grupo e as duas gerações mais jovens nessas áreas, indicando uma maior tolerância diante de determinados tipos de frustração na amostra analisada.

Na dimensão familiar, entretanto, não houve diferença significativa entre as três gerações. Isso mostra por que afirmar simplesmente que os mais velhos possuem uma “habilidade superior” pode ser enganoso: os resultados variaram conforme o contexto avaliado e não apontaram vantagem em todas as situações.

Os Millennials apresentaram a menor média geral de tolerância à frustração, com a diferença mais clara aparecendo na dimensão profissional

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Millennials tiveram o menor resultado especialmente no trabalho

Os Millennials apresentaram a menor média geral de tolerância à frustração, com a diferença mais clara aparecendo na dimensão profissional. Essa parte da escala avaliava, entre outros aspectos, como a pessoa reage a resultados adversos no trabalho ou nos estudos e a situações de competição e desvalorização.

Há outro detalhe relevante nos dados: geração X e Millennials foram considerados estatisticamente equivalentes na pontuação total após análises específicas. Entre essas duas gerações, a principal diferença identificada pelos pesquisadores apareceu justamente no campo profissional, no qual os Millennials registraram menor tolerância.

Tolerância à frustração não significa não sentir raiva ou decepção

Na abordagem utilizada pelo estudo, tolerar frustrações envolve manter paciência e capacidade de reflexão quando um desejo, projeto ou necessidade não é atendido. Isso não significa aceitar passivamente tudo o que acontece nem deixar de sentir irritação, tristeza ou desapontamento.

Uma pessoa com maior tolerância pode reconhecer que determinada situação é desagradável e ainda assim continuar tentando alcançar um objetivo ou aceitar que algumas mudanças exigem tempo. A habilidade está relacionada, portanto, à maneira de lidar com o desconforto, e não à ausência de emoções negativas.

O estudo não prova que nascer em determinada época causa a diferença

As próprias características da pesquisa pedem cautela. A amostra foi formada por mexicanos recrutados principalmente por redes sociais e pelo método conhecido como bola de neve, no qual participantes ajudam a convidar outras pessoas. Trata-se de um desenho que permite encontrar associações entre grupos, mas não comprova o que causou essas diferenças.

Além disso, a correlação entre idade e tolerância à frustração na amostra completa foi fraca. Quando cada geração foi analisada separadamente, a associação entre idade e tolerância à frustração não foi significativa. Uma revisão científica disponível no PubMed Central também aponta que as evidências sobre adultos mais velhos serem, de forma geral, melhores na regulação emocional ainda não são consistentes.

Há outro detalhe relevante nos dados: geração X e Millennials foram considerados estatisticamente equivalentes na pontuação total após análises específicas.

As datas usadas para definir cada geração também podem mudar

Os limites de nascimento utilizados na pesquisa não são universais. Para aquela amostra, os autores classificaram como Baby Boomers os nascidos entre 1951 e 1970, geração X entre 1971 e 1985 e Millennials entre 1986 e 2005. Os próprios pesquisadores observam que essas divisões podem variar de acordo com país e referência adotada.

Por isso, relacionar automaticamente o resultado a todas as pessoas nascidas entre 1945 e 1965 amplia a conclusão além do que foi efetivamente testado. O dado mais preciso é que, dentro da classificação e da população estudadas, o grupo chamado de Baby Boomer apresentou maior tolerância à frustração em três das quatro dimensões avaliadas.

Resultado ajuda a entender diferenças geracionais, mas não define indivíduos

A pesquisa oferece uma pista interessante sobre como experiências sociais, familiares, econômicas e profissionais de diferentes épocas podem estar associadas à maneira de reagir quando algo dá errado. Ainda assim, geração não determina personalidade: duas pessoas nascidas no mesmo período podem ter histórias, condições de vida e formas de enfrentar frustrações completamente diferentes.

Na prática, o estudo sustenta uma comparação específica, e não a ideia de que pessoas mais velhas sejam melhores emocionalmente em todos os aspectos. O achado mais consistente foi uma maior tolerância à frustração entre os Baby Boomers avaliados, sobretudo nas dimensões pessoal, social e profissional, enquanto na vida familiar os três grupos tiveram resultados semelhantes.

Tags: ciênciacomportamentopsicologiasociedade
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