Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
  • Automobilismo
  • Turismo
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
Início Curiosidades

A estranha história de Jean-Paul Sartre com caranguejos e a experiência de 1935 que marcou seu pensamento

Por Daniely Cardoso
04/10/2026
Em Curiosidades
Isso exige uma distinção importante. Não há base segura para afirmar simplesmente que Sartre desenvolveu, na velhice, uma neurose causada por polvos e mariscos.

Isso exige uma distinção importante. Não há base segura para afirmar simplesmente que Sartre desenvolveu, na velhice, uma neurose causada por polvos e mariscos.

Jean-Paul Sartre realmente teve uma relação perturbadora com imagens de crustáceos e criaturas marinhas, mas o episódio não surgiu na velhice. A experiência mais documentada começou em 1935, após um experimento com mescalina, e acabou se conectando de forma curiosa a temas que o filósofo desenvolveria em sua obra.

O episódio começou com mescalina, não na velhice

Em fevereiro de 1935, Sartre participou de um experimento com mescalina sob supervisão médica no hospital Sainte-Anne, em Paris. Segundo relatos de Simone de Beauvoir e estudos posteriores, objetos passaram a assumir formas ameaçadoras, enquanto caranguejos, polvos e outras figuras apareciam em sua percepção. Um estudo publicado pela Cambridge University Press examina justamente esse episódio.

Os efeitos desagradáveis não terminaram imediatamente quando a experiência acabou. Beauvoir registrou que Sartre atravessou dias de depressão e ansiedade, além de alterações perceptivas que reapareceram posteriormente. Décadas depois, em entrevistas, o próprio filósofo lembraria que imaginava caranguejos acompanhando seus passos e chegou a descrever o período como um colapso nervoso.

O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre viveu períodos de intensa turbulência na Europa e dedicou suas reflexões à liberdade radical que cada ser humano carrega. // Imagem ilustrativa

Leia também: Martin Luther King deixou uma reflexão poderosa sobre o silêncio: “Nossas vidas começam a terminar no dia em que nos calamos”

Os famosos caranguejos não eram apenas uma história excêntrica

A relação de Sartre com essas imagens virou objeto de pesquisa acadêmica. O artigo Sartre’s Crabs, publicado em Sartre Studies International, acompanha a presença dos caranguejos desde a experiência com mescalina até obras literárias do autor. O estudo trata o fenômeno como uma possível fobia e discute suas implicações psicológicas.

Isso exige uma distinção importante. Não há base segura para afirmar simplesmente que Sartre desenvolveu, na velhice, uma neurose causada por polvos e mariscos. A documentação mais sólida aponta para um episódio iniciado quando ele tinha cerca de 30 anos, envolvendo sobretudo caranguejos e polvos, com efeitos posteriores sobre sua percepção e sua maneira de interpretar aquelas imagens.

Leia Também

A famosa frase de Rousseau sobre as “correntes” ajuda a entender como leis e relações de poder podem limitar a liberdade

A famosa frase de Rousseau sobre as “correntes” ajuda a entender como leis e relações de poder podem limitar a liberdade

07/10/2026
“A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem”: a reflexão de Montesquieu sobre poder e democracia

“A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem”: a reflexão de Montesquieu sobre poder e democracia

07/10/2026
A reflexão de Confúcio sobre respeito e justiça: “O que não quero para mim, não devo querer para os outros”

A reflexão de Confúcio sobre respeito e justiça: “O que não quero para mim, não devo querer para os outros”

07/10/2026
A reflexão de Karl Marx sobre alienação revela o que acontece quando uma pessoa perde o controle sobre sua própria atividade

A reflexão de Karl Marx sobre alienação revela o que acontece quando uma pessoa perde o controle sobre sua própria atividade

07/10/2026

O “viscoso” tinha um significado filosófico próprio

A parte mais interessante da história aparece quando se compara esse episódio à análise do viscoso feita por Sartre em O Ser e o Nada, publicado originalmente em 1943. Para ele, certas qualidades materiais não são percebidas de maneira neutra: tocar algo pegajoso ou viscoso produz uma relação particular entre a consciência e aquilo que existe fora dela.

O viscoso parece sólido, mas escapa; parece líquido, mas adere. Sartre o descreve como algo que ameaça envolver quem o toca, embaralhando a separação entre sujeito e matéria. Um trecho acadêmico disponibilizado pela Cambridge University Press destaca justamente essa leitura: a viscosidade aparece como uma espécie de ameaça às fronteiras do corpo e à separação entre o indivíduo e o mundo material.

O viscoso parece sólido, mas escapa; parece líquido, mas adere. Sartre o descreve como algo que ameaça envolver quem o toca, embaralhando a separação entre sujeito e matéria. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Como isso se encaixa no existencialismo de Sartre

A ligação ganha força quando se considera a distinção sartreana entre o ser-em-si e o ser-para-si. De forma simplificada, o primeiro corresponde ao modo de existência das coisas, enquanto o segundo caracteriza a consciência humana, que pode negar o dado, projetar possibilidades e escolher. A Stanford Encyclopedia of Philosophy apresenta essa oposição como uma das bases de O Ser e o Nada.

Por isso, o viscoso pode ser entendido como uma imagem especialmente desconfortável dentro dessa filosofia. Ele sugere uma matéria que não permanece passivamente distante, mas adere e envolve, como se ameaçasse transformar o sujeito em coisa. Associar diretamente cada caranguejo ou polvo visto por Sartre a essa teoria seria especulativo, mas a proximidade temática entre suas experiências, sua literatura e sua reflexão sobre a materialidade é real e estudada.

O que permanece confirmado sobre o medo de Sartre

O ponto mais seguro é que Sartre passou por uma experiência perturbadora com mescalina em 1935 e relatou posteriormente a presença imaginária recorrente de crustáceos. Também é comprovado que sua filosofia dedicou atenção incomum ao viscoso, à náusea, à matéria e à ameaça de uma existência que simplesmente está ali, sem depender da vontade humana.

O cuidado está em não transformar esses elementos em uma única explicação psicológica. O episódio dos caranguejos, o conceito filosófico do viscoso e a defesa sartreana da liberdade humana dialogam entre si, mas não são equivalentes. A história fica mais interessante justamente assim: um dos grandes filósofos da liberdade também explorou, na própria experiência e nos livros, o desconforto provocado por aquilo que parece ameaçar a autonomia da consciência.

Tags: Culturafilosofiahistóriapsicologia
EnviarCompartilhar30Tweet19Compartilhar
    • Notícias
    • Economia
    • Entretenimento
    • Tecnologia
    • Bem-Estar
      • Beleza
    • Automobilismo
    • Turismo
      • Cidades
    • Curiosidades
    • Casa e Decoração
      • Jardinagem
    Sem resultado
    Veja todos os resultados