O papel do exercício físico na prevenção e no controle do câncer de cólon tem ganhado destaque em pesquisas recentes, especialmente quando se observa o impacto de atividades de curta duração, mas alta intensidade. O estudo “Exercise serum promotes DNA damage repair and remodels gene expression in colon cancer cells” indica que até mesmo uma sessão rápida de exercício, como cerca de 10 minutos de ciclismo intenso, já pode desencadear respostas biológicas relevantes no organismo, com reflexos diretos sobre células tumorais em ambiente de laboratório, ajudando a explicar por que pessoas mais ativas tendem a ter menor risco de desenvolver esse tipo de câncer.
Como o exercício físico afeta o câncer de cólon
A palavra-chave nesse debate é exercício físico e câncer de cólon. Quando uma pessoa realiza uma atividade intensa, como pedalar com esforço elevado por alguns minutos, o organismo passa a liberar uma série de moléculas na corrente sanguínea, incluindo mioquinas, hormônios e proteínas reguladoras que interagem com diferentes tecidos.
Dados recentes mostram que o soro sanguíneo pós-exercício pode alterar a expressão de milhares de genes em células de câncer de cólon em laboratório. Observam-se sinais de aceleração de mecanismos de reparo do DNA e redução na atividade de genes associados à proliferação tumoral, sugerindo um ambiente menos favorável ao crescimento do tumor.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Pedro Dal Bello (@pedro.dal.bello):
@pedro.dal.bello 🧬 Um estudo publicado no New England Journal of Medicine (Courneya et al., 2025) mostrou que um programa estruturado de exercício aeróbico por 3 anos, iniciado após a quimioterapia, reduziu em 28% o risco de recidiva e em 37% o risco de morte em pacientes com câncer de cólon. Uma das explicações prováveis para esses resultados tão expressivos está na melhora metabólica induzida pelo exercício: redução da resistência insulínica, modulação de fatores inflamatórios, estímulo à vigilância imunológica e modificação do microambiente tumoral em órgãos-alvo de metástase, como o fígado e os pulmões 🧠💪🔥 Esses mecanismos impactam vias de crescimento celular, inflamação crônica e angiogênese — todos sabidamente envolvidos na progressão tumoral. Mesmo sem perda de peso, os pacientes do grupo intervenção apresentaram melhora da aptidão cardiorrespiratória e da função física. Isso reforça que atividade física é uma estratégia terapêutica oncológica — e deve ser prescrita com a mesma seriedade que qualquer outro tratamento. 📚 Courneya KS et al. Structured Exercise after Adjuvant Chemotherapy for Colon Cancer. N Engl J Med. 2025 Jun 1. DOI: 10.1056/NEJMoa2502760. #Oncologia #ExercicioÉTratamento #CancerDeColon #MedicinaBaseadaEmEvidencias #PedroDalBello #NEJM #ExercicioFisico #Metabolismo #ComposiçãoCorporal ♬ som original – Pedro Dal Bello
Por que 10 minutos de exercício vigoroso já fazem diferença
Uma das questões mais discutidas hoje é se curtos períodos de exercício vigoroso podem trazer parte dos benefícios de treinos mais longos. Estudos com adultos de meia-idade e idosos com sobrepeso mostram que, após um breve aquecimento, cerca de 10 minutos de ciclismo intenso já bastam para provocar alterações detectáveis no soro sanguíneo.
Quando esse soro pós-exercício é aplicado em células de câncer de cólon em laboratório, surgem indícios de efeitos antitumorais, como maior atividade de genes de reparo, menor expressão de genes de crescimento acelerado e mudanças metabólicas que podem dificultar a expansão do tumor.
Quais efeitos do exercício podem inspirar novos tratamentos
A partir do momento em que se observa que o sangue após o exercício carrega substâncias capazes de interferir em células de câncer de cólon, surge a pergunta se é possível transformar esses mecanismos em terapias. Pesquisadores têm considerado duas frentes principais que visam aproveitar essas respostas biológicas de forma mais direcionada.
Entre as estratégias em investigação destacam-se:
- Imitar os efeitos do exercício com medicamentos que reproduzam alterações bioquímicas benéficas, como aumento do reparo do DNA e modulação de vias metabólicas específicas;
- Potencializar tratamentos já existentes, avaliando se a prática orientada de exercício pode tornar quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia mais eficazes;
- Definir combinações seguras de tipo, intensidade e frequência de exercício para diferentes perfis de pacientes oncológicos;
- Investigar como o exercício influencia a resposta imune contra células tumorais no contexto clínico real.

Qual é o papel do exercício no dia a dia de quem se preocupa com câncer de cólon
Mesmo com incertezas científicas ainda em aberto, há um ponto consistente nas diretrizes de saúde pública: manter-se fisicamente ativo é uma das principais estratégias para reduzir o risco de câncer de cólon e de outras doenças crônicas. Além disso, o exercício contribui para o controle do peso, melhora da sensibilidade à insulina e saúde cardiovascular, fatores diretamente ligados ao risco de câncer colorretal.
Na prática, recomenda-se acumular ao longo da semana uma boa quantidade de atividade aeróbica moderada ou vigorosa, incluir sessões mais intensas sempre que possível e seguro, associar o exercício a uma alimentação equilibrada e ao acompanhamento médico regular, e valorizar até mesmo sessões curtas, de 10 a 15 minutos, que podem ser repetidas ao longo do dia como parte de um estilo de vida ativo.








