Na zona rural de Patrocínio, no Alto Paranaíba, Minas Gerais, um evento trágico chamou a atenção recentemente. Quatro integrantes de uma família foram hospitalizados em estado grave após consumirem uma planta conhecida como “Falsa Couve“. Essa planta, muitas vezes confundida com a couve comum devido à semelhança de suas folhas, mostrou-se extremamente letal. Os sintomas surgiram logo após a refeição, incluindo fraqueza muscular, dormência nas pernas, mal-estar e dificuldades respiratórias. Uma mulher de 37 anos enfrentou uma parada cardiorrespiratória, enquanto três outros adultos também necessitaram de atendimento médico urgente.
A planta responsável por esse episódio é a Nicotiana glauca, parte da família Solanaceae, a mesma que inclui alimentos amplamente consumidos, como batatas e tomates. Esta é uma parente próxima do tabaco tradicional e contém uma substância tóxica chamada anabazina. Quando ingerida, essa substância pode bloquear a transmissão nervosa, levando a sintomas graves de intoxicação.
Como identificar a Nicotiana glauca e evitar intoxicações?
A identificação correta da Nicotiana glauca em relação à couve verdadeira é crucial para evitar acidentes como esse. A couve apresenta folhas maiores e mais escuras, com nervuras marcantes, enquanto a “Falsa Couve” possui folhas lisas com nervuras menos pronunciadas. Entretanto, para aqueles que não têm experiência em identificação de plantas, as folhas jovens da couve podem facilmente causar confusão.
Quais são os riscos associados ao consumo da “Falsa Couve”?

O consumo dessa planta pode ser extremamente perigoso. A anabazina presente na Nicotiana glauca é a principal responsável por sua toxicidade. Os sintomas variam de acordo com a quantidade consumida, sendo fundamentais para o desenvolvimento de quadros clínicos graves, que podem culminar em morte se não tratados a tempo. A relação entre a quantidade ingerida e a intensidade dos sintomas salienta a importância de uma rápida resposta médica.
O que fazer em caso de suspeita de intoxicação?
Em caso de suspeita de intoxicação por plantas, é importante procurar assistência médica imediatamente. Levar uma amostra da planta pode auxiliar significativamente no diagnóstico e tratamento, pois profissionais treinados podem identificar a presença de anabazina e atuar de forma eficaz contra seus efeitos. O encaminhamento precoce ao atendimento médico pode ser vital para a recuperação.
Como prevenir intoxicações por plantas na zona rural?
A prevenção é sempre a melhor abordagem. Coletar somente plantas comestíveis de fontes seguras, como hortas cultivadas, é essencial. É aconselhável que pessoas sem conhecimento especializado evitem a coleta de plantas selvagens. Para comunidades rurais, programas de educação e conscientização sobre identificação de plantas podem ser uma medida preventiva eficaz, reduzindo o risco de episódios como o acontecido em Patrocínio.
Compreender a diferença entre plantas comestíveis e tóxicas pode ser uma questão de vida ou morte. O caso recente serve como um alerta para redobrarmos os cuidados no manejo de alimentos colhidos na natureza.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271








