As prateleiras abertas, antes estrelas absolutas do design de interiores e do Pinterest, estão a perder o trono para o regresso triunfal dos armários totalmente fechados. A procura por praticidade na limpeza diária e a necessidade urgente de reduzir a “poluição visual” ditaram o fim desta tendência estética que exigia manutenção constante e curadoria impecável.
Por que a mistura de gordura e pó se tornou insustentável?
A realidade funcional da cozinha venceu a estética. Mesmo com exaustores potentes, o ato de cozinhar liberta vapores de gordura que se espalham pelo ar e assentam em todas as superfícies horizontais.
Quando essa gordura encontra o pó doméstico nas prateleiras abertas, cria-se uma película pegajosa sobre pratos, copos e taças. Isso obriga o morador a realizar uma tarefa ingrata: lavar a louça antes de a usar, apenas para remover a sujidade acumulada enquanto ela estava “guardada”, duplicando o trabalho doméstico.

O que é a “fadiga visual” causada pela exposição?
O conceito de “fadiga visual” refere-se ao stress inconsciente gerado por ambientes visualmente caóticos. Para que uma prateleira aberta fique bonita, tudo deve combinar, ser esteticamente agradável e estar perfeitamente alinhado, o que raramente reflete a realidade de uma casa vivida.
Embalagens coloridas de alimentos, louças desemparelhadas e utensílios de plástico criam um ruído visual constante. Os armários fechados voltaram porque oferecem “silêncio visual”: ao fechar as portas, esconde-se o caos funcional, criando uma sensação imediata de ordem e limpeza na mente e no espaço.
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Quais são as desvantagens práticas que mataram a tendência?
Além da questão da limpeza, a vida útil dos objetos e a praticidade foram fatores decisivos para o declínio deste estilo.
Os principais motivos citados por quem se arrependeu das prateleiras incluem:
- Curadoria forçada: A obrigação de comprar apenas louças bonitas ou caras para exibição.
- Risco de quebra: Maior exposição a acidentes, especialmente em casas com gatos ou crianças.
- Perda de espaço: A necessidade de “espaçamento estético” entre os itens faz com que caiba menos coisa do que num armário fechado.
- Manutenção constante: A necessidade de limpar a própria prateleira (madeira ou vidro) semanalmente.

Como as “garagens de eletrodomésticos” resolveram a bancada?
Junto com os armários aéreos fechados, surgiu a tendência do appliance garage (garagem de eletrodomésticos). Trata-se de um armário que vai do balcão até ao teto, com portas retráteis ou de abrir, desenhado especificamente para esconder a torradeira, a cafeteira e a batedeira.
Esta solução permite que os aparelhos estejam ligados e prontos a usar, mas ocultos quando não são necessários. É a evolução máxima do conceito de “cozinha limpa”, onde as bancadas ficam livres e desimpedidas, ao contrário da exposição forçada das prateleiras anteriores.
Existe um meio-termo entre o caos e o fechamento total?
Para quem ainda deseja a leveza visual sem sofrer com a gordura, as portas de vidro (cristaleiras) e o vidro canelado surgiram como a solução de compromisso ideal.
O vidro protege as louças do pó e da gordura, eliminando a necessidade de lavagem pré-uso, mas ainda permite ver o vulto ou as cores dos objetos, mantendo a sensação de profundidade. O vidro canelado ou texturizado é ainda mais eficaz, pois esconde a desorganização interna enquanto reflete a luz, unindo o melhor dos dois mundos.










