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Fóssil de dinossauro encontrado no Brasil apresenta vestígios semelhantes a células sanguíneas após 115 milhões de anos

Por Maria Beatriz Silva
04/11/2026
Em Curiosidades
Fóssil de dinossauro encontrado no Brasil apresenta vestígios semelhantes a células sanguíneas após 115 milhões de anos

Fóssil de dinossauro encontrado no Brasil apresenta vestígios semelhantes a células sanguíneas após 115 milhões de anos

Um fóssil de dinossauro encontrado no Brasil chamou a atenção de pesquisadores por apresentar estruturas microscópicas semelhantes a células sanguíneas, preservadas por aproximadamente 115 milhões de anos. A descoberta amplia as discussões sobre a conservação de tecidos orgânicos em fósseis e mostra que determinados vestígios biológicos podem sobreviver por períodos muito maiores do que se imaginava.

Quais características do dinossauro e do fóssil chamaram a atenção dos cientistas?

O exemplar analisado pertencia a um animal que teria aproximadamente quatro anos quando morreu e media cerca de 3,1 metros de comprimento. Os fragmentos recuperados incluem partes do fêmur direito, da tíbia e dos ossos do pé. Essas estruturas permitiram investigar regiões internas que normalmente não são observadas durante análises paleontológicas convencionais.

A descoberta também chama atenção pela localização dos vestígios. Eles estavam dentro de canais vasculares dos ossos, e não simplesmente misturados ao sedimento externo. Essa posição, associada aos resultados das análises químicas, fortalece a hipótese de preservação de vestígios biológicos antigos e amplia as possibilidades de investigação de fósseis já existentes em coleções científicas.

células sanguíneas de dinossauros
Fóssil de osso da perna do dinossauro Aratasaurus sobre uma bancada de laboratório paleontológico, com uma imagem microscópica

O que os pesquisadores encontraram dentro dos ossos do Aratasaurus?

O material analisado pertence ao Aratasaurus museunacionali, um dinossauro carnívoro que viveu durante o período Cretáceo. As estruturas foram identificadas em canais vasculares presentes nos ossos da perna, regiões por onde circulavam vasos sanguíneos. As imagens microscópicas mostraram formas semelhantes a glóbulos vermelhos, preservadas em meio ao material mineralizado.

Pesquisas publicadas na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) identificaram também sinais químicos relacionados ao heme, componente associado à hemoglobina. A combinação entre estruturas microscópicas e evidências químicas fortaleceu a interpretação dos pesquisadores de que os vestígios têm origem sanguínea, embora não representem sangue líquido preservado.

Quais evidências científicas foram identificadas nas análises do fóssil?

Os pesquisadores utilizaram diferentes técnicas laboratoriais para examinar a composição do material fossilizado. Além das estruturas semelhantes a células sanguíneas, foram identificados compostos relacionados ao heme e aminoácidos associados ao colágeno. Esses resultados ajudam a investigar a preservação de componentes biológicos em ossos submetidos a processos geológicos durante milhões de anos.

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ciência e paleontologia

5 vestígios microscópicos que podem indicar a presença de sangue em fósseis

A análise de estruturas, compostos químicos e resíduos preservados nos ossos ajuda pesquisadores a investigar possíveis evidências de tecidos e componentes biológicos antigos.

01

Estruturas semelhantes a glóbulos vermelhos

Imagens microscópicas podem revelar estruturas arredondadas que lembram hemácias, células responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue. A semelhança visual, porém, precisa ser analisada com outros dados para confirmar sua natureza.

02

Sinais químicos relacionados ao heme

O heme é uma estrutura molecular presente na hemoglobina, proteína que transporta oxigênio no sangue. A identificação de sinais químicos associados a esse componente pode fornecer pistas sobre a preservação de materiais biológicos.

03

Produtos de transformação do heme

Com o passar do tempo, moléculas orgânicas podem sofrer alterações químicas. A presença de produtos relacionados à transformação do heme ajuda a investigar a possível origem e a história dos compostos encontrados.

04

Aminoácidos associados ao colágeno

O colágeno é uma proteína estrutural importante dos tecidos e dos ossos. Seus aminoácidos característicos podem ser investigados para avaliar possíveis resíduos de material orgânico preservado em fósseis.

05

Vestígios nos canais vasculares dos ossos

Os canais vasculares são pequenos espaços presentes na estrutura óssea por onde circulavam vasos sanguíneos. Resíduos mineralizados encontrados nessas regiões podem ajudar a investigar a preservação de componentes biológicos ao longo do processo de fossilização.

Por que essa preservação é considerada tão importante para a paleontologia?

Ossos e dentes são algumas das partes mais frequentemente preservadas no registro fóssil. Já os tecidos moles e os componentes celulares costumam desaparecer durante os processos de decomposição e fossilização. Por isso, identificar estruturas semelhantes a células sanguíneas em um animal tão antigo representa uma oportunidade incomum para investigar sua biologia.

A análise molecular pode acrescentar informações que a observação dos ossos sozinha não oferece. Com esses dados, pesquisadores conseguem investigar características dos tecidos, processos de preservação e aspectos da evolução dos organismos. O trabalho também incentiva novas análises de fósseis que já estão guardados em museus e instituições científicas.

células sanguíneas de dinossauros
Um pesquisador utilizando um microscópio eletrônico para analisar uma pequena amostra fossilizada de osso de dinossauro em laboratório

O fóssil contém sangue ou DNA de dinossauro preservado por 115 milhões de anos?

Apesar da repercussão da pesquisa, é importante diferenciar vestígios mineralizados de sangue intacto. Os cientistas não encontraram sangue líquido nem células vivas. O que foi identificado são estruturas com aparência celular e sinais químicos relacionados ao heme, preservados e transformados ao longo de um período geológico extremamente extenso.

A pesquisa também não identificou DNA de dinossauro nem proteínas antigas completamente preservadas. A presença de sinais químicos associados ao sangue não significa que todo o conteúdo original das células tenha sobrevivido. Essa distinção é fundamental para interpretar os resultados sem atribuir ao estudo conclusões que os próprios pesquisadores não apresentaram.

Tags: Aratasauruscélulas sanguíneas fossilizadasfóssil de dinossauro
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