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Início Curiosidades

Arqueólogos encontram novo fragmento do Tratado de Kadesh, um dos mais antigos acordos de paz conhecidos

Por Daniely Cardoso
24/09/2026
Em Curiosidades
Os textos conhecidos do Tratado de Kadesh são cópias de um acordo que, segundo registros antigos, teria sido originalmente gravado em prata. // Crédito da Imagem: Agência Anadolu

Os textos conhecidos do Tratado de Kadesh são cópias de um acordo que, segundo registros antigos, teria sido originalmente gravado em prata. // Crédito da Imagem: Agência Anadolu

Arqueólogos identificaram na antiga capital hitita de Hattusa, na atual Turquia, um novo fragmento relacionado ao Tratado de Kadesh, considerado um dos mais antigos acordos de paz conhecidos. O pequeno pedaço de uma tabuleta em escrita cuneiforme chamou atenção por conservar trechos sobre fugitivos, proteção e devolução de pessoas entre dois grandes reinos da Antiguidade.

Fragmento foi encontrado na antiga capital do Império Hitita

A peça foi localizada em Büyükkale, área fortificada de Hattusa onde funcionava o palácio real e onde também foram encontrados importantes arquivos hititas. A antiga cidade fica na província de Çorum e foi um dos principais centros políticos do Oriente Próximo durante a Idade do Bronze.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades turcas e repercutidas pela Agência Anadolu, análises identificaram o fragmento como parte de uma cópia do Tratado de Kadesh. O documento foi escrito em acádio, idioma amplamente usado na diplomacia internacional daquele período.

A peça foi localizada em Büyükkale, área fortificada de Hattusa onde funcionava o palácio real e onde também foram encontrados importantes arquivos hititas. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

O texto trata de pessoas que fugiam de um reino para outro

O conteúdo preservado é um dos pontos mais interessantes da descoberta. As linhas estão relacionadas a pessoas que deixavam o território egípcio ou hitita e buscavam abrigo no outro reino, mostrando que o acordo não tratava apenas de interromper conflitos militares.

Os especialistas identificaram disposições ligadas à devolução e ao tratamento desses fugitivos. Há ainda referência à proteção de seus bens e residências, revelando que questões envolvendo deslocamentos e consequências da guerra já apareciam em tratados diplomáticos há mais de três milênios.

Tratado colocou Egito e hititas em uma nova fase

O acordo foi firmado entre o faraó egípcio Ramsés II e o rei hitita Hattusili III no século XIII a.C. Os dois impérios disputavam influência sobre territórios estratégicos do Oriente Próximo e protagonizaram anos antes a famosa Batalha de Kadesh, travada na região da atual Síria.

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O tratado estabelecia compromissos de paz, não agressão e ajuda mútua, além de regras para lidar com pessoas que atravessassem as fronteiras. Uma réplica do documento está exposta na sede das Nações Unidas, onde o acordo é apresentado como um marco histórico da diplomacia escrita.

Original teria sido registrado em uma tabuleta de prata

Os textos conhecidos do Tratado de Kadesh são cópias de um acordo que, segundo registros antigos, teria sido originalmente gravado em prata. Essa versão não chegou aos tempos modernos, mas cópias produzidas pelos dois lados permitiram reconstruir grande parte de seu conteúdo.

No Egito, versões do tratado foram inscritas em hieróglifos nas paredes de templos. Em Hattusa, arqueólogos encontraram no início do século XX fragmentos em escrita cuneiforme, permitindo comparar a versão hitita com aquela preservada pelos egípcios e compreender melhor como cada reino registrou o acordo.

O acordo foi firmado entre o faraó egípcio Ramsés II e o rei hitita Hattusili III no século XIII a.C. // Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

O novo achado não muda o tratado, mas amplia seu registro físico

O fragmento recém-identificado não revela um tratado desconhecido nem altera aquilo que os historiadores já sabiam sobre o acordo. Sua importância está em acrescentar uma nova peça física ao conjunto de documentos preservados e confirmar novamente a circulação de cópias diplomáticas dentro da administração hitita.

Também chama atenção o fato de o trecho estar relacionado ao tratamento de fugitivos. O conteúdo ajuda a mostrar que diplomacia e guerra na Antiguidade envolviam não apenas reis e exércitos, mas também problemas relacionados à circulação de pessoas, proteção de propriedades e obrigações entre Estados.

Hattusa ainda pode guardar outras peças do mesmo arquivo

As escavações continuam na área de Büyükkale, e a expectativa dos arqueólogos é encontrar novos fragmentos capazes de completar documentos já conhecidos ou revelar outros registros administrativos. Hattusa foi incluída na lista de Patrimônio Mundial e conserva templos, muralhas e estruturas associadas ao antigo poder hitita.

O achado também reforça por que o Tratado de Kadesh continua sendo estudado mais de três mil anos depois. Além de registrar um acordo entre duas potências rivais, ele mostra como sociedades antigas criavam regras para paz, alianças e deslocamentos humanos, oferecendo uma rara janela para o funcionamento da diplomacia no mundo da Idade do Bronze.

Tags: arqueologiacienciahistoriasociedade
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