Na Região dos Lagos, a 155 km do Rio de Janeiro, Cabo Frio guarda quatro séculos de história colonial à beira de um mar cristalino que a diferencia de todo o litoral fluminense. A cidade de 238 mil habitantes reúne um forte português erguido entre 1616 e 1620, praias com areia branca que permanece fria mesmo sob o sol e a 4ª praia mais fotografada do Brasil, segundo levantamento do Google Maps.
De Vila de Santa Helena à Princesa do Atlântico
A história começa em 1503, quando o navegador Américo Vespúcio desembarcou na região, marcando o início da colonização europeia no litoral fluminense. Antes disso, povos originários já habitavam a área há milênios, com vestígios arqueológicos que remontam a cerca de 1.500 antes de Cristo. Em 13 de novembro de 1615, nascia oficialmente a Vila de Santa Helena do Cabo Frio, que com o tempo teve o nome abreviado para o atual, considerado uma das cidades mais antigas do Brasil.
O nome curioso tem explicação dupla. Vem da geografia, pelo cabo formado na costa, e da temperatura da água, mais fria do que a das cidades vizinhas por causa do fenômeno de ressurgência marinha, que traz água profunda para a superfície. Segundo a Wikipédia, com base em referências geológicas, a areia branca das praias permanece fresca mesmo sob o sol forte porque não contém mica, mineral que aqueceria os grãos. A cidade recebeu ao longo dos anos o apelido de Princesa do Atlântico.

Forte São Mateus: 400 anos vigiando a costa
Erguido entre 1616 e 1620 pelos portugueses, o Forte São Mateus é o cartão-postal mais emblemático da cidade. Foi construído para defender a costa das invasões de corsários franceses, ingleses e holandeses atraídos pelo pau-brasil da região. Segundo a Prefeitura Municipal de Cabo Frio, a estrutura foi levantada em alvenaria de pedra e argamassa de cal e óleo de baleia, tornando-se uma das mais antigas obras da arquitetura colonial da América Latina.
Instalado sobre uma ilhota rochosa na entrada do Canal do Itajuru, o forte tem os canhões originais ainda apontados para o mar, num gesto simbólico de eterna defesa. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico nacional e recebe visitação gratuita. Do alto de seus mirantes, a vista abrange toda a Praia do Forte, parte do Canal do Itajuru e a Ilha do Japonês. À noite, o forte iluminado reflete na água, formando um dos cenários mais fotografados do litoral fluminense.
Praia do Forte: 7,5 km de areia branca e 4ª mais fotografada do Brasil
A Praia do Forte é a principal do município e uma das mais famosas da Costa do Sol. Com 7,5 km de extensão, foi eleita a 4ª praia mais fotografada do Brasil em levantamento do Google Maps com dados entre 2010 e janeiro de 2025. As águas cristalinas e a areia branca finíssima, que reflete a luz e permanece fresca, explicam o apelido internacional que Cabo Frio recebe de “Caribe brasileiro”.
A infraestrutura é completa. Quiosques, banheiros, aluguel de guarda-sol e opções para esportes náuticos preenchem toda a orla. Velejadores nacionais e internacionais reconhecem a praia como uma das melhores do mundo para a prática de vela, segundo o Turismo de Cabo Frio, graças aos ventos constantes que sopram do mar. É também aqui que fica o Bairro do Peró, com dunas frequentemente comparadas aos Lençóis Maranhenses em versão reduzida.
Quais praias visitar em Cabo Frio?
O município concentra algumas das praias mais procuradas do Rio de Janeiro. Cada trecho reúne perfil próprio, das águas calmas das ilhas às ondas fortes ideais para esportes de vento.
- Praia do Forte: principal e mais movimentada, com 7,5 km de extensão, infraestrutura completa e o Forte São Mateus ao fundo.
- Praia das Dunas: mais tranquila e cercada de vegetação preservada, com dunas de areia branca e ondas fortes que atraem praticantes de windsurf e kitesurf.
- Praia do Peró: 7 km de extensão, com dunas comparadas aos Lençóis Maranhenses e a Trilha da Pedra do Perfil no entorno.
- Praia das Conchas: enseada de águas verdes e mar calmo, ideal para famílias com crianças, com quiosques na areia.
- Praia do Foguete: mar aberto e ondas fortes, refúgio de surfistas e reduto de praticantes de esportes radicais.
- Ilha do Japonês: acessível de barco do centro, no Parque Estadual da Costa do Sol, com águas rasas e cristalinas da Lagoa de Araruama.

O que fazer além das praias?
O roteiro histórico e as trilhas ecológicas complementam a agenda de praia. As atrações ficam a poucos minutos do centro e podem ser visitadas em roteiro a pé ou de carro.
- Convento de Nossa Senhora dos Anjos: construção franciscana do século XVII, um dos edifícios religiosos mais antigos do Brasil em atividade.
- Passarela da Praia do Forte: calçadão de madeira que acompanha a orla, ideal para caminhada e ciclismo com vista para o mar.
- Trilha da Pedra do Perfil: caminhada de nível moderado com vista panorâmica da Praia do Peró e formação rochosa que lembra o perfil humano.
- Canal do Itajuru: ligação natural entre a Lagoa de Araruama e o oceano, boa opção para passeios de barco e stand-up paddle.
- Centro Histórico: casarões coloniais, igrejas antigas e a Casa 500 Anos, com acervo sobre os cinco séculos da cidade.
- Passeio de escuna para Arraial do Cabo: passeio marítimo tradicional pela costa, com paradas para mergulho em águas transparentes.
Onde comer bem na Região dos Lagos?
A gastronomia gira em torno dos frutos do mar frescos, com destaque para o pescado do dia servido nos restaurantes da orla. O festival gastronômico entre setembro e outubro é o evento mais aguardado do calendário local.
- Camarão à moda cabofriense: preparo tradicional com azeite, alho e ervas frescas, servido em restaurantes tradicionais do centro e da Praia do Forte.
- Moqueca capixaba adaptada: preparo em panela de barro com peixes locais, uma releitura do prato original do Espírito Santo.
- Peixe grelhado com risoto de frutos do mar: prato símbolo dos restaurantes de orla, com pescado inteiro e acompanhamentos regionais.
- Pastel de camarão: tira-gosto clássico das barracas de praia, servido crocante com molho de pimenta.
Como é o clima ao longo do ano
Cabo Frio tem clima tropical semiárido, incomum para o litoral brasileiro. As chuvas são escassas, a umidade é baixa e o sol aparece na maior parte do ano, característica que a diferencia das cidades vizinhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Cabo Frio
A cidade fica a 155 km do Rio de Janeiro pela Via Lagos (RJ-124), cerca de duas horas de carro. Ônibus regulares partem do Terminal Rodoviário Novo Rio várias vezes ao dia. O Aeroporto Internacional de Cabo Frio opera voos regulares para São Paulo e outras capitais, com transfer direto para os hotéis. Quem vem de outros estados também pode desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na capital fluminense, e seguir por rodovia.
O cabo que virou princesa
Cabo Frio entrega em um só endereço aquilo que poucas cidades brasileiras oferecem: quatro séculos de história colonial preservada, praias com areia que não esquenta, um forte português de 400 anos e vento constante que a transformou em referência mundial da vela. Tudo isso a duas horas do Rio de Janeiro.
Você precisa conhecer Cabo Frio, subir no Forte São Mateus ao pôr do sol e mergulhar na água gelada sob o sol quente para entender o contraste que dá nome à Princesa do Atlântico.



