Imigrantes costumam trazer na bagagem a língua, a fé e as receitas de casa. Em Treze Tílias, no Meio-Oeste de Santa Catarina, os colonos austríacos que chegaram em 1933 trouxeram também o nome de um poema, o desenho das casas de montanha e o gosto pela madeira entalhada. Quase um século depois, a cidade preserva esse sotaque alpino entre colinas verdes, jardins floridos e as manhãs frias do planalto catarinense.
Quem fundou Treze Tílias?
Um grupo de imigrantes do Tirol, região alpina da Áustria, que fugia da grave crise econômica do período entre as duas guerras mundiais. Segundo o histórico municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o primeiro grupo chegou em 13 de outubro de 1933, liderado por Andreas Thaler, que havia ocupado o Ministério da Agricultura austríaco.
A colônia recebeu o nome de Dreizehnlinden, “treze tílias” em alemão, em homenagem ao poeta Wilhelm Weber, que exaltava a árvore em suas obras. Comum na Áustria, a tília se adaptou bem ao novo solo. O povoado virou distrito em 1955 e ganhou autonomia como município em 1963, pela Lei Estadual nº 882.

Por que Treze Tílias aparece numa lista internacional de turismo sustentável?
Porque suas práticas de preservação foram reconhecidas fora do país. A cidade integra a lista Top 100 Stories 2024 da Green Destinations, organização internacional que reúne, a cada ano, histórias de destinos que conciliam turismo, cultura e meio ambiente.
A lista de 2024 foi divulgada em outubro daquele ano e colocou Treze Tílias ao lado de destinos de vários continentes. No caso catarinense, o que chama atenção é a combinação de herança cultural viva, arquitetura preservada e paisagem rural cuidada, que dá ao visitante a sensação de atravessar um oceano sem sair do Brasil.
O que fazer em Treze Tílias?
O centro é compacto e se percorre a pé, com paradas entre jardins, cafés e construções de madeira. Os pontos que resumem a cidade:
Que tradições austríacas a cidade mantém?
A principal delas é a Tirolerfest, realizada em outubro, mês da fundação da colônia, com apresentações folclóricas, corais e bandas típicas. A festa transforma o centro numa vitrine da cultura tirolesa e reúne moradores e visitantes em torno de música, dança e comida de raiz alpina.
A herança aparece também à mesa, em pratos como o schnitzel, bife empanado de origem austríaca, e o apfelstrudel, folhado recheado de maçã, servidos em cafés e restaurantes de madeira. A ligação com a terra dos fundadores é tão viva que a cidade abriga um consulado honorário da Áustria.

Qual a melhor época para visitar Treze Tílias?
O inverno é a estação que mais combina com o clima alpino da cidade, com mínimas médias de 8°C em julho e manhãs geladas. A chuva aparece o ano inteiro, sempre acima de 100 mm por mês, e se concentra no verão e na primavera.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Treze Tílias?
A cidade fica a cerca de 420 km de Florianópolis, no interior catarinense, e a principal referência regional é Joaçaba, município do qual o território fez parte antes da emancipação. O trajeto é feito de carro ou ônibus, atravessando as paisagens rurais do Meio-Oeste.
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Um pedaço do Tirol que criou raízes no Brasil
Treze Tílias nasceu de uma decisão difícil, tomada por famílias que deixaram a Áustria em plena crise para recomeçar do outro lado do oceano. O que trouxeram na bagagem, do nome poético ao entalhe em madeira, resistiu ao tempo e virou identidade, a ponto de levar a cidade a uma lista internacional de turismo responsável. É uma colônia que não encena a Europa, mas a conserva como herança de família.
Você precisa caminhar pela Praça Ministro Andreas Thaler numa manhã fria de inverno em Treze Tílias e provar um strudel quente olhando as casas de madeira ao redor.




