A 380 km de Curitiba, no norte do Paraná, Londrina é a segunda maior cidade do estado e uma das mais bem planejadas do Sul do Brasil. Nasceu do sonho britânico de colonizar a fértil terra roxa e recebeu o nome como homenagem à capital da Inglaterra, reforçado pela neblina frequente que lembrava o clima londrino. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem 96,8% das vias urbanas arborizadas, um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,778 e o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado, com R$ 19,9 bilhões, sustentado por agronegócio, indústria alimentícia, comércio e serviços de saúde.
Da terra roxa à Capital Mundial do Café
A história começa em 1924, quando a Missão Montagu, chefiada pelo escocês Lord Lovat, percorreu o norte paranaense e ficou impressionada com a fertilidade da terra roxa. Após o fracasso de uma plantação de algodão, os ingleses criaram a Paraná Plantations Ltd. em Londres e sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Em 21 de agosto de 1929, o engenheiro Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco no local chamado Patrimônio Três Bocas.
Segundo o Portal da Prefeitura de Londrina, o nome foi sugerido por João Domingues Sampaio, um dos diretores da CTNP, como referência às filhas de Londres. A criação do município veio pelo Decreto Estadual 2.519 de 3 de dezembro de 1934, e a instalação oficial em 10 de dezembro do mesmo ano, data comemorada como aniversário. O traçado urbanístico foi assinado pelo engenheiro Jorge Macedo Vieira seguindo o conceito britânico de cidade-jardim. Nos anos 1950, a região respondia por cerca de 51% do café produzido no mundo, o que rendeu à cidade o título de Capital Mundial do Café, com fazendeiros chamados de Barões do Café e os grãos apelidados de Ouro Verde. A Geada Negra de 1975 destruiu os cafezais, mas a cidade já havia se reinventado com universidades e comércio forte.

Mercado de trabalho e economia local
Londrina responde pelo segundo maior PIB do Paraná, com R$ 19,9 bilhões movimentados por agronegócio, indústria alimentícia, comércio atacadista, serviços de saúde e tecnologia. Segundo a Revista Oeste, a cidade é polo do agronegócio paranaense e sedia cooperativas, indústrias e centros de pesquisa que exportam soja, milho e café.
A saúde é outro pilar da economia, com hospitais universitários e clínicas especializadas que atendem toda a Região Metropolitana e o interior do estado. O ensino superior é liderado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), uma das melhores universidades federais do país segundo o Ministério da Educação (MEC). A rede é complementada pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). O setor de tecnologia cresce ao redor dos campi universitários com startups em fintechs, agrotech e healthtech.
Qualidade de vida e infraestrutura
O IDH de 0,778 coloca Londrina entre as sete melhores cidades do Paraná e reflete indicadores altos em educação, renda e longevidade. O município ostenta 98 parques e praças públicas, com destaque para o Lago Igapó, cinco lagos interligados com paisagismo assinado por Burle Marx e cerca de 5 km de pistas de caminhada e ciclovia.
A rede de saúde é referência regional, com o Hospital Universitário da UEL, o Hospital Evangélico e o Hospital do Câncer atendendo toda a Região Metropolitana. O Aeroporto Governador José Richa fica a apenas 3 km do centro e opera voos diretos de São Paulo e Curitiba pelas companhias Latam e Azul, o que garante mobilidade ágil para reuniões e viagens de negócios. A cidade abriga ainda seis obras do arquiteto Vilanova Artigas, patrimônio arquitetônico raro no interior brasileiro.

Bairros e mercado imobiliário
A Gleba Palhano é a região mais valorizada da cidade, com valorização média de 13,39% ao ano e maior concentração de empreendimentos de alto padrão na Zona Sul. Reúne torres residenciais, restaurantes premiados, shoppings e escritórios corporativos, sendo o endereço mais procurado por profissionais e famílias de alta renda.
O Jardim Higienópolis mantém status de bairro tradicional nobre, com casas amplas em ruas arborizadas próximas ao centro. O Jardim Shangri-lá é residencial e arborizado, perfeito para famílias que buscam tranquilidade. O Antares é bairro planejado próximo às universidades, e o Jardim Quebec e o Alto da Colina registram forte valorização imobiliária, com condomínios modernos. O Centro concentra o comércio, o Calçadão e prédios comerciais mais antigos, com boa opção para quem prioriza praticidade. O custo de vida é superior ao de cidades vizinhas como Maringá, mas ainda mais acessível que Curitiba, com m² competitivo.
O que fazer em Londrina em dois dias?
Dois dias são o suficiente para conhecer o centro histórico, o Lago Igapó e as principais áreas verdes. A Rota do Café nos arredores complementa o roteiro com fazendas históricas.
- Lago Igapó: cinco lagos interligados com paisagismo de Burle Marx, cartão-postal da cidade com ciclovia, pistas de caminhada e áreas de piquenique, um dos cenários mais fotografados do Sul do país.
- Calçadão de Londrina: 700 metros de comércio na Avenida Paraná, entre as ruas Minas Gerais e Hugo Cabral, com lojas, restaurantes e apresentações artísticas de rua.
- Museu Histórico de Londrina: instalado na antiga estação ferroviária como órgão suplementar da UEL, preserva o acervo sobre a Companhia de Terras Norte do Paraná e a colonização inglesa.
- Jardim Botânico: 38 hectares de Mata Atlântica preservada com mais de 1.400 espécies catalogadas, trilhas ecológicas e nascentes no coração da cidade.
- Catedral Metropolitana: em estilo neogótico com vitrais coloridos, é símbolo religioso da cidade e ponto de partida da caminhada pelo centro histórico.
- Estádio do Café (Zerão): casa do Londrina Esporte Clube com capacidade para 36 mil torcedores, foi palco de jogos históricos do futebol brasileiro.
- Obras de Vilanova Artigas: seis edifícios projetados pelo arquiteto paulista espalhados pela cidade compõem patrimônio raro no interior do país.
- Rota do Café: roteiro turístico que percorre fazendas históricas nos arredores, com visitas guiadas, degustação e recuperação da história do Ouro Verde.
Sabores da mesa londrinense
A cozinha reflete a diversidade cultural da colonização, com italianos, japoneses, alemães e árabes deixando suas marcas nos cardápios. O cachorro-quente virou tradição da cidade a ponto de render título nacional.
- Cachorro-quente londrinense: preparação farta com molho de tomate, milho, ervilha, batata palha e outros ingredientes, servido em quiosques e barracas por toda a cidade.
- Comida japonesa: herança da forte colônia nipônica, com destaque para restaurantes tradicionais no Centro e na Vila Nipônica.
- Massas italianas: pratos como capeleti e ravioli em cantinas familiares tradicionais que resistem no centro histórico.
- Café especial: cafeterias que valorizam grãos das fazendas históricas da região, herança direta do ciclo do café dos anos 1950.
Qual a melhor época para visitar Londrina?
O clima é subtropical úmido, com verão quente e chuvoso e inverno seco e ameno. Neblinas matinais são comuns nos meses frios, o que reforça o apelido de Pequena Londres.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Julho é o auge do calendário cultural com o Festival Internacional de Londrina (FILO), um dos mais tradicionais festivais de teatro do país. A ExpoLondrina, entre março e abril, é uma das maiores feiras agropecuárias do Sul do Brasil. A florada dos ipês, entre agosto e setembro, colore ruas inteiras.

Como chegar em Londrina?
A cidade fica a 380 km de Curitiba pela BR-376, em cerca de 4 horas de carro. O Aeroporto Governador José Richa, a apenas 3 km do centro, recebe voos diretos de São Paulo e Curitiba pelas companhias Latam e Azul, com conexões para as principais capitais brasileiras.
De Maringá, cidade vizinha, são 100 km pela BR-376, em cerca de 1 hora e 30 minutos. De São Paulo, são 550 km pela BR-116 e BR-369. A Rodoviária de Londrina conecta a cidade a Curitiba, Maringá e várias cidades paulistas, com a Viação Garcia operando as principais linhas. A BR-369 é o principal acesso para quem vem do oeste paranaense.
Leia também: A “Machu Picchu Brasileira” que perdeu 95% da população após o fim do garimpo e virou vila quase fantasma na Bahia.
Vá conhecer Londrina
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar 96 anos de história de planejamento inglês, 96,8% das ruas arborizadas, o segundo maior PIB do Paraná e um lago projetado por Burle Marx no mesmo endereço. Londrina segue no ritmo das cafeterias que servem o antigo Ouro Verde, das universidades que renovam a vida cultural e das neblinas matinais que ainda lembram por que virou a Pequena Londres.
Você precisa caminhar ao redor do Lago Igapó ao entardecer e passar uma tarde no Museu Histórico para entender por que a cidade fundada por ingleses virou uma das mais desejadas para viver bem no Sul do Brasil.




